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Pinhais

Som de futuro

Gladys: o que eu mais gosto é tocar. Foto: Lineu Filho
Gladys: o que eu mais gosto é tocar. Foto: Lineu Filho

“O que eu mais gosto é tocar!”. É assim que a pequena Gladys Shu An Hsieh, 8 anos, descreve sua participação na Orquestra Cordas do Paraná. Segurando seu violino com cuidado, ela conta que ingressou no projeto em 2016 e se encantou pela música. Assim como ela, outras 280 crianças e adolescentes também aproveitam a oportunidade e apostam nas notas musicais como um agente transformador.

José Maria, idealizador do projeto. Foto: Lineu Filho
José Maria, idealizador do projeto. Foto: Lineu Filho

 

De acordo com o professor José Maria Magalhães Silva, o projeto começou em 2011 no município de Tunas do Paraná, localizado a 70 quilômetros de Curitiba. “Por ser uma cidade muito pobre, que não apresenta nenhuma perspectiva de emprego e onde muitas famílias vivem em extrema pobreza, o projeto veio como uma nova chance de profissionalização e mudança para a juventude”, conta o professor, que precisou conviver com a dura realidade de seus alunos.

“Alguns tinham o pai alcoólatra, outro a mãe trabalhava como prostituta e tinha até um aluno de apenas 6 anos que cuidava sozinho dos outros irmãos. Além disso, um deles vivia em condições de higiene extremamente precárias a ponto de os pais deixarem galinhas em cima da cama que eles dormiam. Eram situações bem complicadas”, recorda.

Projeto atende cerca de 300 crianças e adolescentes. Foto: Lineu Filho
Projeto atende cerca de 300 crianças e adolescentes. Foto: Lineu Filho

Com tantos problemas em casa, as crianças também apresentavam dificuldades de relacionamento, algumas eram rebeldes e não se dedicavam aos estudos dos instrumentos. “Tinha dias que nós precisávamos sair buscando alunos pela cidade porque eles não tinham incentivo nenhum para vir às aulas”.

No entanto, José e os outros professores responsáveis pela idealização do projeto não desanimaram e, além de ensinar música às crianças, também decidiram intervir no dia a dia de cada uma delas. “Nós percebemos que precisávamos do apoio da família para ajudar aqueles pequenos, então começamos a visitá-los e auxiliar caso a caso. Hoje nós somos amigos dos pais e muitos deles nos agradecem por termos auxiliado no meio familiar”, afirma o professor, que atualmente conta com 140 alunos em Tunas do Paraná e mais 140 no município de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Para alguns, música é a única fonte de renda da família. Foto: Lineu Filho

Para alguns, música é a única fonte de renda da família. Foto: Lineu Filho

Ganha-pão da família

O projeto recebe recursos financeiros por meio da Lei Rouanet, que institui politicas públicas para a cultura nacional e também recebe auxílio de diferentes patrocinadores. Com o valor recebido, é possível manter professores de qualidade atuantes no projeto e ainda ajudar os alunos com bolsas de estudo. “Temos bolsas de R$ 300 e R$ 500 para os estudantes que estão ganhando experiência no instrumento e ainda a bolsa de R$ 1 mil para quem se torna monitor e passa a ensinar outras crianças”, explica o professor, conhecido na orquestra como Zé Maria.

Segundo ele, esse auxílio incentiva a continuidade no projeto e ainda garante alimento na residência de muitos participantes. “Temos vários casos em que o filho ganha mais que seus pais e algumas situações em que ele é o único da família com alguma renda. Sem contar que, em muitos casos, nós damos lanche, roupas e até levamos no médico se for necessário”.

Muito trabalho e dedicação

Para participar do projeto, basta a família da criança entrar em contato com os responsáveis e inscrevê-la. As aulas acontecem uma vez por semana e, à medida que o aluno se desenvolve no aprendizado do instrumento, ele é convidado para integrar a orquestra “B”, para alunos de nível iniciante, ou a orquestra “A”, para estudantes que possuem mais experiência. Os dois grupos ensaiam juntos e já realizaram diversas apresentações em todo o Paraná ao lado de artistas conhecidos como Fagner, Ivan Lins, Daniel, Elba Ramalho, Alceu Valença e Zeca Baleiro.

Alessandro: diferentes repertórios e vários públicos. Foto: Lineu Filho
Alessandro: diferentes repertórios e vários públicos. Foto: Lineu Filho

De acordo com o maestro Alessandro Sangiorgi, o projeto conta com violinos, violas, violoncelos e contrabaixos que, juntos, oferecem diferentes repertórios e atraem vários públicos. “Na próxima sexta-feira, dia 5 de maio, por exemplo, vamos juntar a linguagem erudita com o estilo rock’n’roll, algo que grandes bandas como a Metallica já fizeram ao tocar com a Orquestra Filarmônica de São Francisco”, comentou.

Para essa apresentação, o grupo realizou um ensaio especial na última segunda-feira (1º) na Igreja do Rock, localizada no Centro de Curitiba, que contou com a presença de 60 participantes da orquestra, uma banda composta por bateria, baixo e guitarra, e ainda vários pais orgulhosos, como Eliane Kovalski. Mãe do aluno Natã Alvin, 16, ela assistiu ao ensaio de camarote, aprovou todas as músicas e ficou orgulhosa pelo desenvolvimento do filhão. “Ele entrou no projeto há dois anos e nós estamos muito felizes com isso. É o meu sonho se realizando por meio dele”, afirmou a mãe, que está ansiosa pela próxima apresentação.

Concerto de rock será nesta sexta-feira (5 de maio). Foto: Lineu Filho
Concerto de rock será nesta sexta-feira (5 de maio). Foto: Lineu Filho

“Clássicos do Rock”

O concerto Clássicos do Rock será nesta sexta-feira (5), às 21h, no Teatro Positivo, e promete apresentar releituras de clássicos dos últimos 50 anos. Dessa forma, as crianças e adolescentes que integram o projeto homenagearão bandas internacionais como Led Zeppelin, Linkin Park, Metallica, Alice Cooper, Guns n’ roses, AC/DC, Pink Floyd, Bon Jovi, Scorpions, Queen e Iron Maiden.

Segundo o maestro, o desafio é grande e incluiu as duas orquestras, uma banda e ainda o Quarteto Iguaçu, composto pelos professores do projeto. “Preparamos arranjos especiais para os alunos de acordo com seu nível, outros arranjos para o quarteto e também para a banda, que foi inserida dentro do contexto para auxiliar o ouvinte a reconhecer cada uma das músicas”.
Com tanto trabalho, a orquestra garante que os ouvintes apreciarão o resultado. “Principalmente porque já apresentamos este mesmo concerto em novembro de 2016 e foi um sucesso absoluto!”, contou o professor Zé Maria.

É possível adquirir o ingresso para o show na bilheteria do Teatro Positivo ou ainda pelo Disk Ingressos, que atende pelo telefone 3315-0808. Os valores variam entre R$ 30 e R$ 80. “Lembrando que isso é só o começo porque o projeto já está ganhando visibilidade fora do país e logo teremos novas histórias de sucesso para contar”, finaliza.

Projeto usa música para transformar realidade de crianças e adolescentes. Foto: Lineu Filho
Projeto usa música para transformar realidade de crianças e adolescentes. Foto: Lineu Filho

SERVIÇO

Show: Clássicos do Rock
Artistas: Orquestra Cordas do Paraná e Quarteto Iguaçu
Local: Teatro Positivo
Endereço: Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300
Data: 5/5/2017, às 21h
Valores
Inteira: R$ 80 na plateia inferior e R$ 60 na plateia superior
Meia entrada: R$ 40 na plateia inferior e R$ 30 na plateia superior
Informações: www.quartetoiguacu.com.br
Contatos: (41) 98802-2109 / 3345-3104

Sobre o autor

Raquel Derevecki

Raquel Derevecki

Raquel Derevecki se formou em Jornalismo no Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP) em dezembro de 2011. Durante o curso, ela atuou como produtora da Rádio Unasp, foi estagiária na rádio CBN Curitiba, escreveu para diversos sites e teve reportagens publicadas nas revistas Vida e Saúde, Educação Adventista e Nosso Amiguinho. Depois da formatura, trabalhou como repórter no Jornal O Popular do Paraná, em Araucária, e hoje atua na Tribuna do Paraná. Ela ama o que faz, gosta de viajar e não nega uma barra de chocolate.

(41) 9683-9504