A Carta, o final

Dezembro de 2015. Chegamos ao final do projeto. Como prometi o Atlético definitivamente é um dos maiores do Brasil. Se já o era no patrimônio, com o portentoso Centro de Treinamentos do Caju e a Arena da Baixada coberta, agora é o maior dentro de campo. Enfrentando todo o sistema viciado, o feudo refratário, e a tudo e a todos, ganhamos o bicampeonato brasileiro. Nossa vitória, ontem, na Baixada coberta protegendo o amor de 42 mil atleticanos, foi a marca maior da história do Furacão, e uma das marcas mais importantes da história do futebol brasileiro. Estamos de volta a Libertadores, só que agora, diferente de 2005, com muito dinheiro e estrutura para ganhá-la. E, aí, podemos antecipar o futuro, pois o que era para certo em até 10 anos, pode ser já imediatamente nos próximos anos: o Furacão campeão do mundo.

A Baixada está terminada. Há restaurantes, bares, enfim, áreas de lazer que atraem até os coxas. Seus eventos são quase diários. A sua majestosidade comove a todos. Agora, mesmo, a Baixada foi escolhida para o show de despedida de Bob Dylan, no Brasil.

Eu sei que o torcedor quer saber da bola. Eu finalmente tomei gosto pela vitória. Nosso time de craques irá ser mantido em razão da excelência da nossa condição financeira. Pagamos todas as dívidas, compusemos com os agentes públicos a divisão das obrigações da construção da Baixada para a Copa, baixamos as hipotecas, somos credores dos direitos integrais de televisão, por contrato cedemos os direitos sobre o nome da Baixada por 100 milhões de reais pelo prazo de 10 anos, e alcançamos a marca de 42 mil sócios pagantes. E sensível ao apelo do coração, estou convencido que a torcida tem razão: a Baixada de cinza fica sem alma. Para corrigir esse equivoco, irei pagar do próprio bolso a mudança das cadeiras. O Atlético tornou-se tão grande, que reduziu os outros a pó, tornando-se o único clube do Paraná. A nova geração irá comandar o nosso clube sem traumas.

Quero pedir desculpas a nossa torcida. Identifiquei-a com adjetivos que foram tomados com ofensa. Quando disse que era uma falácia, que era mimada, e que não me merecia, não o fiz com o objetivo de ofendê-la, mas porque estava brigando comigo mesmo, e contra a decepção em demorar em concluir o projeto do nosso Atlético. Mas como prometi, usei meus 3 ultimos anos de vida util, para fazer o Atlético dos meus sonhos e dos sonhos de todos os atleticanos.
Não é orgulho, mas me considero dentro da história, sem precisar deixar a vida.
Obrigado.

Mário Celso Petraglia.

(Essa é a carta que Petraglia deveria escrever em razão das promessas e ainda não conseguiu.)

Leia aqui a Carta I

E aqui a Carta II

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