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Mossunguê

Sem fundo

Foto: Felipe Rosa
Maria Luiza Piccoli

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Esse ditado explica exatamente o que aconteceu com a cratera que se abriu no mirante ao fim da Rua Elvira Harkot Ramina – a mesma em que fica o “Suite Vollard”, o prédio que gira – no Mossunguê. Hoje, no buraco que começou do tamanho de uma pizza, cabe tranquilamente um carro. Depois de três anos sem soluções, moradores dos prédios vizinhos temem o desastre.

É fim de tarde. No parapeito do mirante que dá vista aos bairros Bigorrilho e Água Verde, ao fim da rua, jovens se apoiam para jogar conversa fora e fumar. Despreocupadas, senhoras passeiam com crianças e cachorros bem pertinho da área isolada com faixas e uma pequena barreira de concreto que foram colocadas no local há quase três anos. Quem mora na região já sabe do perigo mas, mesmo assim, curiosos que passam pelo local se arriscam para observar mais de perto a enorme cratera onde até um poste já caiu.

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Além de complicar o trânsito, o rombo representa perigo constante para quem trafega por ali a pé, já que em redor não existe nenhum aviso ou alerta sobre os riscos de circular pelo local. Quem conta é o Ronaldo Barra, morador de um dos prédios vizinhos ao mirante. “Imagine se uma criança se solta da mãe e sai correndo ali. Ou mesmo um cachorrinho que se solte da coleira. Não tem nenhuma placa alertando e as pessoas só se dão conta do tamanho da rachadura quando passam por lá”, reclama.

Além dos perigos para quem anda a pé, o tráfego de veículos também fica prejudicado por conta do buraco. “Pra quem entra na rua por engano ou precisa fazer a volta, é um transtorno para manobrar o carro. Isso sem falar nos caminhões, que precisam entrar de ré. Se um dia algum edifício aqui do fim da rua precisar dos bombeiros vai ficar sem socorro porque não tem como chegar”, revela Cristina Lacerda, síndica de um prédio próximo ao local.

Gigante

Foto: Felipe Rosa

Foto: Felipe Rosa

O buraco assusta. Com aproximadamente quatro metros de diâmetro e cerca de 30 metros de profundidade (segundo o engenheiro civil especialista em urbanismo – Luiz Calhau), a rachadura é tão grande que não dá pra ver o fundo. Por baixo e pelos lados, tubulações por onde passa a água da rua ficaram expostas e, dali para baixo, o vazio. De pé somente por um pilar de aço que sustenta a estrutura, o mirante está situado sobre um bosque que margeia a Rua Deputado Heitor Alencar Furtado por onde passa a canaleta do ônibus articulado correndo risco de desmoronar a qualquer momento e pondo em risco não somente os prédios da quadra, mas também as pessoas e veículos que trafegam na rápida.

Cuidado!

De acordo com o engenheiro civil especialista em urbanismo e diretor do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (Senge), Luiz Calhau, a necessidade de consertar o “buraco do mirante” é urgente. “É extremamente perigoso que essa estrutura fique desse jeito. Os únicos pilares que ainda resistem estão corroídos e danificados.

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Qualquer chuva mais forte, vento ou temporal podem afetar ainda mais essas estruturas fazendo não só com que a própria área desmorone mas prejudicando a fundação dos prédios vizinhos”, explicou. Segundo Calhau, a cratera é resultado de dois fatores: primeiro os processos erosivos, resultantes da ação das chuvas e, depois, a circulação de veículos de carga, como caminhões. “Nesse caso não se trata de um problema de mobilidade, mas estrutural. O primeiro buraco foi negligenciado e, por isso, a situação chegou nesse ponto”, afirma.

A vizinhança já cobrou soluções, porém, nada foi feito. “Logo que o buraco abriu, ainda na gestão Fruet, encaminhamos um ofício à Prefeitura. Além disso, inúmeros protocolos foram registrados por moradores no 156 e diversas reclamações encaminhadas à Defesa Civil. Até agora ninguém fez nada”, afirma Cristina.

Além do perigo que a própria cratera representa a possibilidade de desmoronamento de toda a estrutura é o que torna o tráfego pelo local ainda mais arriscado. Para o engenheiro, Luiz Calhau, a tragédia está anunciada: “Certamente essa parte da rua vai entrar em colapso se isso não for consertado logo. Não temos como falar num prazo, ou seja, o mirante pode cair a qualquer momento”, alertou.

“Cada um por si”

"Tenho muito medo de passar por ali e sofrer algum tipo de acidente”, afirma Olga. Foto: Felipe Rosa

“Tenho muito medo de passar por ali e sofrer algum tipo de acidente”, afirma Olga. Foto: Felipe Rosa

Enquanto nada se resolve vale o lema “cada um por si”, já que muitos insistem em ultrapassar a barreira de isolamento da área. “Sempre vejo gente pulando o bloqueio e fico apavorada porque o pavimento ali virou uma casquinha”, afirma a analista de sistemas, Olga Honnicke, 48, que passeia todos os dias pelo local com seus cachorros. “Eu não me arrisco. Quando saio com eles só desço até a barreira. Tenho muito medo de passar por ali e sofrer algum tipo de acidente”, afirma.

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A Tribuna procurou a Secretaria Municipal de Obras Públicas da Prefeitura, que, por meio de nota afirmou que já recebeu do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) o projeto para recomposição da parte do mirante que cedeu. Segundo o órgão “o edital de licitação da obra já está sendo elaborado”. O jeito é sentar para esperar, mas sem apreciar a vista.

Foto: Felipe Rosa

Foto: Felipe Rosa

Sobre o autor

Maria Luiza Piccoli

Maria Luiza Piccoli

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17 Comentários em "Sem fundo"


pedrinho
pedrinho
1 ano 3 meses atrás

grecaço, primeiro confira o iptu dessa burguesada…..se estiver tudo ok, arrume……senão……eles gostam das coisas gratuitas……não gostam de pobre e não votaram em vc….a culpa é do petraglia……..kkkkkkkkkk….s r n

Rafael Gomes
Rafael Gomes
1 ano 3 meses atrás

Antes de tudo, quem foi o ultimo responsável pela obra nesta rua? Tem que achar os culpados e punir!! A reportagem poderia ter levantados esses dados, se for analisar, tem surgido muitos casos parecidos em Curitiba, crateras surgindo inesperadamente, será que não foram os mesmos responsáveis por mais obras por ai?

emerson benkendorf
emerson benkendorf
1 ano 3 meses atrás

Mas a eficiência da prefeitura na cobrança do IPTU é ISO 9001. Além do aumento do tributo ser maior do que o buraco.

Victor Santos
Victor Santos
1 ano 3 meses atrás

Essa é a nossa prefeitura. Estão que nem cavalo, cagando e andando. Curitiba nos proximos 15, 20 anos será uma desgraça. Enquanto isso o gordo poeta fica nas redes sociais ao inves de cobrar os responsaveis. tnc mesmo.

Carlos Muniz
Carlos Muniz
1 ano 3 meses atrás

Isso é uma vergonha….essa obra não é importante para a Prefeitura.

MARCOS
MARCOS
1 ano 3 meses atrás

provavelmente é culpa do lula…

adestrador de poodles
adestrador de poodles
1 ano 3 meses atrás

Para atrapalhar os moradores na praça para passar ligeirão do prefeito pode. Mas cuidar do que é preciso para segurança dos moradores. Não pode!!! E assim vai nossa política. Viva!!! Continua o contribuinte sendo só um detalhe!!

Kevin Mamar
Kevin Mamar
1 ano 3 meses atrás

Enquanto não desabar o prédio ao lado e morrer gente, nada será feito.

Carlos Gomes
Carlos Gomes
1 ano 3 meses atrás

Calma povo, o próximo prefeito vai resolver isso quando algum prédio estiver trincando.

Inversão de Valores
Inversão de Valores
1 ano 3 meses atrás

Em Julho estarei fora do Brasil.

Kevin Mamar
Kevin Mamar
1 ano 3 meses atrás

Já vai tarde!

Inversão de Valores
Inversão de Valores
1 ano 3 meses atrás

Com certeza.

Rafael
Rafael
1 ano 3 meses atrás

Demorou, um 1bosta a menos

Inversão de Valores
Inversão de Valores
1 ano 3 meses atrás

Concordo, enquanto eu for cidadão brasileiro, serei um bosta mesmo.

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