Os números não deveriam assustar. Os 17 pontos que colam o Atlético à zona de risco, não é um estágio distante dos que estão à frente. O equilíbrio do campeonato pelos números se concilia com o aspecto técnico, o que implica que as diferenças entre os times podem ser enfrentadas.
Bem por isso, no caso do Atlético, os números só se tornam relevantes, e remetem o torcedor a um estado pessimista, em decorrência da carência técnica do time. Entenda-se aí, como causa imediata, a incapacidade do treinador de dar a mínima organização ao time, através de um projeto tático, que ajude a afastar deficiências individuais, e de trabalhos específicos.
Neste momento, é cômodo basear críticas no que foi deixado de fazer. Em especial, na falta de planejamento, que nesta temporada vem repercutindo em fracassos quase diários. Aliás, Petraglia, ao dizer que “não quer mais jogadores meia-boca”, teria reconhecido o erro. Uso o condicional porque, quando acuado em fases de derrotas, o senhor do Atlético surpreende pela humildade, embora, no fundo, seja de caráter protecionista de si próprio. Coincidência ou não, quando em fases de vitória, humilde é que Petraglia não é.
Mas, a essa altura, a censura sistemática pelos erros de Petraglia desvia a atenção para a manifesta falta de capacidade de reação dos jogadores e da comissão técnica. O técnico justifica os fracassos, em razão de que está esperando os reforços. Se Fernandes concluiu que Fernando e Rafael Moura serão a solução, então tem mesmo que ser demitido, pois está enganando a torcida e a si próprio. Os jogadores dão a impressão que aceitam como verdade a expectativa do técnico, e se tornam passivos.
Nem se diga que, no caso dos jogadores, a falta de capacidade implique, necessariamente, em reconhecer que são “meia-boca”. O nível, baixo ou médio, de Nei, Rhodolfo, Danilo, Márcio Azevedo, Chico, Valencia, Alan Bahia, Netinho, Joãozinho, e a maioria, não está abaixo dos jogadores da maioria dos times. Poucos têm um goleiro como Galatto e um zagueiro como Antônio Carlos. É raro ver uma revelação como esse menino Renan.
Quero dizer, que é possível compor um time que, no mínimo, mostre perspectiva de reação. E aí, cabe à comissão técnica intervir: ser mais influente na melhora do time ou ser demitida. Parece que não existe uma 3.ª via a ser adotada para o jogo de amanhã, contra o Botafogo.