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Curitiba

Colar de âmbar báltico tem efeito medicinal! Mito ou verdade?

Colares de âmbar báltico para bebes prometem diminuir as dores no crescimento dos dentes e melhoras no sono. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná
Maria Luiza Piccoli

A febre começou em 2014 depois que a filha pequena da top model Gisele Bündchen, Vivian Lake – então com poucos meses – apareceu nas redes sociais usando o acessório. A partir de então, a procura pelo colar de âmbar báltico explodiu entre mães adeptas de terapias alternativas, já que a promessa do adorno é aliviar dores comuns aos pequenos, como cólicas e aquelas típicas da fase da dentição. Enquanto as defensoras do acessório garantem que ele realmente funciona, entre a comunidade médica a eficácia do apetrecho para uso terapêutico gera discussão.

Sophia tem um ano e meio. Filha da autônoma Letícia Ribas, 23, a pequena dorme hoje em média 5 horas por noite: tempo considerado excelente pela mãe, já que, nem sempre foi assim. “Ela dormia pouco, chorava muito de madrugada, acordava de hora em hora. Quando completou dois meses resolvi comprar o colar de âmbar pra ver se funcionava e fiquei surpresa com o resultado”, afirma a mãe, que também observou efeitos benéficos quando os primeiros dentinhos da pequena começaram a surgir. “Ela não reclamou, não teve febre e nem aquelas explosões que as crianças costumam ter nessa fase”, disse.

Satisfeita, ela não pretende interromper o “tratamento” tão cedo. “Na maior parte do dia ela fica com o colarzinho no pescoço. Só tiramos na hora de dormir. Para fazer efeito o âmbar precisa ficar em contato com a pele por um longo período e, como não incomoda, a gente deixa”, revela.

Já para Aline de Oliveira Gonçalves, 40, o colar de âmbar não vingou. Há dois anos a jornalista comprou uma peça na tentativa de aliviar as dores que seu filho Tomás, então com 6 meses, sentia por conta dos novos dentinhos que nasciam. O tratamento não deu certo. “Eu tinha expectativa de que o colar ajudasse pelo menos um pouco. Não aconteceu absolutamente nada. Ele sentia muitas coceiras, dores e teve febre também”, afirma a mãe que, ainda insistiu por 8 meses antes de desistir por completo do tratamento alternativo. “Passei a usar só como acessório”, revelou.

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Alegria dos comerciantes

Febre dos colares faz comércio comemorar as vendas. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Febre dos colares faz comércio comemorar as vendas. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Aquecido, o segmento artesanal em Curitiba comemora a fama do acessório e investe em outras versões do adorno, buscando conquistar também os adultos que acreditam em suas propriedades terapêuticas. É o caso da empresária Mariana Vanderlei, que há 6 anos administra uma loja online especializada em acessórios de âmbar e também distribui para o comércio local.

Vendendo uma média de 200 peças por mês, a comerciante exporta diretamente de uma cooperativa sediada na Lituânia e, desde que abriu o negócio, em 2013, observou uma procura 200% maior pelos produtos feitos com o material. “Eu só trabalho com isso porque vivi na pele os benefícios da terapia feita com meu filho pequeno. Os resultados foram tão eficazes que eu fui atrás para entender como funcionava e acabei me especializando”, revela.

Além dos colares infantis, cujo preço pode variar de R$ 115 a R$ 130, outras versões como pulseiras e tornozeleiras para adultos e até mesmo coleiras para cães e gatos compõe o arsenal de apetrechos disponíveis no mercado. “Além de ajudar no alívio de dores crônicas como artrites e fibromialgias nos adultos, o âmbar também pode contribuir no controle de ectoparasitas em animais”, garante Mariana. Segundo a empresária, no entanto, a maior procura ainda é para bebês em fase de dentição. Sobre a opinião médica acerca do tratamento, a empresária admite não haver comprovação científica a respeito de sua eficácia. “É muito mais uma questão de observação. Para algumas pessoas dá certo e para outras não”, diz.

Que raios é o âmbar báltico?

Resina fóssil produzida por pinheiros, o âmbar báltico vem sendo utilizado como acessório terapêutico há algumas décadas em países da Europa. Entre entusiastas das terapias alternativas, acredita-se que o material possua propriedades analgésicas devido à forte presença de ácido succínico em sua composição.

Amplamente utilizado na indústria farmacêutica, o ácido succínico é conhecido por suas propriedades imuno-estimulantes, analgésicas, cicatrizantes e anti-inflamatórias. Pelo fato de estar presente no âmbar, a crença de que a resina libere a substância por meio do contato com a pele acabou se difundindo e os acessórios artesanais feitos com o produto conquistaram uma parcela importante das mamães e papais antenados nas novidades do mercado voltado à saúde infantil.

Segundo os adeptos do colar de âmbar, no entanto, a coisa só funciona com o âmbar original, importado da bacia do Mar Báltico, que compreende países como Lituânia, Letônia e Estônia, principais produtores e exportadores de âmbar do globo. Para saber se o produto é original, alguns testes simples como pingar acetona sobre as contas (se for original ela vai soltar uma substância viscosa) ou colocá-las em água salgada (se for original a “pedra” vai boiar). Essas “manhas” ajudam a identificar a legitimidade do produto.

Pediatras recomendam cuidado

Sem evidências científicas que comprovem a eficácia do acessório, a comunidade médica ainda diverge sobre o tema. Segundo o pediatra e secretário geral do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), Luiz Ernesto Pujol, além de não recomendado, o uso das peças de âmbar pode trazer riscos para as crianças. “É preciso ter muito cuidado com terapias de aventura, principalmente quando envolvem o uso de acessórios como colares, que podem se prender a objetos e apertar o pescoço da criança ou até mesmo arrebentar, trazendo o risco dos pequenos engolirem as peças”, alerta.

Apesar das conhecidas propriedades medicinais do ácido succínico presente no âmbar, segundo Pujol, o simples contato do material com a pele não seria suficiente para surtir efeito analgésico. “Para que seja utilizado como remédio, o ácido succínico precisa passar pelo processamento adequado. Não basta simplesmente encostar o âmbar na pele”, diz.

Apesar de não ter comprovação científica, mães que experimentaram benefícios recomendam o acessório. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Apesar de não ter comprovação científica, mães que experimentaram benefícios recomendam o acessório. Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Apesar dos pesares, se na vida vale o lema que diz que “quem não arrisca não petisca”, talvez o âmbar báltico possa ser encarado com mais simpatia. Pelo menos é com esse argumento que os entusiastas do “tratamento” defendem o uso dos apetrechos. “Não nos fez mal nenhum. Muito pelo contrário. Graças ou não ao colarzinho de âmbar, sei que a Sophia não sofreu tanto na fase da dentição quanto já vi outras crianças sofrerem. Se me perguntassem, certamente falaria bem do acessório”, finaliza Letícia.

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Maria Luiza Piccoli

Maria Luiza Piccoli

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7 Comentários em "Colar de âmbar báltico tem efeito medicinal! Mito ou verdade?"


João Silva
João Silva
24 dias 11 horas atrás

Não importa se é pobre, rico, novo, velho, magro, gordo, baixo, alto, analfabeto, mestre, doutor, o brasileiro só sabe viver acreditando em falsas promessas. Como dizia minha avó: todo dia saem de casa um tonto e um espertalhão, se eles se encontrarem, dá negócio…

Dan Martins
Dan Martins
24 dias 12 horas atrás

Deixa o pessoal comprar o que quiser! Não estão fazendo mal pra ninguém. Povo adora dar palpite na vida dos outros

Gercino f silva Silva
Gercino f silva Silva
24 dias 14 horas atrás

Parece um terço, já que é paracido rezem o terço todos os dias que as dores da família ameniza , #fikadika

alex lemarchand
alex lemarchand
24 dias 14 horas atrás

assim como joao de deus cura tudo…kkkk

cox@_porco frequentando AA (Atleticanos Anônimos)
cox@_porco frequentando AA (Atleticanos Anônimos)
18 dias 6 horas atrás

Correção, João de Deus CUra tudo!!!

Flavio Steiner
Flavio Steiner
24 dias 15 horas atrás

Mais uma modinha entre os riquinhos…

Jorge Cabral
Jorge Cabral
24 dias 16 horas atrás

Detalhe: não confundir o colar de âmbar utilizado pelos filhos de ricos (também conhecido como babá, enfermeira, secretária do lar, etc..etc.), ou a joia mesmo, com àqueles colares feitos de miçangas de vidro, largamente adquiridos pelas “mães alternativas”…kkkkkkkkkkkkkkk

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