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Diversão com limites

Com opiniões divergentes e muitas dúvidas da população, principalmente dos jovens, a Tribuna conversou com o responsável pela iniciativa para descobrir a verdadeira intenção do programa Balada Protegida. As ações devem ser rotina de agora em diante e, nesta sexta-feira (27) e sábado (28), vão abranger outras regiões movimentadas de Curitiba no período da noite. A intenção, segundo o secretário da Defesa Social, Algacir Mikalovski, é fazer com que as pessoas aproveitem ainda mais, em segurança.

Sergio: Acredito que deve ter a fiscalização, porque realmente está complicado

Sergio: Acredito que deve ter a fiscalização, porque realmente está complicado

Depois da primeira edição, em que foi usado um bafômetro e pulseiras para identificar quem tinha ou não bebido, o assunto tomou conta das redes sociais. Em uma rápida passagem pelas ruas, as pessoas se mostraram confusas. “Acredito que deve ter a fiscalização, porque realmente está complicado, mas de uma forma que não assuste as pessoas. Precisa também haver um bom senso por parte de quem está na rua”, comenta Sérgio, mecânico aposentado de 64 anos.

Rafael: Fiscalizar faz com que haja mais controle até mesmo no que é vendido pra gente.

Rafael: Fiscalizar faz com que haja mais controle até mesmo no que é vendido pra gente.

Em contrapartida, Rafael, 29, se diz a favor da fiscalização, desde que feita da maneira correta. “Fiscalizar faz com que haja mais controle até mesmo no que é vendido pra gente. Mas no caso do bafômetro, por exemplo, acho que essa fiscalização deve ser feita em quem está dirigindo, não em pedestres”. Segundo ele, que frequenta a noite curitibana, as pessoas também precisam ter um pouco mais de controle, pois às vezes passam do limite.

Já para a comerciante aposentada Rose, não dá para impedir que as pessoas bebam. “Até porque, quem sai à noite, vai para um barzinho ou uma balada, vai beber. Por isso eu acho que a fiscalização também só deveria ser feita em quem está dirigindo. A consciência é de cada um”. Para a mulher, que já trabalhou em bar, a presença dos jovens nas ruas não incomoda. “Não vejo nada demais. Mas acredito que a fiscalização, feita com cautela, pode ser benéfica. Tem que ser pensado em tudo, principalmente para evitar que os empresários acabem fechando os comércios e o desemprego aumente ainda mais”.

Secretaria explica

A Balada Protegida surgiu da ideia de atender às necessidades e demandas do que é visto à noite durante as operações da Ação Integrada de Fiscalização Urbana (Aifu) e também por conta do aumento do público nas ruas. “Procuramos priorizar três pontos: a educação, a conscientização e a proteção do cidadão”, explica Algacir Mikalovski. A secretaria quer fazer valer a Lei Municipal 10.625/2002, que trata sobre o assunto, incluindo o maior alvo de reclamações: a perturbação de sossego. “Esse é o nosso principal objetivo: fazer com que todos aproveitem seu tempo livre como têm direito, seja nas ruas ou em casa”.

Secretário explica que ideia do bafômetro e das pulseirinhas foi simplesmente uma ação educativa.

Secretário explica que ideia do bafômetro e das pulseirinhas foi simplesmente uma ação educativa.

Para o secretário da Defesa Social, a ideia de trazer o bafômetro e juntar isso às pulseirinhas (verde para quem não tinha bebido e vermelha para quem bebeu) foi simplesmente uma ação educativa. “As pessoas foram convidadas a participar da simulação, mas deixamos claro que ninguém seria multado ou preso, por exemplo. Nós só queríamos conscientizar de uma forma mais próxima do real”.

Rose: Eu acho que a fiscalização também só deveria ser feita em quem está dirigindo.

Rose: Eu acho que a fiscalização também só deveria ser feita em quem está dirigindo.

Conforme Mikalovski, os jovens chegaram a fazer fila para participar da ação. Nas situações em que os jovens apontaram quem seria o motorista da rodada e essa pessoa aceitou fazer o teste do bafômetro, o equipamento comprovou que o jovem não tinha bebido. “Não tivemos a intenção de punir, mas sim de mostrar que não se deve exagerar”.

A ideia da prefeitura foi mostrar para os jovens que é possível se divertir sem interferir nos direitos de quem está em casa e não quer barulho, por exemplo. “Mostrar que o nosso direito acaba quando começa o do outro. Quebrando aquele paradigma de que para se divertir precisa infringir as regras”, definiu.

Apoio à Aifu continua

Neste ano já foram feitas três ações da Aifus em Curitiba. Até agora, 11 estabelecimentos foram fechados. O objetivo do Balada Protegida é continuar com sua intenção de educação e orientação, e deixar que a Aifu fiscalize as documentações dos estabelecimentos comerciais, condições sanitárias, licenciamento ambiental para sonorização, certificado do Corpo de Bombeiros e alvarás.

Exemplo pra outras cidades

Foto: Gerson Klaina

O objetivo do Balada Protegida é continuar com sua intenção de educação e orientação, e deixar que a Aifu fiscalize as documentações dos estabelecimentos comerciais. Foto: Gerson Klaina

A secretaria quer fazer valer a Lei Municipal 10.625/2002, que trata sobre o assunto, incluindo o maior alvo de reclamações: a perturbação de sossego.

A secretaria quer fazer valer a Lei Municipal 10.625/2002, que trata sobre o assunto, incluindo o maior alvo de reclamações: a perturbação de sossego.

Conforme o secretário, a intenção da prefeitura é fazer também com que os turistas enxerguem Curitiba como uma cidade segura para sair à noite. “Quem vem visitar a cidade tem que ver que a capital tem bons lugares para sair e, principalmente, que nós cuidamos das pessoas para que elas se divirtam em segurança”, explicou Mikalovski.

“Se, porventura, flagrarmos algo errado, vamos agir e haverá punição como em qualquer outra situação”, alertou. Quando aos estabelecimentos que ainda aguardam por algum tipo de liberação, ações devem ser feitas para os empresários possam regularizar a situação. “E essas pessoas também podem nos procurar, pois não queremos que ninguém seja prejudicado”.

A intenção da Defesa Social é trazer mais guardas municipais e preparar boa parte deles para que também possam atuar no trânsito. Segundo o secretário, 300 novos guardas do último concurso devem ser chamados para treinamento e, até o final do ano, outros 300 podem ser incorporados para aumentar o efetivo nas ruas.

Neste final de semana

Nesta sexta-feira (27), quatro anos após o que aconteceu na Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, a Prefeitura de Curitiba vai fazer ações simultâneas em Curitiba. “O que nós queremos, além de prevenir outros tipos de acidentes e problemas, é justamente evitar que algo mais grave, como o que aconteceu na Kiss, ocorra por aqui”. Além da presença na Avenida Vicente Machado, o Balada Protegida também vai estar em outras regiões de grande movimentação noturna, mas os endereços não foram informados.

União de forças

Foto: Hugo Harada

Foto: Hugo Harada

Representantes da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar) são favoráveis ao Balada Protegida. “O formato foi preventivo e bem visto pelos jovens. Os bares falaram que o maior problema é o terceiro turno, aquele horário depois dos fechamentos, quando o barulho é provocado pelo pessoal que está na rua”, aponta Luciano Bartolomeu, diretor executivo da Abrasel. Uma das ideias em discussão é que estabelecimentos que vendem bebida na rua fechem as portas à meia-noite, mas quem está dentro possa permanecer, para que o barulho não atrapalhe os vizinhos.

Fábio Aguayo, da Abrabar, fala que nenhum empresário é contra a fiscalização, mas que as ações precisam acompanhar as tendências atuais. “Nem sempre o poder público está antenado às novas tendências, os alvarás demoram um pouco para sair. A prefeitura precisa se adaptar, pois não dá para tratar os novos estabelecimentos, como food trucks e essa nova forma de comida de rua, como os outros”. Aguayo defende fiscalização com cautela e bom senso. “Esse mutirão precisa ser feito também para regularizar documentações de quem ainda espera por regulamentação. Agilizar os pedidos dos estabelecimentos mostra que estão com interesse de estar dentro da lei”.

Na semana que vem, a Abrabar tem uma reunião com a prefeitura e pretende colocar vários pontos em discussão. “Bar, restaurante e casa noturna não são as mesmas coisas. Não adianta querer que uma balada feche às 2h, pois não vai ser possível. Já nos casos dos bares, por exemplo, é preciso consciência dos donos para evitar conflitos com a vizinhança. Precisa haver diferenciação, pois assim conseguiremos tratar cada um da forma que merece. É o que buscamos”.

Sobre o autor

Lucas Sarzi

Jornalista formado pelo UniBrasil.

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14 Comentários em "Diversão com limites"


Lutador Antifascista
Lutador Antifascista
2 anos 3 meses atrás
Nada como proteger os riquinhos e filhinhos de papai, o resto da população, nos bairros mais distantes e violentos, estes, estes que se FO-DAM! Viva o Greca e sua primeira CAGA-DA!… Se estão criando problemas com a população ao redor que fechem os bares com música alta e sem proteção acústica, se os clientes causam brigas, destruição e barulho que sejam presos, a PM vai estar lá para cumprir a lei ou para proteger os filhinhos de papai de não serem assaltados? Greca pelo jeito sempre vai ser da ELITE, nunca será do povo, nele acho que ele prefere VOMITAR… Leia mais »
fernando
fernando
2 anos 3 meses atrás

Elcio, deveriam multar esses jacuboys que ficam correndo com aquelas motos velozes com aquele cano de escape barulhento que prejudica a audicao dos outros e deles mesmos.

Elcio Rinaldim
Elcio Rinaldim
2 anos 3 meses atrás

Porque não multar esses motoristas de carro e moto com esses cano de escape aberto. E esses JACU-BOYS que só irão aprender no dia que tiverem filhos ou com a saúde debilitada.

Fernando Fernandes
Fernando Fernandes
2 anos 3 meses atrás

Ridícula esta ação da Prefeitura, não tem nem bafômetro suficiente nas ruas para autuar motoristas (visto a quantidade de acidentes e mortes com motoristas alcoolizados) e agora querem disponibilizar para fiscalizar pedestres ??? aaaaa… vai lavar as tetas com kisuco, faça me o favor.

Denival Jeter Guimarães
Denival Jeter Guimarães
2 anos 3 meses atrás

Pois eh verdade! Mas como está chegando a sharia ao Brasil temos que nos acostumar a punir os bêbados. Começa assim, como brincadeira, daqui a pouco começam a enterrar e apedrejar até a morte.

Emerson Dal Comuni
Emerson Dal Comuni
2 anos 3 meses atrás

Ruas acabadas, saúde afundando, transporte coletivo aos pedaços, e o prefeito preocupado se o pedestre vai ou não beber e o pior, gastando com isso……pra caba….

fernando
fernando
2 anos 3 meses atrás

Pois e, com tanta coisa para arrumar, inventam umas leis sem nocao.

jefferson alfini
jefferson alfini
2 anos 3 meses atrás

to nem ai

tricolor SemPRe
tricolor SemPRe
2 anos 3 meses atrás

Aos esquerdinhas de plantao, e outros reacionarios: nao venham com outra droga para cima da sociedade, levem essa poha de politicamente correto lah para os cafundos do juizo final.O jovem tem que se divertir sim, mas com limites, gostem ou nao.Apoio integralmente estas acoes por parte das autoridades.

Emerson Dal Comuni
Emerson Dal Comuni
2 anos 3 meses atrás

De direita vc e o Bill Gates……

tricolor SemPRe
tricolor SemPRe
2 anos 3 meses atrás

Jah tive 18, que eh quando queremos e podemos tudo.Com esquerda ou direita, essa meninada, tem que ser preservada.

Denival Jeter Guimarães
Denival Jeter Guimarães
2 anos 3 meses atrás

Tem que acabar com todas essas baladas, prender todos os bêbados e obriga-los a participar dos cultos dos pastores durante 7 semanas todos os dias. E depois disso devem participar das reuniões do AA até que deixem de beber. E se um dia voltarem e forem pegos novamente devem ser enviados para o ISIS pois lá não há álcool, apenas ópio que faz bem à saúde!
A fábrica de 51 deve se tornar um novo produto de álcool para automóveis. E as fábricas de cerveja tem que ser convertidas em fábricas de Dolly pois refrigerante faz bem para a saúde.

Paulo Cesar
Paulo Cesar
2 anos 3 meses atrás

Denival sinceramente este seu comentário é sem pé e nem cabeça. Está dificil de entender o recado. Seja claro e inteligente nos comentários. E uma coisa. Não misture religião, associação de ajuda aos alcoolicos, grupos extremistas com a ação que está sendo desenvolvida pelas autoridades locais.

A questão é séria e acredito que irá beneficiar a todos, até você que deve ter tomando mais que devia antes de escrever tanta baboseira.

fernando
fernando
2 anos 3 meses atrás

Denival seu comentario nao tem nada a ver com a reportagem. Nao misture religiao com AA, nem com a ideia do prefeito. Se nao tem argumento, melhor ficar na sua em vez de escrever asneiras como essa.

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