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Queimando no bolso

Preços dispararam. Felipe Rosa / Tribuna do Paraná
Giselle Ulbrich
Escrito por Giselle Ulbrich

Quando o assunto é aumento de preços, que pesam no bolso do consumidor, nem todo mundo quer se pronunciar sobre isto. Agora que o abastecimento de combustível está perto de voltar ao normal na grande Curitiba, o etanol e a gasolina dispararam de preço. No início do mês, era possível encontrar gasolina por cerca de R$ 3,99 e etanol a partir de R$ 2,70. Pouco antes da greve, o etanol teve um pequeno aumento.

Mas o preço dos combustíveis começou a subir lá pelo terceiro dia da greve dos caminhoneiros, antes do produto acabar totalmente nos postos. Agora, é possível encontrar gasolina a partir de R$ 4,49 (chegando até a R$ 4,79) e o etanol a R$ 3,19. E o que os envolvidos no comércio de combustíveis têm a explicar sobre este aumento? Quase ninguém quis se pronunciar à Tribuna. E a população, que não quer deixar de viajar no feriadão, não quer saber mais de protestar. Está se sujeitando a ficar na fila e a pagar o preço.

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A reportagem percorreu postos de alguns bairros da capital para entender porquê o preço subiu. Em mais da metade deles, os gerentes ou donos nem quiseram falar com a reportagem, quando informados do assunto. Mas em alguns, surgiram algumas explicações. Nas Mercês, a funcionária explicou que o aumento era para tentar repor o prejuízo dos dias parados. E ainda assim, não está sendo simples recompor o saldo negativo, pois o que chegou de combustível não encheu nem metade do reservatório. Neste posto, pela manhã, a gasolina estava R$ 4,39 e o etanol R$ 3,09 (no dia anterior estava R$ 2,99).

No Tarumã, o gerente de um posto não falou com a reportagem. Mas um frentista deixou escapar que o combustível estava mais caro porque a nota fiscal da distribuidora veio com aumentos entre R$ 0,30 e R$ 0,40 no preço do litro. E por isso o valor foi repassado às bombas. Mas não falou se o posto tinha colocado mais algum aumento em cima disto, nem porquê subiram o combustível antes dos estoques acabarem, semana passada (antes de vir o aumento da distribuidora). Neste posto o etanol estava R$ 3,19 e a gasolina R$ 4,49.

Impacto nas refinarias e distribuidoras. Felipe Rosa / Tribuna do Parana

Impacto nas refinarias e distribuidoras. Felipe Rosa / Tribuna do Parana

No Bacacheri, a gerente do posto estava no pátio medindo os reservatórios e atendeu a reportagem. Mas preferiu passar a voz ao dono do posto, que não estava lá no momento. Neste local havia apenas gasolina, a R$ 4,49. No Hugo Lange, o dono de um posto deixou claro que não queria falar com a reportagem. Lá também só havia gasolina, a R$ 4,49, com o pátio lotado de carros.

O único gerente que falou com a reportagem foi de um posto na Rua Fernando de Noronha, no Boa Vista. Lá, o combustível subiu um pouco de preço antes de acabarem os estoques, na quinta-feira da semana passada. E agora, que o abastecimento está voltando ao normal, diz o gerente, Miguel Teixeira, continua com o mesmo valor, com etanol a R$ 2,98 e gasolina a R$ 4,39.

“O dono do posto decidiu manter o valor de antes”, disse Miguel. Porém ele já não sabe se conseguirá manter o preço, pois não sabe se a distribuidora mandará o produto com aumento na próxima leva. “Tem a promessa que hoje vai chegar mais um pouco. Mas já estou tentando comprar mais combustível pra amanhã e não consegui ainda em nenhuma distribuidora. Não estou nem vendo preço. A que tiver, vou mandar vir”, diz o gerente.

O que diz o Sindicombutíveis?

O Sindicato dos Revendedores de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Estado do Paraná (Sindicombustíveis), que representa os postos, disse que não fala sobre preços, visto que a entidade não regula preços e, por conta da livre concorrência, cada dono de estabelecimento decide por seus valores. E cada caso de aumento deve ser avaliado individualmente.

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“Mas o que podemos adiantar é que o etanol teve alta nos últimos dias. Como a gasolina comum vendida no Brasil deve ter na mistura 27% de etanol, isto pode ter reflexo no preço da gasolina. Também tivemos notícias de aumentos promovidos por algumas distribuidoras”, diz a nota do Sindicato, sem confirmar se os donos de postos também promoveram ou não aumentos por conta própria, para “repor” o prejuízo dos dias parados, ou aproveitar para lucrar com a alta demanda.

O Sindicombustíveis também não tem nenhuma previsão se os preços podem voltar ao patamar de antes da greve. “O que podemos dizer é que os postos são o elemento com menor poder de decisão sobre preços. Segundo pesquisa da ANP, levando em conta pesquisa até o dia 19 de maio, para cada R$ 100 de gasolina, apenas R$ 5,49 fica com o posto. Ou seja, a margem de lucro média é de 5,49% A maior parte – 45% – é imposto. A Petrobras leva outros 36%. Fica evidente, acreditamos, que o que mais interfere nos preços é a Petrobras e os impostos. Salientamos ainda o seguinte: postos compram das distribuidoras, e não diretamente das refinarias. As distribuidoras têm liberdade para aumentar os preços e vender mais caro para os postos, e assim têm feito”, explica o sindicato.

E as distribuidoras, o que explicam?

O setor de distribuição de combustível no Brasil tem duas entidades representativas: a Plural, sindicato que representa as grandes distribuidoras, como por exemplo Ipiranga, Shell, BR, etc.; e a Brasil Com, associação que representa os distribuidores menores e regionais.

Sobre o aumento do preço dos combustíveis nas distribuidoras, a Plural explicou que, enquanto Associação, não fala sobre preços. Cada distribuidora tem sua política e a reportagem teria que ver direto com cada uma delas. Já a Brasil Com informou que teria que fazer esse levantamento com as suas 42 associadas e não teria como dar nenhuma resposta tão breve.

Na noite desta quarta-feira a Petrobrás anunciou um reajuste nos preços dos combustíveis, que vai aumentar 0,74% nas refinarias nesta quinta-feira. Congelado por 60 dias, preço médio do litro do diesel permanece em R$ 2,1016.

https://www.tribunapr.com.br/cacadores-de-noticias/curitiba/impacto-profundo/

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Giselle Ulbrich

Giselle Ulbrich

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47 Comentários em "Queimando no bolso"


Ribas Tiago
Ribas Tiago
1 ano 1 mês atrás

O primeiro passo seria acabar com esses “intermediários atravessadores” chamado Postos de Combustíveis que não passam de um Cartel montado para fazer lucro, alguém já parou pra pensar pra que servem esses postos afinal? Poderia ter apenas postos comuns para fornecerem combustiveis sem intermediários, onde você mesmo poderia abastecer e pagar com com créditos comprados no mesmo sistema de telefonia celular. Tem que acabar com esses intermediários inúteis chamados Postos de Combustíveis !

Carlos Gomes
Carlos Gomes
1 ano 1 mês atrás

Se as práticas sugeridas pelo CADE pudessem ser aplicadas seria melhor, pois paga-se impostos em todas etapas até chegar as bombas do postos, permitindo mesma PJ importar, distribuir e vender, eliminaria esse imposto em cascata e pelo menos na teoria seria bem mais em conta para consumidores.

Carlos Gomes
Carlos Gomes
1 ano 1 mês atrás

Rsrsrssrsr Não explicam. Complicado é descobrir onde tá o problema, se nos postos ou distribuidoras ou petrobras. Quando começou a greve a questão de custos sem saber se ia ter produto até valia, mas agora por mais que não chegue normal já não é desculpa, pois postos poderiam até reduzir margem pois estão vendendo sempre todo estoque (de vários dias em bem menos tempo)

Cesar
Cesar
1 ano 1 mês atrás

Privatiza tudo ! Deixa o empreendedor trabalhar ! Estado gigante é uma tralha que só prejudica o povo ! O Paraguay é o país que mais cresce na América do Sul ! Impostos quase zerados … será em breve o país mais rico do Sul. É um ótimo exemplo para nós. Menos Estado , menos políticos vagabundos em Brasília

Marcos Gamper
Marcos Gamper
1 ano 1 mês atrás

O Posto das Tartarugas, ao lado da PUC, manteve os valores, esse sim é um cidadão de bem, exemplo de ÉTICA, para esses outros mafiosos, devemos valorizar esse tipo de pessoa, que está junto com a população, esse merece o repeito das pessoas. Parabéns sr Jair Massuchin !!!!

Sandro
Sandro
1 ano 1 mês atrás

O povo tem de largar de ser besta e achar que os procons da vida, governo, etc vão lutar pelo povo. só tem um jeito de fazer essa gente aprender: BOICOTE, se qualquer produto está caro, não compre. Se for imprescindível compre apenas o mínimo necessário e sempre peça NF. Assim eles se obrigarão a baixar os preços para não terem produtos parados. Isso vale para a gasolina, batata, cebola e tudo o mais. É o único jeito. Eles querem nosso dinheiro, só cabe a nós decidirmos se daremos ou não.

RODRIGO PODEGURSKI
RODRIGO PODEGURSKI
1 ano 1 mês atrás

E o Procon??? Dormindo….dormindo….Ah me esqueci ele dá entrevista de pijamas…Por isso…dorme….dorme..

Verdao 1909
Verdao 1909
1 ano 1 mês atrás

Melhor era quando o preco era controlado pelo estado, subia uma vez no ano, tem mais e que privatizar essa desgraca chamada Petrobras.

Verdao 1909
Verdao 1909
1 ano 1 mês atrás

Raca de viboras, crapulas, , esse meio e um cartel FDP, aproveitaram e ja majoraram os precos por que sabiam que o povo ia correr atraz.

Cesar
Cesar
1 ano 1 mês atrás

Matéria tendenciosa . Quer culpar o setor privado quando o causador do problema é o estado inchado socialista. Essa conversa de dizer que o petróleo é nosso é velha e esgotada . Só engana trouxa que ainda acredita no socialismo .

Fabrício  Eça de Queiroz
Fabrício Eça de Queiroz
1 ano 1 mês atrás

O Cesar acredita no livre mercado. Aquele que até pouco tempo comprava e vendia escravos.

Sandro
Sandro
1 ano 1 mês atrás

A escravidão ainda existe, principalmente nos governos de esquerda. Mas claro, é bem diferente. É uma escravidão ideológica que não deixa penetrar nas mentes sub-julgadas, as boas novas do desenvolvimento capitalista através do trabalho e o do despertar do potencial humano tudo para beneficiar os barões vermelhos.

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