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Curitiba São José dos Pinhais

Caso Daniel: inconformado, advogado promete ir às últimas consequências para anular audiência

“Não posso compactuar com violações de direitos”. Foi assim, sem papas na língua, que o advogado Rodrigo Faucz encerrou a conversa com a reportagem no 3º dia da audiência de instrução do Caso Daniel. Representante legal dos jovens Ygor e Deivid, dois dos sete réus acusados de participação na morte do jogador, ele tentou anular os depoimentos colhidos pela justiça nos dois primeiros dias de audiência.

Inconformado por não ter o seu pedido de adiamento aceito, ele esteve no Fórum antes dos trabalhos e tentou barrar a audiência e pediu o descarte dos depoimentos dados até então, mas a juíza Luciani Regina Martins de Paula indeferiu a solicitação.

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Com a negativa, Faucz promete recorrer até a última instância para ter garantido seus direitos. “Recorreremos ao Tribunal de Justiça do Paraná, ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal se for preciso. Não podemos compactuar com violações de direitos dos acusados e minhas prerrogativas profissionais. Fui prejudicado”, reclamou. O B.O. começou no dia em que a audiência teve sua data alterada pela última vez, dia 25 de janeiro. Ao perceber que os trabalhos seriam dias 18, 19 e 20 de fevereiro, o advogado percebeu que nesses dias ele faria a defesa de sua tese de doutorado.

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Ele garante que no dia seguinte pediu para mudar para dois dias antes ou dois dias depois, mas não conseguiu seu objetivo. “Faltou sensibilidade. Não deixei pra fazer o pedido de mudança agora, de surpresa”, reclamou, especialmente quando questionado se uma nova mudança não beneficiaria a apenas uma pessoa (ele, no caso) em detrimento de outras 150 aproximadamente. “Essa mudança não afetaria as pessoas dessa forma. Quando fiz o pedido tinham acabado de marcar e para nós é interessante que seja o mais célere possível”, argumentou, dizendo que juntou ao pedido passagens aéreas, comprovante da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e voucher de hotel para provar a necessidade de adiamento.

Sem a presença de Faucz, a juíza nomeou o advogado dativo para cuidar do caso. Na opinião do representante de Ygor e Deivid, isso prejudicou a defesa dos réus. “Imagine: você é acusado de qualquer coisa, de dirigir sem carteira, por exemplo. Contrata um advogado, ele se inteira do caso, estuda uma estratégia e de repente ele não pode ir. Aí a juíza pega um advogado qualquer com o máximo de respeito ao doutor Hugo, que é um excelente profissional que nunca viu o processo pra te defender. É claro que você sai prejudicado”, disse.

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O advogado argumenta que adiamentos em casos semelhantes ao seu são muito comuns, mas que por se tratar de um caso que desperta comoção e o interesse da mídia, sua situação foi prejudicada. “Se houver advogado constituído, mas ele não puder comparecer por motivo justificado, a audiência normalmente é adiada. Por ser um caso midiático, não julgaram dessa forma. Mas adiamentos assim acontecem as vezes até por viagens de descanso, de turismo”, reclamou. Faucz faz questão, porém, de tirar a responsabilidade da juíza. “Já fiz cinco juris com ela e nunca tive problema e fiz questão de dizer para ela que não é pessoal”.

Aos que afirmam que Rodrigo Faucz está querendo tumultuar, ele garante: “Não é uma manobra protelatória. Agimos de boa fé e avisamos com antecedência”, garantiu.

Para quem ficou curioso, a defesa de doutorado do advogado foi bem sucedida e agora ele é doutor em neurociência por ter estudado como funciona o cérebro das testemunhas, juízes e jurados em processos penais. Não será agora, no entanto, que ele poderá pôr em prática seus conhecimentos. Talvez em abril.

The Britte's. Foto: Felipe Rosa / Tribuna do Paraná
The Britte’s. Foto: Felipe Rosa / Tribuna do Paraná

Novas datas

Nos últimos três dias foram ouvidas todas as testemunhas de acusação no caso Daniel. As de defesa serão ouvidas entre os dias 1º e 5 de abril, confirme determinação da juíza. Só a partir de então a sociedade saberá se os acusados da morte do jogador vão a júri popular ou não.

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Eduardo Luiz Klisiewicz

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