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Campina do Siqueira Mossunguê

Tubos do perigo

Crimes são rotina no entorno do Park Shopping Barigui. Foto: Felipe Rosa
Paula Weidlich
Escrito por Paula Weidlich

Área nobre de Curitiba, a região entre os bairros Campina do Siqueira e Mossunguê, onde ficam as estações-tubo Major Heitor Guimarães e Rio Barigui, conta com um intenso fluxo de pessoas, gente que mora ou trabalha no Park Shopping Barigui, no hipermercado Carrefour e demais comércios nas ruas próximas. Mas todo este movimento na Rua Deputado Heitor Alencar Furtado, na canaleta por onde passa o biarticulado Centenário/Campo Comprido, também chama a atenção dos criminosos, que não se intimidam e cometem roubos contra cobradores, passageiros e pedestres, em vários horários, durante o dia e à noite. A situação foi mostrada pela Tribuna em julho do ano passado, mas nada mudou.

Funcionário do shopping, um atendente de lanchonete de 19 anos, que não quis ser identificado, conta que, em pouco mais de um ano e oito meses trabalhando na região, foi vítima de três ações dos bandidos. “Os roubos são bem comuns. Já fui assaltado em frente ao posto e descendo aqui, em frente ao tubo (Major Heitor Guimarães). No tubo também levei uns ‘corridões’ e quando saio do trabalho à noite, costumo ouvir os cobradores daqui falando sobre os assaltos”, relata o jovem, que afirma ter medo de circular pela região. “Saio de casa preparado para o pior, ando com uma máquina de choque. Nunca tenho nada de valor, mas se vierem me bater por não ter nada, pelo menos protejo meu físico”.

Estação-tubo Major Heitor Guimarães. Foto: Felipe Rosa
Estação-tubo Major Heitor Guimarães. Foto: Felipe Rosa

Perigo

Outro jovem de 19 anos, que mora perto da estação-tubo Major Heitor Guimarães, conta que também teve seus pertences levados pelos bandidos. “Aconteceu comigo dentro do ônibus desta linha, quando voltava para a casa, por volta das 18h30. Eu e um amigo estávamos no fundo do ônibus quando fomos abordados por dois rapazes, que falaram para a gente passar o celular e o que mais a gente tivesse. Não sei se eles estavam armados, mas não compensa reagir. Aqui é bem perigoso à noite, mas Curitiba toda anda muito violenta”, observa.

Também moradora do bairro, a advogada Fernanda Malc, 26 anos, afirma que nunca foi roubada, mas que já presenciou os marginais agindo perto das estações-tubo. “A gente sempre vê um pessoal correndo perto do tubo. E os bandidos se escondendo no mato. Essa onda de assaltos começou depois que o shopping foi construído. É preciso muito cuidado para pegar um ônibus e andar por aqui. Vira e mexe tem uma viatura da Guarda Municipal, mas eles só aparecem depois dos assaltos”, conta.

Trabalhadores vivem com medo de assaltos. Foto: Felipe Rosa
Trabalhadores vivem com medo de assaltos. Foto: Felipe Rosa

Trabalhadores com medo

“Os roubos acontecem direto, principalmente entre 16h e 19h, e eles levam tudo, dos cobradores e dos passageiros. Pela manhã é mais difícil eles virem, porque não tem dinheiro no tubo. Dá medo trabalhar assim. Já nem trago mais meu celular quando venho trabalhar”, desabafa uma cobradora que trabalha em um dos tubos da Rua Deputado Heitor Alencar Furtado e que, em cinco anos na função, sofreu três roubos. Segundo ela, nem as câmeras dos tubos que poderiam coibir os roubos, resistem. “Colocam a câmera de noite no tubo e de manhã ela já não está mais no lugar”, ressalta.

Acuados, os trabalhadores sofrem as consequências do convívio diário com a violência. Outro cobrador, que também não quis ter seu nome divulgado, conta que o trauma e o estresse desencadeados após um assalto fizeram com que ele desenvolvesse uma depressão, que o afastou do trabalho. “É constrangedor, já passei por dois assaltos, tive depressão e me afastei. Fica um trauma na gente, pelo risco de vida que corremos. Para melhorar, falta policiamento e segurança, para a gente e para os passageiros. Acontece um ‘B.O.’ e eles vêm, mas depois somem de novo”, diz.

Cobradores trabalham acuados. Foto: Felipe Rosa
Cobradores trabalham acuados. Foto: Felipe Rosa

“Protegidos”

Nas estações-tubo por onde a reportagem passou, ao longo da Rua Deputado Heitor Alencar Furtado, foram comuns os depoimentos de crimes. Só no tubo “Rio Barigui” não ouvimos relatos de roubos e furtos. Segundo moradores e funcionários do sistema de transporte coletivo, estes dois tubos são protegidos pelos moradores de área de ocupação localizada na região.
Nas imediações deste tubo, as pessoas afirmaram nunca ter presenciado um caso de violência ou ação dos criminosos. Respostas que podem indicar a realidade ou, o medo de represálias por parte dos bandidos “Aqui não acontece, ninguém mexe com nós. Mas sei de muitos roubos nos outros tubos”, contou uma cobradora, que preferiu não informar seu nome.

PM promete reforçar o policiamento. Foto: Felipe Rosa
PM promete reforçar o policiamento. Foto: Felipe Rosa

Reforço policial

Questionada sobre a falta de segurança alegada pelos entrevistados, o 12º Batalhão da Polícia Militar (PM) prometeu que vai intensificar o policiamento preventivo nos bairros nos bairros Mossunguê e Campina do Siqueira com equipes da Radiopatrulha, da Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (ROCAM) e com a Rondas Ostensivas Tático Móvel (ROTAM). “Recentemente novas viaturas adquiridas pelo governo do Estado foram entregues à PM e auxiliam no reforço do policiamento”, cita.

A corporação orienta para que as pessoas evitem transitar com objetos de alto valor ou que chamem a atenção nas ruas, pois isso facilita a ação de pessoas mal-intencionadas. A PM pede que quando houver alguma situação de crime ou delito, a população ligue para o 190. Informa também que fatos consumados devem ser registrados na Polícia Civil, a quem cabe a investigação.

Caminhar pela região nobre é arriscado. Foto: Felipe Rosa
Caminhar pela região nobre é arriscado. Foto: Felipe Rosa

Rondas

Já a Guarda Municipal informa que faz rondas constantes nas estações-tubos da Major Heitor Guimarães e Rio Barigui, com viaturas. Segundo a corporação, nos horários de maior movimento de passageiros (de manhã, à tarde e à noite), uma viatura fica parada com os guardas fazendo uma operação de saturação. Para a GM, a região dos dois tubos não é considerada um ponto crítico. A orientação para a população é ligar no número 153 e relatar os horários das ocorrências. Além disso, recomenda o registro de boletim de ocorrência em uma delegacia.

A Urbs reconhece que o índice de vandalismo nas duas estações é alto. As câmeras já foram substituídas três vezes. Agora estuda outras formas de monitoramento do local.

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Paula Weidlich

Paula Weidlich

(41) 9683-9504