A catástrofe Namur

Uma das maiores provas do fracasso de um dirigente é quando obriga-se a apresentar um novo treinador. Se esse ato torna-se uma rotina, então o fracasso já não é mais questão de ponto de vista, é fato. Um dos maiores exemplos dessa espécie de fracasso está entre nós há 22 anos: o cartola Mário Celso Petraglia, que exerce o mando do Atlético Paranaense. O seu último foi o resumo do seu histórico: Fernando Diniz.

O presidente do Coritiba, em seu primeiro ano de cartola, já começa a ameaçar o rival. Ontem, apresentou Argel Fucks como o novo treinador coxa. Em nove meses (incompletos), Argel é o quarto.

Essa mudança não tem apenas como causa a eventual falta de recursos pessoais do treinador. Concordo que era possível prever que Sandro Forner e Tcheco, em especial, eram fracassos anunciados. Nesse caso, o fracasso dos dirigentes não decorre da sua falta de experiência, mas da irresponsabilidade pura. É que a escolha não se baseia em estudos, mas em especulação. E essa, em qualquer segmento da vida, carrega o risco integral de erro.

Na apresentação de Argel, o presidente Samir Namur usou um fundamento para a mudança que me chamou a atenção. Afirmou o seguinte fato: “Argel chega para evitar uma catástrofe”.

A frase de efeito, próprio de um homem culto como é Samir, carrega a seguinte dúvida: a catástrofe seria o Coritiba ser rebaixado para a terceira divisão, o que pelos números é possível, ou não voltar à primeira divisão, que pelos mesmos números é provável?

Sob o aspecto financeiro, entre permanecer na segunda divisão ou ser rebaixado para a terceira, a diferença será apenas a humilhação da torcida e da história. No aspecto financeiro haverá diferença contra o próprio clube. Qualquer time na Segundona não terá mais a carência de um ano do benefício de continuar recebendo como clube de primeira divisão. Permanecendo na Série B, o Coritiba vai receber as mesmas moedas que todos os outros. Só que essa situação não lhe dá igualdade, pois a estrutura que precisa remunerar ainda é de primeira divisão.

O mais grave não é a necessidade de mudar o treinador.

O grande problema do Coritiba passou a ser o conformismo com os fatos negativos.

Nesse aspecto, Coritiba e Atlético estão iguais.

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