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Curitiba

Medo na aula

Luiza Luersen
Escrito por Luiza Luersen

A rotina da servente escolar Jussara Jardim, 49 anos, mudou bastante nos últimos anos. Ela trabalha no Colégio Estadual João Ribeiro de Camargo, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, há 16 anos. Acostumada a abrir a escola todas as manhãs, ela conta que o medo faz parte da sua rotina nos últimos meses. Para se ter uma ideia, somente neste mês, que ainda não terminou, foram registrados cinco furtos no colégio.

“A gente fica muito triste, sabe? Eu trabalho aqui desde 2002 e até meus filhos estudaram aqui na instituição. Quando levam os nossos materiais, é triste demais. A escola se torna nossa família e ver os alunos sem ter como estudar mexe com a gente. Em um dos furtos eu cheguei e escutei os bandidos dentro da escola ainda. É sempre uma surpresa, já levaram lanche, bujão de gás, televisor, computador, levam tudo”, relatou a servente.

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O último furto aconteceu na madrugada de ontem. Os bandidos levaram monitores, computadores e mais uma vez deram um prejuízo enorme aos cofres públicos e, claro, ao ensinamento dos alunos. Além dos eletrônicos, os bandidos foram ousados e levaram até mesmo lâmpadas de led. Quando os alunos do turno da manhã chegaram para estudar, não havia como.

“É boletim de ocorrência atrás de boletim de ocorrência. Só em junho temos registros no dia 3, 7, 10, 14 e agora no dia 26. Eles entram pelo forro da escola e fazem a festa. Eles levam tudo que podem. Com a falta de um computador, um professor levou um notebook dele e adivinha? Também roubaram. Isso prejudica demais os nossos alunos e hoje nem lâmpadas nós tínhamos. Mesmo com a claridade do dia, elas fazem falta, obviamente. Não é fácil, nós estamos cansados”, desabafou a diretora e professora Joceli Koppe.

Manifestação

Foto: Átila Alberti
Foto: Colaboração

Cansados de tantos furtos, professores e estudantes organizaram uma manifestação ontem pela manhã, assim que chegaram à escola e notaram mais um roubo. Nos cartazes alguns professores relatavam o medo de trabalhar e o risco de vida que correm diariamente. Andando pela escola é possível ver as marcas deixadas pelos bandidos. A biblioteca, que deveria ser um local tranquilo e para estudo, hoje tem parte do teto sem forro, já que foi por ali que os bandidos entraram neste último episódio.

Questionada sobre os frequentes furtos, a Polícia Militar, procurada pela reportagem, disse que “no que compete à Polícia Militar, o trabalho preventivo e ostensivo continua sendo feito na região do bairro, inclusive nas proximidades da Escola Estadual João Ribeiro de Camargo e em outras áreas escolares para prevenir a criminalidade. A atuação do 22º Batalhão da PM é diuturna na região”. Já sobre o último furto em específico, o órgão informou que “vai verificar os fatos citados pela reportagem e, se for detectada alguma situação de criminalidade, a questão do policiamento será repensada”.

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No momento em que a reportagem da Tribuna estava na escola a PM compareceu ao local para fazer o registro dos acontecimentos, juntamente com a diretora da instituição. O capitão David do Amaral disse que os registros foram feitos e que algumas soluções foram pensadas. Uma delas é um sistema de alarme, que deve contribuir bastante. Além disso, o capitão disse que a comunidade também pode auxiliar a Polícia Militar repassando características de marginais que rondam a área ou informações como placas de veículos, tipo de vestimenta, cabelos e horários de suspeitos e também com o registro do boletim de ocorrência, que pode auxiliar muito.

Problema antigo

Não é de hoje que o Colégio Estadual João Ribeiro de Camargo vem sofrendo com a ação de marginais. No dia 19 setembro do ano passado a Tribuna fez uma matéria sobre uma manifestação organizada por alunos do colégio. Os jovens cobravam segurança por conta de uma tentativa de assalto contra uma professora. Ela foi abordada por dois homens armados no momento em que chegava a escola e a ação dos bandidos quase tirou a vida da funcionária.

Além de coronhadas no vidro, para fazer com que a mulher entregasse o carro, os bandidos ainda atiraram duas vezes. “Os tiros não acertaram a professora, mas foi por muito pouco. Isso nos motivou a protestar e pedir que haja policiamento por aqui. Estamos abandonados e cansados”, desabafou a professora Cristiane Pereira na época do protesto, em setembro do ano passado.

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Com cartazes e faixas, os alunos organizaram uma passeata pelo entorno do colégio em uma tentativa de chamar a atenção das autoridades. “A gente tem convivido com essa situação. Eu fui assaltado na vinda para o colégio, me renderam e levaram o celular. Com a gente tem sido assim: temos tido medo de vir a pé para estudar, porque não temos segurança nenhuma. Nos tornamos alvos fáceis”, comentou um aluno de 17 anos.

Além do jovem, todos os outros presentes na manifestação ou tinham sido assaltados, ou pelo menos conheciam alguém que passou pelo mesmo drama. No dia da publicação da matéria a PM prometeu reforçar as ações na região.

Todo santo dia

Sobre o autor

Luiza Luersen

Luiza Luersen

Jornalista formada pela Universidade Positivo, Luiza adora contar histórias e também é apaixonada por antigomobilismo.

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