O leite que o pequeno Carlos Eduardo Lazzarotto, 5 anos, o Dudu, tem em casa vai durar exatamente até o Natal. Depois disto, seus pais não sabem onde vão conseguir o Nutren Júnior Zero Lactose, da marca Nestlé, cuja lata custa R$ 60 e eles não tem condições de comprar todas que o menino precisa, já que cada lata dura apenas dois dias.

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Edna mostra os alimentos e remédios de que o filho necessita. (Foto Suellen Lima)
Edna mostra os alimentos e remédios de que o filho necessita. (Foto Suellen Lima)

Dudu é portador de paralisia cerebral e se alimenta exclusivamente do leite. O alimento parou de ser fornecido há duas semanas pela prefeitura de Curitiba, que não deu à mãe nenhuma previsão de quando o abastecimento será regularizado. E não é só o leite que está faltando. Segundo a família de Dudu, a prefeitura também não está cedendo há quase cinco meses um dos remédios que o menino necessita para evitar convulsões, o Trileptal.

Segundo Edna Leite de Camargo, 30 anos, seu filho Dudu nasceu com apenas 33 semanas e ficou 79 dias na UTI. Por ser prematuro demais, o garoto teve a paralisia cerebral com poucas semanas de vida. Não bastasse a dificuldade que teve durante todo este tempo, levando muitas “portas na cara”, como ela mesma diz, Edna ainda está tendo que lidar com outra dificuldade: o câncer de reto do marido, Carlos Wanderlei Lazzarotto, 54 anos, que já perdeu bastante a capacidade de fazer algumas atividades do dia a dia e está usando bolsa de colostomia e sonda desde outubro.

Até os dois anos, Edna alimentava Dudu com comida pela boca. Mas como parte da comida escapava para os pulmões, ele teve pneumonia algumas vezes. Na última delas, em 2010, que foi muito severa, os pais pensaram que iam perder o garoto e ela decidiu não alimentá-lo mais pela boca. Então os médicos colocaram uma sonda nasal, mas o menino sempre batia com as mãos e tirava. Então encontraram a solução de alimentá-lo através de uma sonda ligada diretamente ao estômago, por onde Dudu toma apenas o leite especial.

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Remédio

O Nutren Júnior, que é ideal para o garoto, já acabou e Edna o está alimentado com o PediaSure, que foi doado por uma amiga. No entanto, este outro leite é muito grosso e passa com dificuldade pela sonda. Além disto, as duas latas que Edna ainda tem do PediaSure acabam exatamente no dia 25. “Fui no posto de saúde e lá não tem o Nutren Júnior, já faz duas semanas. Liguei na Ouvidoria da prefeitura e me falaram que o fornecedor deste leite não vai mais fornecer. Não me explicaram por qual motivo. Eu e outras mães que têm filhos que necessitam do leite acreditamos que é por falta de pagamento ao fornecedor. Nós íamos fazer um panelaço na frente da prefeitura. Por causa da chuva, desistimos”, conta Edna.

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E não é só o leite que está acabando. Dudu também toma dois medicamentos para evitar convulsões: o Sabril e o Trileptal. Este segundo custa R$ 48 cada frasco, dura três semanas e está há quase cinco meses sem ser fornecido pela prefeitura. Edna está se virando de várias formas para comprar o medicamento. Através de um grupo que ela criou no WhatsApp, com amigos e familiares, pede doações. Também fica até tarde da noite, às vezes de madrugada, fazendo chinelos decorados para vender, o que ajuda um pouco no orçamento.

Alegria

Apesar das dificuldades, Dudu é um menino muito alegre. Ri por tudo, principalmente quando ouve a voz do pai. No meio das risadas, pai e filho trocam olhares muito carinhosos e percebe-se o quanto são apegados. “A vida dele é rir. Ele só faz cara feia se está sentindo muita dor”, diz a mãe, sobre o filho. Mesmo diante de todas as dificuldades pelas quais Edna está passando, cuidando do filho e do marido, ela ainda consegue viver com um sorriso no rosto, otimismo e serenidade na mente e uma ternura sem fim com o filho, expresso em seu olhar.

A necessidade mais urgente para Dudu é o leite. Mas quem quiser também pode ajuda-lo com o medicamento Trileptal, fraldas (que a mãe compra diretamente na fábrica da Mili, tamanho XG), ou até mesmo dinheiro. Em breve, talvez o menino precise de uma cadeira para tomar banho, já que não está mais cabendo na banheira de bebê que a mãe ainda usa para lavá-lo. Edna ainda pede, se for possível, a doação de uma máquina de fazer chinelos, para que possa incrementar o orçamento da casa. Os telefones de Edna são (41) 3026-4138 e (41) 9648-0525.

Promessa da prefeitura

A Tribuna entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde, que enviou a seguinte nota:

Ao lado do pai, Dudu não tira o sorriso do rosto, apesar das dificuldades causadas pela paralisia cerebral. (Foto Suellen Lima)

“Em relação à dieta do Carlos Eduardo, a Secretaria Municipal da Saúde esclarece que os produtos adquiridos pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) respeitam a Lei de Contratos e Licitações da Administração Pública, assim, as fórmulas alimentares são obtidas de acordo com as especificações técnicas dos produtos e não pelo nome comercial prescrito, podendo durante o acompanhamento apresentar nomes comerciais diferentes, porém, com garantia de similaridade.

O produto que venceu a licitação vigente foi o PediaSure Complete (fabricante Abbott), que é uma dieta completa, amplamente comercializada (mais de 150 países) e marca de dieta infantil mais utilizada nos Estados Unidos, inclusive, sendo prescrita como opção pelos serviços hospitalares e ambulatoriais de Curitiba.

A criança Carlos Eduardo Lazzarotto é acompanhada pelo Programa de Atenção Nutricional às Pessoas com Necessidades Especiais de Alimentação (PAN) da SMS de Curitiba e recebe 19 latas de dieta pediátrica padrão. A secretaria ainda tem cinco latas da fórmula Nutren Júnior (restante da licitação anterior), que serão fornecidas à criança, e mais 14 latas da fórmula PediaSure Complete, totalizando as 19 latas recebidas. As fórmulas serão entregues ainda hoje (ontem) à família, até o final da tarde.

Quanto à diluição do produto, devido à troca de marca, a nutricionista da Unidade de Saúde entrará em contato com a família para orientar a adequada diluição.
Já em relação ao medicamento, a Secretaria Municipal da Saúde esclarece que o medicamento Trileptal (oxcarbazepina) não consta da Relação Nacional de Medicamentos – RENAME 2013 publicada pelo Ministério da Saúde e portanto, não está padronizado na Farmácia Curitibana. O medicamento antiepiléptico da mesma classe terapêutica da oxcarbazepina que consta da RENAME 2013 e está padronizado na Farmácia Curitibana é a carbamazepina.

Não encontramos nenhum registro de fornecimento pela Secretaria Municipal da Saúde do medicamento oxcarbazepina ao usuário Carlos Eduardo Lazzarotto”.