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Vista Alegre

Portas abertas

O Colégio Estadual Bom Pastor, no bairro Vista Alegre, em Curitiba, por pouco não fechou as portas. A região ficaria com menos opções públicas de Ensino Fundamental, Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Mas isto não aconteceu graças à união da comunidade, que se juntou para denunciar desvios de verbas, além de limpar o local, pintar paredes, fazer pequenas reformas elétricas, consertar móveis danificados, reorganizar materiais e salas de aulas, enfim, “reerguer a moral” do colégio.

Há cinco anos, o Bom Pastor tinha cerca de mil alunos. Em 2017, fechou o ano letivo com menos de 200. Foi perdendo alunos porque não havia investimentos. Com o sucateamento administrativo e pedagógico, os pais não matriculavam os filhos ali. Isto porque, afirma a comunidade, a antiga diretora desviou cerca de R$ 80 mil. A funcionária foi afastada e hoje há um diretor interventor, Joelson Hilário, designado pela Secretaria Estadual de Educação (Seed) para retomar os trabalhos no local.

“Logo que assumi, em janeiro, dois alunos, o Matheus e o Gabriel, vieram falar comigo, colocando-se à disposição para me ajudar no que fosse preciso para reerguer o colégio. Eles disseram que conseguiriam mobilizar pessoas. Só precisariam de materiais. Num trabalho de formiguinha, ligamos de aluno por aluno convocando para uma reunião. Depois, juntamos mais de 90 famílias voluntárias, que trabalharam durante todo o mês de janeiro com recursos próprios ou com os materiais que conseguimos comprar com a verba disponível”, explica Joelson. A escola teve 100 novas matrículas e hoje tem pouco mais de 300 alunos, suficiente para não fechar as portas.

União faz a força

Coordenados pelos alunos Gabriel Barbieri e Matheus de Paula Silva, ambos com 17 anos, estudantes do 3.º ano do Ensino Médio, os voluntários limparam e desinfetaram salas que estavam sujas, empoeiradas e cheias de lixo (até camisinhas foram recolhidas), pintaram paredes, fizeram pequenos reparos elétricos e consertaram móveis. Deixaram o local agradável novamente.

Na parte de fora, não foi possível fazer pintura, pois o dinheiro disponível não deu para comprar tinta e materiais. Mas uma limpeza geral foi realizada. Um dos pátios externos, onde o diretor pretende fazer uma sala de aula a céu aberto, tinha tanto lixo e mato alto, que mal dava para entrar ou ver a cor da calçada. No pátio oposto, as fezes de pombos também forravam o chão, deixando o risco de proliferação de doenças. Assim que surgir verba, o diretor e os alunos pretendem colocar telas nas janelas, para evitar que os pombos se estabeleçam por ali.

Renovação

De dentro dos vestiários, que ficam nos fundos da quadra de esportes, os voluntários tiraram milhares de objetos velhos: móveis quebrados, computadores defasados, madeiras podres, muito lixo e até uma máquina de lavar roupas. Final de semana retrasado, os alunos fizeram um Festival de Talentos na escola e conseguiram arrecadar R$ 320. O dinheiro serviu para comprar uma torneira elétrica para a cozinha, além de tijolos e cimento para fechar o refeitório, que é aberto e muito frio no inverno. O pai de Matheus está construindo a mureta e, assim que a escola tiver verba, comprará os janelões para instalar em cima da mureta.

A direção do Colégio Bom Pastor ainda está organizando toda a parte administrativa, as contas, melhorando a gestão pedagógica e exigindo dos alunos regras simples de organização, mas que antes não eram cumpridas, como pontualidade nos horários de entrada e saída, uso de uniformes, entre outros detalhes que estavam “largados” e cada um fazia como queria.

Ainda falta muito

A faxina foi grande. Mas ainda falta muita coisa a ser feita o Colégio Bom Pastor. Toda a parte externa ainda precisa de pintura (precisa-se de massa acrílica, 28 galões grandes de tinta e materiais de pintura). O gramado e a hera dos muros precisam de corte.

A quadra de esportes também precisa de pintura, novos aros de basquete (que estão quebrados), reforma nas telhas (eles conseguiram algumas folhas transparentes, que entrarão no lugar das que estão furadas) e reforma geral dos vestiários, que ficaram muito tempo parados e precisam de revisão hidráulica, elétrica, chuveiros, talvez até louças e azulejos novos. Quando a quadra e os vestiários estiverem prontos, a Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude garantiu uma parceria, na qual enviará professores de basquete, karatê e teatro. As salas de aula também precisam de ventiladores e cortinas, principalmente nas classes em que o sol bate forte.

Investigações

Conforme a Secretaria Estadual de Educação (Seed), três funcionários – afastados do serviço – são investigados pela suspeita de desvio de verbas: a ex-diretora, o ex-diretor auxiliar e o ex-secretário. Os nomes e detalhes da investigação não foram divulgados, muito menos a confirmação se houve mesmo o desvio e de quanto foi.

Por conta da redução de alunos e da falta de prestação de contas, a escola perdeu incentivos federais e vive apenas com a verba enviada pela Seed, o que torna o orçamento apertado. Mas quanto ao boato que a escola fecharia, a Seed não diz exatamente que sim ou que não. “As turmas autorizadas nas escolas estaduais do município de Curitiba são abertas de acordo com levantamento de georreferenciamento (que identifica a demanda de alunos residentes na região ao entorno da escola).

Enquanto houver demanda, novas turmas poderão ser abertas. Caso haja um grande número de transferências para outras unidades, a Secretaria da Educação analisa a possibilidade de junção de turmas. O número mínimo e máximo de alunos em cada sala são determinados por vários fatores, incluindo a etapa e a modalidade de ensino e o espaço físico de cada escola, conforme determinado pela resolução estadual 4527/11.”, diz a Seed.

Já o envolvimento da comunidade na escola é visto com bons olhos pela secretaria, independente se o colégio está passando ou não por problemas. “A participação ativa dos pais e/ou responsáveis por alunos é um fator decisivo na redução da evasão e melhora do desempenho dos estudantes em todos os aspectos de sua vida escolar”, ressalta a Seed.

Quer ajudar?

Você sabe fazer algum serviço de reforma ou tem algo para doar?

Apareça no Colégio Bom Pastor ou ligue para lá!

Rua Carlos Razera, 445 – divisa dos bairros Mercês e Vista Alegre

Fone: 3336-6335

Sobre o autor

Giselle Ulbrich

Giselle Ulbrich

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17 Comentários em "Portas abertas"


brasileiras
brasileiras
3 meses 7 dias atrás

Diretora Lidia Paschiuki. Não é a primeira vez que roubam a escola, teve também uma professora na década de 1980 que também fez mão grande lá.

Márcio
Márcio
3 meses 7 dias atrás

Num salcou ainda cidadão? Eles foram lá salcar tudo que puderam do colégio. São salcadores. Viva o redator deste jornal que fugiu do Mobral!

Cesar
Cesar
3 meses 8 dias atrás

E o que seria “salcar”?
Num intindi…

Bolsonaro 2018
Bolsonaro 2018
3 meses 8 dias atrás

kkkkkkkkk estagiários

FSS
FSS
3 meses 9 dias atrás

Parabéns aos envolvidos na restauração da escola. Sabemos que a educação pública no Brasil é desprezada pelos governos. Mas, mesmo com pouco recurso é possível fazer muito com a inciativa e participação de pais, alunos e professores. Só esperar pelo governo não é suficiente.

Maria Joana
Maria Joana
3 meses 9 dias atrás
Acho que não é hora de cortar cabeças. Acredito que a SEED e o seu departamento jurídico são capazes de apurar todas e quaisquer irregularidades que foram denunciadas à eles. Existe o Estatuto do funcionário público que rege as leis e tudo que é de direito ou proibido aos seus funcionários no exercício de suas profissões, para apurar irregularidades existe um processo de Sindicância e se apurados fatos denunciados a instauração de um processo de intervenção, onde todas as verdades e direitos de defesa são apresentados, fatos esses que não deveriam nunca terem sido divulgados com o intuito de ajudar… Leia mais »
A Gabardo
A Gabardo
3 meses 9 dias atrás

O dever é divulgar sim e mostrar que os diretores também roubam e alunos e professores precisam ficar atento com as verbas e melhorias das escolas. Estamos cientes que o atual Governador Beto Richa vem trabalhando incansavelmente para sucatear e fechar as tradicionais Escolas Estaduais, mas é triste quando você lê uma reportagem onde a diretora estava metendo a mão na grana da escola, isso é muito triste.

Fox
Fox
3 meses 9 dias atrás

Creio que cabeças já deveriam ter sido cortadas a muito tempo…

Emerson
Emerson
3 meses 9 dias atrás
Me lembro quando o Colégio Bom Pastor ficava num casebre de madeira. Ali estudei de 1976 a 1977. Em 1978, entre os governos Jaime Canet Jr. e Saul Raiz nos mudamos para o prédio novo. Minha turma inaugurou o ginasial, atual ensino fundamental. Salas, carteiras, cantina, quadra, tudo tinha cheirinho de novo. Fiquei chateado ao ler essa reportagem. Situação demonstra não só um descaso com a educação, mas com a memória de todos que passaram por ali, sejam alunos, professores ou ex-funcionários. Torço muito para que essa situação se reverta. Quem sabe um dia, possa levar meus filhos lá e… Leia mais »
Fox
Fox
3 meses 9 dias atrás

Nunca se esqueçam que o fechamento de escolas foi proposto pelo Governo do Beto Richa em 2015. Estamos em ano de eleições…

A Gabardo
A Gabardo
3 meses 9 dias atrás

Cadê o nome da Diretora safada? Pegou o pouco dinheiro que restava na escola, é muita sacanagem e má fé! Poderiam ter divulgado o nome da vaga bunda corrupta! Aposto que deve estar no anonimato mantendo as aparecias ou já esta ocupando alguma cadeira dentro de alguma empresa, tirando o emprego de uma pessoa honesta!!

jonas sobrinho
jonas sobrinho
3 meses 9 dias atrás

poder publico, recheado de incompetentes, maioria indicação de outros mais incompetentes, eleitos pela comunidade!
paredão nesta raça de bandidos q dominam o país!
corrupção e roubo em todos e quaisquer cantinhos do Brasil;
mostra que qdo há a minima oportunidade, surge o maior ladrão;

A Gabardo
A Gabardo
3 meses 9 dias atrás

Pior que sempre tem essas panelinhas dentro das escolas, se não ficar em cima fiscalizando, a pessoa pega a grana para fins particulares!

Alberto joao
Alberto joao
3 meses 9 dias atrás

Parabéns comunidade. Se em todas as comunidades houvesse este tipo de comportamento, os colégios estariam bem melhores.Deveria ter um conselho (pais de alunos) pára conferir verba.

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