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Augusta

Belo e perigoso

A beleza do Parque Passaúna, ao longo de seus 3,5 quilômetros de extensão e 70 mil metros quadrados de área no bairro Augusta, divisa da capital com Campo Largo, é inegável. Represa, áreas verdes e mirante fazem do local uma excelente opção gratuita de lazer. Porém, a infraestrutura está deixando a desejar, conforme frequentadores. Eles reclamam de buracos na ciclovia e da falta de banheiros, lixeiras e vagas de estacionamento e comércio.

Foto: Giuliano Gomes
Luiz teve o carro roubado. Foto: Giuliano Gomes

A insegurança também é criticada. Há furtos e roubos e ainda risco de afogamentos, já que o banho não é permitido, mas a norma não é respeitada. O promotor de vendas Luiz Carlos Antqueves, 32 anos, teve o vidro do carro quebrado e o aparelho de DVD roubado há seis meses. O veículo estava estacionado na Rua Eduardo Sprada, perto da represa. “O bairro Augusta é muito tranquilo de morar, o problema é o parque, mesmo. Nunca vi ronda da Guarda Municipal por aqui”, diz.

Sua esposa, a promotora de vendas Eloisa Cristina Santos Guesso, 23, comenta que o mirante é um ótimo passeio para as crianças, mas a falta de local para estacionar complica os planos. Para o bombeiro militar André Farion, 40, a situação se agrava. Pai de uma menina cadeirante, ele afirma que a prefeitura não respeita a lei de acessibilidade, já que não há vagas exclusivas para pessoas com deficiência.

André: "Não há acessibilidade". Foto: Giuliano Gomes.
André: “Não há acessibilidade”. Foto: Giuliano Gomes.

O acesso da família ao parque é limitado aos dias de semana. “É inviável estacionar do lado de fora e vir empurrando a cadeira de rodas no sábado e domingo, já que o antipó do acesso ao parque é bem ondulado”, observa. André conta que frequenta o Passaúna desde sua inauguração, em 1991, e que é o melhor parque de Curitiba pela qualidade da água. Mas desde que teve sua filha, as visitas se tornaram bem mais esparsas.

Afogamentos e pesca

Foto: Giuliano Gomes
Everton: “Não dá nem pra contar quanta gente já morreu afogada aqui”. Foto: Giuliano Gomes

O casal Maicon Borges, mecânico de ar condicionado, 21, e a auxiliar administrativa Ana Claudia Borges, 18, visitava o parque pela terceira vez, e desconhecia que o local tinha sanitários. “Ah, aqui tem banheiro? Nem sabíamos”, comentaram. Para o projetista Everton Braga, 35, que mora próximo, já que a proibição de nadar não é respeitada, deveria haver salva-vidas. “Não dá nem pra contar quanta gente já morreu afogada aqui”, afirma.

Seu amigo, o autônomo Flávio Rodrigues, 36, comenta que falta restaurante, lanchonete, churrasqueiras cobertas, recapeamento da pista de caminhada e presença da Guarda Municipal (GM) para coibir os banhos e a pesca. “Isso aqui é lotado. Mesmo com a falta de estrutura, o povo não desiste do parque.” A reportagem encontrou um guarda no posto da Guarda Municipal do local e contou mais de 12 pessoas pescando na represa próximo à Rua Eduardo Sprada.

Melhorias estão em estudos

Foto: Giuliano Gomes.
Uma revitalização está em estudo. Foto: Giuliano Gomes.

A prefeitura informou que o Parque Passaúna recebe muitas solicitações para melhorias devido à sobrecarga de público que vem recebendo nos últimos anos, e que está realizando estudos junto com a Sanepar para incrementar a infraestrutura. Contudo, não há reformas previstas para 2016. “Uma revitalização está em estudo, com recapeamento, pintura de vagas e meio-fio, da rua do mirante até a prainha, das pistas de caminhadas e dos estacionamentos, com valor orçado em aproximadamente R$ 400 mil”, revela.

Quanto à carência de sanitários, a prefeitura diz que existe no local uma lanchonete que deve atender ao público com banheiros, além dos que ficam próximo ao posto da GM. “Quanto à implantação de novas churrasqueiras, não há espaço físico. A pista para caminhadas pode ser utilizada sem problemas, mesmo rusticamente pela deterioração do antigo asfalto.” Segundo a nota, a GM realiza rondas periódicas no local, alertando em relação ao uso da água e demais transtornos. Nos finais de semana, a fiscalização de poluição sonora sempre é acionada por causa do abuso do som alto.

De acordo com a prefeitura, em 2014 e 2015 foram instaladas mais 12 churrasqueiras a céu aberto e 10 lixeiras, além da reforma das pontes e das cinco churrasqueiras cobertas, revitalização do estacionamento do mirante com asfalto, drenagem e meio-fio, desassoreamento do córrego e implantação de cerca no módulo da Guarda Municipal.

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Sobre o autor

Luisa Nucada

Luisa Nucada

Luisa Nucada é jornalista formada pela UFSC.

(41) 9683-9504