A carta II

Volto à carta na qual Petraglia testou os seus “vinte anos de luta” no Atlético. Já escrevi que é uma carta longa, que se perde em clichês e generalidades. Lembro Charles Chaplin em suas memórias: “A generalidade é a fuga da verdade”. De específico, uma novidade: ao invés de prometer o futuro, expressa: “A hora chegou. Precisamos nos manter confiantes de que os nossos melhores momentos estão para acontecer”.

Como acreditar em um presidente que não tem gosto pelo futebol como de bola, que não nega que gosta de futebol, não conhece futebol, e que acha o futebol dificil porque é jogado com os pés.

A carta induz a torcida ao erro. Garante um presente imediato, como se fosse ignorar que o Atlético é solidário numa dívida de R$ 400 milhões, em razão de um estádio inacabado, e cujo uso está paralisado, limitando-se a quatro jogos por mês. A carta de Petraglia é um exemplo de que, às vezes, o mais grave, que é o mais importante, não está escrito.

Na carta, Petraglia não explicou o que o Atlético fez com os R$ 45 milhões que faturou com os negócios de Douglas Coutinho, Manoel, Nathan e Marcelo. Deveria decifrar um enigma, apresentando para os conselheiros o contrato do negócio de Douglas Coutinho. A carta omite a prestação de contas do CAP S.A, sociedade da qual o Atlético tem 90% de cotas. Um projeto que se torna abstrato diante da falta de perspectiva de pagamento pelo feitor da conta.

A carta ofende a torcida chamando-a de “mimada”. A mesma torcida que um dia o seu autor chamou-a de “falácia”. A mesma torcida, que segundo ele, “não o merece presidente”. Ofende a mesma torcida, que nunca lhe negou  o pão há vinte anos. 

Por falta de capacidade do seu autor para escrever, não testou as suas próprias virtudes.
Será por que que só Petraglia escreve sobre Petraglia?

Leia aqui “A Carta I”

E aqui A Carta, o final!

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google