Já algum tempo, desde que voltou de Istambul, Alex está se despedindo. A cada gol, a cada passe, a cada vitória e a cada derrota, na dor sentida no corpo e na alma, em tudo Alex estava dizendo adeus. O adeus de domingo é mais um, embora seja o último.

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Não vejo Alex já há um bocado de tempo. Mas os sentimentos do bom homem não mudam com o tempo, posso afirmar que a alegria e a tristeza estão se revezando intensamente no seu interior. Talvez, o conflito do querer seguir ou ficar, lhe cause, ainda, algum maltrato. O sorriso que usa para negar o clamor para continuar, talvez esconda a mágoa que todos nós temos da lei, que a vida nos impõe, que em um dado momento temos que dizer adeus.

Como deve ser triste e alegre se despedir todos os dias durante dois anos? Alex me lembra de uma canção de Vinícius e Toquinho: “Mais um adeus, Uma separação, Outra vez, solidão, Outra vez, sofrimento, Mais um adeus, Que não pode esperar”.

Mas para Alex não será triste ir embora.

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A mesma inteligência, que usou em campo para escrever uma bela história jogando bola, a usou para dizer adeus. Não está saindo porque seu corpo lhe sonega força e talento, porque ainda os têm como se fossem inesgotáveis. Está saindo porque um adeus é um projeto de vida. Quando uma ação humana sendo inevitável, mas programada, os sentimentos quando provocados já estão maduros e conscientes, e acomodados transigem como um fato natural da vida, sem criar traumas.

De primeira

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O título “A cerimônia do adeus” é da obra de Simone de Beauvoir, que faz o relato dos últimos anos da vida de Jean-Paul Sartre, quando ele reflete sobre a velhice, a morte e a sua trajetória de vida, inclusive, a necessidade de se projetar o adeus.