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Curitiba

Biblioteca Pública se tornou o centro cultural mais visitado de Curitiba

Biblioteca Pública do Parana, em Curitiba. Foto: Rodrigo Cunha/Tribuna do Paraná
Giselle Ulbrich
Escrito por Giselle Ulbrich

Você já visitou a Biblioteca Pública do Paraná (BPP), que fica no Centro de Curitiba, em algum momento da sua vida? Se você não frequenta o local há mais de 10 anos, vai ficar surpreso com as mudanças. De mero “depósito de livros”, hoje a biblioteca é um centro cultural pulsante, vivo, dinâmico, cheio de atrações que colocam as pessoas em contato com a literatura através de vários canais: música, teatro, cinema, fotografia ou um simples bate papo com amigos ou escritores. Tem até shows musicais lá dentro!

A BPP, que tem 162 anos e está em sua 13ª sede, é hoje o centro cultural mais visitado pelos curitibanos, com um fluxo diário de duas mil pessoas e mil livros emprestados por dia. Uma pesquisa feita em 12 capitais brasileiras, pela consultoria JLeiva Cultura & Esporte, apontou que 61% dos curitibanos dizem já ter frequentado a biblioteca. Em seguida vem o Teatro Guaíra e o Museu Oscar Niemeyer.

Depois que passou por uma reforma (R$ 8 milhões – recursos próprios e patrocínio da Renault), há oito anos, a biblioteca transformou-se num centro cultural com tantas atrações que é impossível enumerar tudo em poucas linhas. Virou um lugar aconchegante, onde tudo é permitido e ninguém mais fica o tempo todo fazendo “shhhh”.

Caminho sem volta

Biblioteca Pública do Parana, em Curitiba. Foto: Rodrigo Cunha/Tribuna do Paraná
Biblioteca Pública do Parana, em Curitiba. Foto: Rodrigo Cunha/Tribuna do Paraná

Para quem já visitou no passado, o primeiro impacto é entrar e não encontrar as enormes prateleiras de fichários que existiam no andar térreo. Neste local, que virou um grande saguão, hoje ocorrem lançamentos de livros, tardes de autógrafos, exposições, bate papo com escritores. Há até um café para um bate papo com os amigos e aulas de idiomas, além de sofás para sentar-se confortavelmente e ler, observar os vitrais com fotos de obras e artistas locais ou simplesmente navegar na internet (tem wi fi gratuito). Tem gente que até traz seu computador e vem trabalhar, pois o espaço parece um co-working.

Aliás, falando em internet, a BPP se conectou. Além da consulta ao acervo ser 100% informatizada (a renovação de livros pode ser feita de casa), a instituição tem milhares de fãs nas redes sociais. No espaço audiovisual é possível emprestar (ou assistir e ouvir no local mesmo) CDs, DVDs e até fitas cassete de músicas, documentários e filmes diversos.
“Hoje as pessoa não vão à biblioteca só pra ler. O que já aconteceu com os museus, hoje está acontecendo com as bibliotecas, que se transformaram em grandiosos espaços de convivência social. É um caminho sem volta, muito alegre e bacana, pois é um espaço democrático, para todos os públicos, e também para todos os autores, dos mais populares aos Prêmios Nobel de Literatura”, diz Ilana Lerner Hoffmann, diretora da BPP.

Ilana conta que esta é uma forma de fazer as pessoas se aproximarem de novas culturas e linguagens e também dos livros. “Veja o projeto ‘Música na Biblioteca’, que acontece uma vez por mês. A pessoa vem ler ou emprestar um livro, passa e vê a apresentação de um artista. Quem veio assistir o show acaba interessando-se por um livro. O mesmo para quem vem assistir uma palestra, peça de teatro, filme no auditório (que é grande e está inteiro renovado) ou o bate papo com um autor de livro (projeto Um Escritor na Biblioteca). Sem contar os inúmeros cursos e oficinas para todas as idades e gêneros. Assim as pessoas acabam tendo vivências mais interessantes, além do simples ler e emprestar livro. A biblioteca hoje tem que ser um local que fomenta a cultura de todos os lados”, explica a diretora.

Shhhhh

Mas Ilana também explica que, apesar de todo esse “barulho” gerado pelas atuais atividades, há também cantos silenciosos e aconchegantes para pesquisar, estudar e trabalhar, preservando o tradicional objetivo da biblioteca. E a BPP é a única no Brasil que edita e publica livros, revistas e jornais (entre eles o Cândido, maior jornal cultural do Brasil), e promove um concurso anual que premia as melhores obras novas de romances, contos e poesias, o Prêmio Paraná de Literatura. Tem também uma seção de livros em braile, que é referência nacional para os deficientes visuais.

Mas para os mais saudosos, fica a dica: os serviços e atividades tradicionais, como a leitura de jornais e revistas, a digitalização de jornais antigos, o jogo de xadrez, o escritório de direitos autorais, a gibiteca e demais tradições continuam lá, iguais a antigamente. E o melhor, é tudo gratuito. Informações: 3221-4900.

Futuros cidadãos

Os filhos da professora de história Mariana Assenheimer, 32 anos, estavam muito curiosos em conhecer um lugar que eles chamam de “encantado”: a Biblioteca Pública do Paraná. E Mariana finalmente realizou o sonho da criançada e os levou até lá, no mês passado.

“Eles têm uma curiosidade grande pelos livros, porque em casa eu sempre cultivei isso neles. Por conta da minha profissão, eu sempre tive o hábito de ler muito e isso fez eles terem encantamento pelos livros. Então eu contava que eu frequentava a Biblioteca desde que eu era criança, o que gerou neles muita curiosidade. Então combinamos que hoje seria o dia deles conhecerem o lugar que a mamãe passou parte da infância. Na mente deles, aqui era um lugar quase encantado, a imaginação ia longe enquanto eu falava da biblioteca”, conta Mariana.

Os cinco filhos dela Cidney Daniel, 11 anos; Natalia, 9; Matheus, 8; Lorena, 5; e Beatriz, 3 exploraram absolutamente todos os cantos da seção infantil. Só a pequena Lorena disse que leu cinco livros. Sem cerimônias, arrancaram os tênis dos pés, sentaram-se nos sofás e colmeias e folhearam à vontade. Também pintaram e jogaram xadrez.

Atenção especial

BIBLIOTECA PUBLICA - CURITIBA - PARANA - 25/08/2019 - Biblioteca Publica do Parana, em Curitiba. FOTO: Felipe Rosa / Tribuna do Parana
Biblioteca Publica do Parana, em Curitiba. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

As crianças recebem uma atenção toda especial dos funcionários. Lidiamara Alves da Rosa Gross, chefe da divisão de coleções especiais, explica que, como serão os cidadãos do futuro, a biblioteca empenha-se em trazê-los o quanto mais jovens para perto dos livros, para que mantenham o hábito no futuro. E são muitas atividades voltadas aos pequenos.

Todos os dias, pela manhã e à tarde, tem a Hora do Conto na seção infantil (segunda à sexta, às 11h e 15h, sábado somente às 11h), a atividade que mais cativa a criançada. Conforme Lídia, sempre depois do conto há oficinas relacionadas à história contada naquele dia. Quando vêm as escolas (a biblioteca que providencia o transporte), a seção infantil organiza o “Brincando de Faz de Conta”, na qual os alunos aprendem a fazer um fanzine (um pequeno livro de história), que pode ser individual ou em grupo e depois levam para casa, mostrar para os pais e amigos. As atividades terminam com o lanche, ali mesmo no meio das estantes e livros.

Cinema, teatro e conversa

Outra atração aos pequenos é o Cine Pipoca, em que eles assistem um clássico da literatura que foi transformado em filme, comendo pipoca. Como parte deste “cenário”, a biblioteca adquiriu uma máquina de pipoca estilo “retrô” que fascina crianças e adultos. “Também temos as aventuras literárias, quando trazemos autores para conversarem com as crianças; as aventuras teatrais (a seção infantil tem um espaço dedicado ao teatro de fantoches), a cãotação de histórias guiadas por cães, e a menina dos olhos da biblioteca, que é ‘A noite na biblioteca’. As crianças chegam aqui no sábado à tarde e passam a noite aqui, realizando diversas atividades, até o domingo de manhã, quando os pais vêm buscar”, conta Lídia.

Idosos e adolescentes

Mas não é só porque a seção chama-se “infantil” que também não tem atividades para outros “públicos”. Lídia conta que já fizeram um projeto com adolescentes e idosos, que incluiu não só a contação de histórias, dos adolescentes para os idosos, mas também oficinas realizadas entre as duas gerações e teatro, que emocionou todos ao fim do projeto. Adolescentes puderam entender melhor a “velhice” cada um “adotou” um idoso durante o projeto e os idosos puderam enxergar dentro de si próprios mais formas de serem felizes na terceira idade.

Informações sobre as atividades da seção infantil: (41) 3221-4980.

Horários de funcionamento da BPP:
Segunda a sexta-feira, das 8h30 às 20h
Sábados das 8h30 às 13h.

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Sobre o autor

Giselle Ulbrich

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(41) 9683-9504