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Boqueirão Hauer Xaxim

Marco triplo

Carolina Gabardo Belo

O ano de 2005 foi especial na vida de Mauro Gonçalves, 52. Morador da Planta Carolina Augusta, entre os bairros Hauer, Boqueirão e Xaxim, ele passou por mudanças que não impactaram apenas sua vida particular, mas também contribuíram significativamente na melhoria de sua comunidade. A história de Mauro ganhou a capa da última Tribuna Regional Boqueirão e agora resolvemos compartilhar com todos os nossos leitores.

Brincadeira aprendida com a mãe serve de ensinamento pra muitos. (Foto) Giuliano Gomes
Brincadeira aprendida com a mãe serve de ensinamento pra muitos. Foto: Giuliano Gomes

Nascido e criado no local – além de ser filho de um dos primeiros moradores -, Mauro é considerado há mais de 30 anos uma liderança comunitária, título que foi conquistado com sua atenção às necessidades dos vizinhos. E foi observando as mudanças na região com o passar dos anos que ele percebeu que era preciso fazer alguma coisa para recuperar o Córrego das Varaneiras, que corta a localidade e chega até a Linha Verde.

“A gente nadava no córrego, pescava, lavava a roupa. Mas vieram mais moradores e o córrego virou um valetão, com lixões. É uma situação preocupante, o córrego tem nascentes”, lamenta. Outra constatação foi a disposição das ruas na região, que impedia um trajeto rápido aos pedestres, que precisavam dar grandes voltas para chegar aos equipamentos públicos, como a unidade de saúde, a creche, o centro municipal de educação infantil e o Farol do Saber.

A solução encontrada por Mauro envolvia os dois problemas: a recuperação do córrego e seu entorno e ao mesmo tempo instalar nas margens uma via de ligação entre o Xaxim e as vilas Guilhermina, Anair, Carolina Augusta, Tapajós, seguindo até o Hauer e o Boqueirão. “A ideia foi recuperar o córrego e fazer uma pista utilitária, de lazer e deslocamento para a população”, conta.

Foi assim que em 2005 nasceu o “Projeto Três Marco”, que faz uma referência à união dos três bairros. A proposta já era antiga, mas foi naquele ano que Mauro andou por toda a região recolhendo ofícios e assinaturas de moradores, trabalhadores, empresas e entidades, solicitando que a recuperação fosse realizada. “Sempre pedia para os políticos, mas nunca tinha colocado isso no papel. Antes eram pedidos verbais, só na conversa”. Com a solicitação formalizada, foi criado um documento com mais de 130 páginas, nelas contendo solicitações e mais de três mil assinaturas da população.

Família trocou a loja de roupas para manter os jovens no bairro. (Foto) Giuliano Gomes
Família trocou a loja de roupas para manter os jovens no bairro. Foto: Giuliano Gomes

Pipa pra educação

A segunda grande mudança na vida de Mauro – e que também mudou a vida no bairro – foi um novo investimento em negócios. A família trocou a loja de roupas que funcionava no número 1775 da Rua Irmã Flávia Borlet por um local especializado na arte de produzir pipas.

Tudo também começou com a observação do líder comunitário, que percebeu a necessidade de manter as crianças e jovens na região, ao invés de seguir para outros bairros. “Distribuía algumas pipas para as crianças, pra evitar que elas fossem comprar em outros lugares”, conta.

Entre uma pipa e outra, a procura foi crescendo, assim como a relação de Mauro com os jovens, fazendo dele uma referência. Prova disso é o movimento constante de garotos e garotas que vão à loja para escolher entre os mais de dois mil modelos produzidos no local.

Mais do que vender o produto, ele acredita que está oferecendo oportunidades aos jovens do bairro. “A pipa possibilita o vínculo familiar, quando a criança monta a pipa e brinca com ela”, avalia ele, que aprendeu a brincadeira com sua mãe e leva outros ensinamentos aos jovens. Tanto em eventos nos bairros como em palestras em escolas, ele destaca a importância de não usar materiais cortantes nas pipas e apresenta informações matemáticas presentes no brinquedo.

A atividade está tão integrada ao bairro que a proposta de revitalizar o Córrego das Varaneiras prevê também a criação de um pipódromo nas margens. “Assim eles terão um local seguro e adequado para empinar pipas”.

União faz a força

Com a comunidade unida e o projeto organizado foi possível realizar rapidamente conquistas para a localidade. O processo acontece em etapas, mas já é comemorado por Mauro. A Praça Amazires Bley Davet, até então um “lixãozinho”, recebeu a primeira modificação. Ela foi recuperada e se tornou um espaço de lazer para os moradores da região.
Localizada entre estruturas importantes do bairro, como a Unidade de Saúde Tapajós, a Escola Municipal Professora Tereza Matsumoto e o Bosque Reinhard Maack, a área ganhou iluminação, melhorias na cancha de futebol e equipamentos de lazer. A inauguração da praça revitalizada ocorreu em novembro do ano passado.

Além disso, o jardinete abriga a primeira parte da pista de caminhada de ligação entre os bairros. “Passa pelo lado do bosque, por onde antes ninguém passava e agora tem até iluminação”, diz o líder comunitário. “É ainda uma pequena parte, mas já é uma realidade”. A previsão é que todas as melhorias sejam realizadas em dois quilômetros do bairro.

O córrego também passa por limpezas constantes e deve ter em breve suas margens recuperadas. “Assim o pessoal vai respeitar mais. Precisamos tirar as redes clandestinas de esgoto e os lixões que se formam lá”, espera Mauro.

Revitalização da praça que tinha virado um lixão é apenas o primeiro resultado da mobilização. (Foto) Giuliano Gomes
Revitalização da praça que tinha virado um lixão é apenas o primeiro resultado da mobilização. Foto: Giuliano Gomes

Leia mais sobre Hauer, Boqueirão e Xaxim.

 

 

Sobre o autor

Carolina Gabardo Belo

Carolina Gabardo Belo

Carolina é jornalista e gosta de contar boas histórias! E-mail: carolinab@tribunadoparana.com.br

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