Curitiba

Belo, mas inseguro

O Jardim Botânico de Curitiba encanta turistas e moradores pela sua inegável beleza e manutenção caprichada. O espaço costuma arrancar elogios de visitantes de outras partes do país. “Estamos gostando bastante, é lindo e muito bem cuidado”, diz a médica Nália Almeida, 63 anos, de Manaus (AM). A farmacêutica Daiana Trevisan, 35, de Santa Cruz do Sul (RS), observa que a limpeza do lugar está de parabéns, mas que há vidros quebrados na estufa que mereciam ser trocados.

Irmãs reclamam da falta de Guarda Municipal. Foto: Luisa Nucada
Irmãs reclamam da falta de um Guarda Municipal. Foto: Luisa Nucada

Quem pratica exercícios físicos no local se sente relativamente seguro. “Na parte da manhã é tranquilo, são sempre as mesmas pessoas que caminham aqui. Mas nunca vemos a Guarda Municipal”, diz a auxiliar administrativa Liane Scheffer, 33. Sua irmã, a microempresária Rosane Scheffer, 31, comenta que o único problema é a falta de vagas de estacionamento: “A gente vem de carro, e nos dias mais quentes, se não chegarmos bem cedinho temos dificuldade para achar lugar”. A dupla faz caminhada no local todos os dias.

Foto: Luisa Nucada
Luiz Fernando, Aldecir e Francisco frequentam diariamente o Jardim Botânico. Foto: Luisa Nucada

Já na percepção dos aposentados Luiz Fernando Fonseca, 66, Aldecir de Carvalho, 65, e Francisco Ricardo, 70, que também são frequentadores diários, a falta de segurança é um problema, principalmente na área do estacionamento, onde guardadores de automóveis costumam abordar os frequentadores pedindo dinheiro. “Os guardas municipais não ficam naquela área. Às vezes eles passam por ali, mas os flanelinhas voltam assim que eles saem”, conta Luiz Fernando.

Entorno perigoso

Foto: Luisa Nucada
Pimpão aponta perigo no bicicletário. Foto: Luisa Nucada

De acordo com o empresário Luiz Eduardo Pimpão, 58, o velódromo é a parte mais insegura. Ele caminha pelo local porque somente ali é permitida a circulação de animais. “A Guarda Municipal não vem aqui porque os turistas não passam nesta parte. São apenas dois guardas para o parque inteiro, eles não dão conta. Venho passear com minha cachorrinha e já vi cada coisa. Casal fazendo sexo, pessoas usando drogas, mendigos dormindo, litros de bebida alcoólica jogados pelo chão. Sem contar os marginais que te abordam para pedir dinheiro”, relata. O empresário aponta ainda o perigo no bicicletário, de onde várias bikes já foram roubadas.

A criminalidade nas redondezas também é preocupante. “Moro a quatro quadras daqui e não posso vir ao Jardim Botânico andando, já me aconteceu tanta coisa nesse trajeto que não me arrisco mais. Estou mobilizado para cobrar uma solução da prefeitura, junto com a associação de moradores e o grupo escoteiro que se reúne no bairro”, avisa.

À espera de mais guardas

Foto: Felipe Rosa
A criminalidade nas redondezas do Jardim Botânico também é preocupante. Foto: Felipe Rosa

A reportagem presenciou os dois guardas que compõem o efetivo responsável pelo local realizando a ciclopatrulha. A Secretaria Municipal da Defesa Social afirmou que a ronda da GM abrange também o velódromo, e conta com o reforço do Módulo Móvel da Guarda aos domingos.

Sobre previsão de aumento do efetivo, a prefeitura de Curitiba informou que em 2015 abriu concurso para contratação de 400 novos guardas municipais. “Os futuros integrantes aguardam para ingressarem na corporação enquanto realizam a penúltima fase eliminatória do concurso: a investigação de conduta e o exame toxicológico, e posteriormente, passam pela etapa do exame médico e o curso de formação técnico profissional na Academia da Guarda. Só então, depois da etapa eliminatória, será possível definir o número de novos integrantes. Após passarem pelos trâmites burocráticos, eles deverão cumprir um mínimo de 800 horas de capacitação obrigatória. A expectativa é que os novos guardas estejam aptos a iniciar as atividades ainda em 2016.”

No escuro

Nália é de Manaus e elogia o jardim. Foto: Luisa Nucada
Nália é de Manaus e elogia o jardim. Foto: Luisa Nucada

O aposentado Aldecir de Carvalho, 65, conta que o Jardim Botânico está às escuras há cerca de dois meses, devido ao roubo do cabeamento de cobre dos fios elétricos. “Moro aqui perto e quando olho da minha janela só vejo dois postes acesos. Acabou aquela iluminação bonita, como quando jogavam luz rosa na estufa no mês de outubro por causa da campanha contra o câncer de mama.”

O Departamento de Iluminação da Secretaria Municipal de Obras Públicas informou que vai instalar no local 106 luminárias viárias dotadas com lâmpadas LED de diferentes potências. Sobre a manutenção da estufa, afirmou que os trabalhos de reposição dos vidros iniciaram no último dia 20. Não há previsão para aumento das vagas do estacionamento.

Espaço ocioso

Foto: Felipe Rosa
Espaço Cultural Frans Krajcberg está desativado há cerca de seis anos Foto: Felipe Rosa

Uma estrutura metálica desmantelada em formato de túnel, que fica atrás da estufa do Jardim Botânico, desperta a curiosidade de quem passa por ali. Sem utilidade aparente e semelhante a uma ossada de baleia, o Espaço Cultural Frans Krajcberg foi criado em 2003 para abrigar obras de arte, mas está desativado há cerca de seis anos por causa de uma disputa judicial.

O artista plástico polonês naturalizado brasileiro que dá nome ao local doou peças de sua autoria à Prefeitura de Curitiba, que foram dispostas ali. Passados alguns anos, ele as exigiu de volta, alegando más condições de conservação. As obras foram enviadas para Nova Viçosa (BA), para serem restauradas, e a prefeitura tenta recuperá-las.

Enquanto a ação segue em trâmite, a responsabilidade do local foi passada da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA). “O Espaço Kracjeberg está sendo realinhado. A área está aberta e será um grande estar. Está em fase de licitação a pintura da estrutura metálica, colocação de bancos e vasos”, informa a pasta.

Sobre o autor

Luisa Nucada

(41) 9683-9504