A pedido do presidente Mário Celso Petraglia, como muitos, fiz uma reflexão sobre a carta em que ele testa os seus 20 anos de Atlético. Como tudo o que faz a carta não leva a lugar nenhum. O texto por ser longo, cansa. Só o termina quem tem boa vontade ou curiosidade. E tão logo que começa já é empurrado para as generalidades. Surpreende: diferente das outras, essa se preocupa em não usar a primeira pessoa.
Não se pode negar a Petraglia a verdade de que a sua ambição de construir pelo Atlético e para ter benefícios próprios, dividiu a história. O que não pode se é aceitar é que se apresente como vítima, quando afirma que “tudo o que não podem é dizer que um dia sequer deixei de trabalhar para que o Atlético Paranaense chegasse onde nem o mais otimista atleticano há vinte anos poderia imaginar”.
Petraglia precisa assumir que não fez isso de graça, que o seu próprio foi além de ter um Atlético grande, mas o de também se transformar num executivo profissional de futebol. Fazer essa confissão, mais do correto, seria um ato de dignidade. Entre o seu ideal e a sua paixão, sempre existiu um interesse pessoal, que acabou de uma forma ou outra, direta ou indireta, sendo remunerado. A construção da Baixada é o simbolismo de tudo isso, porque quase todos da sua família prestaram serviços diretos ou indiretos.
Não o censuro mais por isso, embora seja questão de ideologia, portanto, de consciência. O que é certo para ele, não foi para muitos atleticanos, que em 91 anos, também deram o sangue e dinheiro apenas pela realização do ideal. O que Petraglia não pode é continuar com esse discurso de vitima, de coitado, que é um sofrido porque a torcida não é lhe grata, porque lhe pedi time a cada derrota.
A torcida sabe quando tudo tem um preço.
De primeira
Dei a notícia de que o Conselho Fiscal queria saber quem autorizou a diretoria do Coritiba a participar com 200 mil reais da campanha de Gomyde à presidência da Federação Paranaense de Futebol. Mostrando a dignidade que é uma das virtudes da marca Bacellar, o presidente Rogério Bacellar cobriu do próprio bolso o que era responsabilidade de todos os dirigentes.