A carta

O tema principal da edição de hoje é a carta endereçada ao presidente Mário Celso Petraglia, que foi assinada pelo Diretor de Projetos e Obras do Atlético, o engenheiro Luiz Volpato. Nela propõe a paralisação das obras da Baixada, também, porque estaria recebendo ameaças pela falta de pagamento.

A carta causaria o impacto pretendido se o remetente não fosse Luiz Volpato e o destinatário Mário Celso Petraglia, que vivem e trabalham sob o mesmo teto. Se fosse capaz de idealizar essa solução, Volpato não teria coragem de implementá-la formalmente, e depois dar conhecimento dos seus termos a terceiros. E seria incapaz de escrever um texto à Shakespeare, de conteúdo dramático, como se tivesse recebendo um golpe de picareta de um peão esfomeado. Aliás, é possível afirmar que a carta pela natureza do texto e pela fonte da letra (Palatino Linotype), saiu da máquina de um famoso advogado.

Não sejamos hipócritas: o objetivo da carta foi pressionar o governo Richa a adiantar dinheiro. Só que corre o risco de não ter efeito prático, pois, fazer pressão se tornou uma regra. E pressão nesses casos, em que se joga com o tempo, só traz efeito se for uma exceção na relação contratual.

E nem precisava da carta. Bastava Petraglia denunciar publicamente que o Estado não estaria cumprindo com a obrigação assumida, porque nos últimos quinze dias só adiantou 26 milhões de reais para a obra.

Bem que Petraglia poderia escrever uma carta hoje para Miguel Ángel Portugal, demitindo-o do cargo. E com espirito de renuncia, escrever outra para Mancini e Moraci Sant”Anna convidando-os para voltar.

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