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Curitiba

Com ajuda de ex-campeão do UFC, mulheres aprendem defesa pessoal em Curitiba

Alex Silveira
Escrito por Alex Silveira

O curso de defesa pessoal exclusivo para mulheres deve ser ampliado para outras regionais da prefeitura de Curitiba em 2020. A primeira turma começou em agosto deste ano, na Casa da Mulher Brasileira, no Cabral.

Em novembro, por causa da grande procura, uma segunda turma foi aberta e as aulas começaram no mesmo local. Já dentro da política de ampliação dos locais que oferecerão o curso, mulheres que residem próximo da Regional do Portão estão tendo aulas na Praça Afonso Botelho.

A inscrição é gratuita e as técnicas de defesa pessoal são dadas de graça por professores ligados ao Instituto Shogun Rua, do lutador Maurício Shogun. Todas as mulheres acima de 18 anos podem se inscrever, incluindo mulheres com deficiência, mulheres transsexuais e transgêneros. O objetivo da prefeitura é diminuir os índices de violência contra a mulher na capital paranaense. O nome do curso é “Sou Curitibana, Sei me Defender”.

Segundo a Assessoria de Direitos Humanos e Política para Mulheres de Curitiba, as inscrições podem ser feitas pelos telefones: 3221-2714 ou 3321-2739. O site da prefeitura traz mais informações. Atualmente, as aulas acontecem nas terças e quintas-feiras, das 15h às 16h, na Casa da Mulher Brasileira e na Praça Afonso Botelho. São de 20 a 30 vagas e a duração do curso é de um mês. As próximas turmas deverão abrir a partir do ano que vem, mas o cadastro para a fila de espera já pode ser feito. Além da Casa da Mulher Brasileira e da Praça Afonso Botelho, a próxima regional a receber o curso será a do Tatuquara.

Casa da Mulher Brasileira e Praça Afonso Botelho são os dois lugares com cursos de defesa pessoal em Curitiba. Próxima regional a receber será o Tatuquara. Foto: Aniele Nascimento/Arquivo/Gazeta do Povo

“O primeiro foi um sucesso, com muitas inscrições, e o prefeito nos autorizou a começar o curso em todas as regionais da prefeitura. Aos poucos, nós vamos instituindo as aulas. Os depoimentos das mulheres do curso anterior foram importantes porque elas se sentiram empoderadas, informadas sobre os canais de denúncia, mais seguras por poderem se defender. Não só fazendo um boletim de ocorrência, mas por meio das técnicas que elas aprenderam. Melhorou a autoestima”, disse Elenice Malzoni, assessora de direitos humanos da prefeitura.

Segundo Elenice, o curso ganhou força depois da campanha Vire a Página. “Foi quando houve uma disseminação sobre o tema de enfrentamento da violência contra a mulher. Claro, as técnicas não são para que elas saiam devolvendo todas as agressões que possam vir a ocorrer, mas para ajudar a identificar alguma situação de risco. A mulher sabe quando um homem aborda diferente, quando ele olha diferente, quando ele faz qualquer cena de importunação sexual, por exemplo, em ônibus, em espaços públicos, às vezes no próprio deslocamento da sua casa até o ponto. Ela terá a chance de minimizar esse agressor e pedir socorro”.

O curso possui uma apostila com informações sobre tipos de violência, para que qualquer situação de emergência possa ser identificada. A prevenção é fundamental nos ensinamentos. A luta física é ensinada mas é indicada pelos professores como última opção. Participam da idealização do curso a Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude e o Instituto Shogun Rua.

Curso é idealizado em parceria da Secretaria do Esporte com o Instituto Shogun Rua. Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná

Christian Mazza, vice-presidente do Instituto Shogun, disse que a continuidade do curso de defesa pessoal exclusivo para mulheres foi uma surpresa agradável. “A gente criou uma apostila justamente para isso. Aqui [nas aulas], a gente vai mostrar mais a parte prática, caso aconteça uma situação de risco. E a apostila indica vários fatores que podem ocasionar uma agressão. Então, a gente pode evitar essa defesa, que é final da ação, com a aplicação das técnicas”, apontou.

A professora de moda Elaine Piovezan, 42 anos, viu uma postagem sobre as inscrições pelas redes sociais. Ela não teve dúvidas de que seria uma boa ideia participar. “Estou com tempo livre em novembro e o curso é uma ótima oportunidade para aprender as técnicas de defesa pessoal. A gente nunca sabe quando será necessário utilizar. Acho importante aprender a se defender, a identificar uma possível agressão… O curso nos prepara para isso”, disse.

De acordo com Christian Mazza, a parceria com a prefeitura já existia com crianças. “Trabalhamos na mesma forma com crianças, já tem uns dois anos, mas essa parte da mulher foi o que chamou a atenção. É um trabalho que ninguém imaginava que a gente ia fazer um curso de defesa pessoal para mulher, vindo que um lutador. Todo mundo pensa que um lutador é o cara que sai brigando, mas na verdade é o cara que defende a briga”, explicou.

Para Elenice Malzoni, as oito aulas de novembro, na Casa da Mulher Brasileira, têm tudo para motivar as mulheres para despertarem no processo de defesa pessoal. “Queremos que, em Curitiba, elas se sintam acolhidas e cuidadas. Por isso, vamos seguir com a iniciativa”, disse.

Elenice Malzoni acredita que as aulas têm tudo para motivar as mulheres para despertarem no processo de defesa pessoal. Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná

Violência contra a mulher

Segundo dados divulgados neste ano pelo Governo do Estado, o Paraná registrou 24,6% de aumento nas ocorrências de violência doméstica no primeiro semestre de 2019. A comparação foi feita com o mesmo período do ano passado. Em 2019, foram 26.288 casos registrados, contra 21.048 nos seis primeiros meses de 2018. Os registros incluem desde agressão verbal até lesão corporal, em ambiente doméstico, para ambos os sexos.

Campanha Vire a Página

“Existe vida após um relacionamento abusivo e você saber que tem alguém com quem pode contar renova a coragem. Em mim, começou a nascer uma nova perspectiva.” Depoimentos como este fazem parte do livro Vire a Página, que conta a história de violência doméstica e superação de mulheres e foi lançado em março deste ano pela prefeitura de Curitiba.

O livro está disponível para download no site vireapagina.com.br. São histórias de 19 mulheres que sofreram violência e saíram do ciclo de agressões depois de serem atendidas na Casa da Mulher Brasileira ou na Pousada de Maria. Também tem estatísticas sobre a violência contra a mulher, orientação sobre os tipos de violência e os canais de denúncia.

No site, a população pode acessar os serviços da prefeitura direcionados ao público feminino, como: Programa Mãe Curitibana, Pousada de Maria, Patrulha Maria da Penha, Unidade de Acolhimento a Pessoa Idosa, Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Rede de Proteção, Prêmio Empreendedora Curitibana.

A campanha foi idealizada pela Secretaria Municipal da Comunicação Social e Master Comunicação.

https://www.tribunapr.com.br/cacadores-de-noticias/curitiba/fora-do-hospital-o-que-sera-da-vida-dos-primeiros-quintuplos-do-parana/

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Alex Silveira

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