Um gol quando é o bastante, parece ser simples. Mas a bola é tão arbitrária, que faz o que quer com os sentimentos. Um gol era o bastante para o Atlético voltar à 1.ª Divisão, em Criciúma. Mas esteve tão longe, que parecia ser algo fora do alcance. E, o que era para ser no último sábado, tem que ser no próximo. Ou não ser. O que ficou por enquanto é essa baderna dos sentimentos de angústia e esperança, como se quisesse eternizar o ano de 2012 para o Atlético.
Em 1968 aconteceram tantos fatos e de tão grande importância, no Brasil e no mundo, que era previsto que as suas consequências influenciariam gerações futuras. Então, o jornalista Zuenir Ventura escreveu o clássico: “1968, o Ano que Não Terminou”.
É verdade: há fatos tão fortes que eternizam determinados períodos de nossas vidas. Somos enganados pela ilusão da passagem, porque os seus reflexos projetam-se até o fim.
Quem se propor a escrever a história do Atlético, bem que poderia abrir um capítulo inspirado na obra de Ventura: 2012, o ano que não terminou. Quando parecia tudo consumado, com o retorno à 1.ª Divisão, o Furacão se vê obrigado a estender o drama por mais alguns dias.
2012 parece que não querer terminar para a maior torcida do Paraná. Começou com um equatoriano vestindo a sua camisa, perdendo um pênalti para deixar o rival histórico ser tri estadual. Derrubou o mais belo estádio do Brasil para construir o mais belo estádio particular do mundo. Para isso, se não bastasse brigar contra meia sociedade de Curitiba, brigou entre si. Provocou pareceres do Tribunal de Contas, deu causa a uma CPI. Dando estímulo ao ciúme reprimido dos rivais, ficou sem estádio para jogar em Curitiba. Então, transformado em nômade, jogou de campo em campo no interior, até de Santa Catarina. Mudou quatro vezes de técnico, formou três times para ter pelo menos o razoável para tentar voltar à Primeira Divisão.
Com um empate contra o Paraná, volta à elite. Parece ser pouco, mas não é. Por muito tempo, haverá sobra da angústia carregada. É um período tão sofrido na vida do Atlético, que nunca terá fim. Deus queira que os ideais sejam alcançados.