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Augusta

Assaltos na vila

Ricardo Pereira
Escrito por Ricardo Pereira

A calmaria e a tranquilidade que a represa do Passaúna, às margens do bairro Augusta, podem transmitir não passam de aparência. Mesmo vivendo a poucas quadras de um dos parques naturais mais bonitos de Curitiba, os moradores da Vila São José vem sofrendo com os frequentes assaltos em plena luz do dia.

“Os assaltantes têm uma rotina, eles agem bem cedo, entre 5h30 e 6h, ou no fim da tarde. Levam o que for possível: celular, blusa, tênis de marca”, relata Laura Graciele Silva, moradora do bairro há quase 30 anos. Há poucos dias, ela presenciou um assalto na frente de casa. “Dois rapazes, em uma motocicleta e armados com uma pistola, abordaram um vizinho que esperava o ônibus. Depois de roubar, eles mandam a vítima sair correndo e não olhar para trás”.

Segundo Jucimara de Moraes, funcionária de um salão de beleza, os assaltos são semanais. “Algumas vezes, a gente tem três ou quatro ocorrências na mesma semana. O meu pai foi assaltado quando chegava em casa depois de trabalhar a noite toda. Assim que abriu o portão, foi abordado por um rapaz armado e que levou todos os pertences dele. Felizmente o assaltante não fez nada com meu pai”.

Assalto no ponto

Assaltos acontecem entre 5h30 da manhã e no final da tarde. Foto: Felipe Rosa
Assaltos acontecem entre 5h30 da manhã e no final da tarde. Foto: Felipe Rosa

Funcionário de um estabelecimento na Rua Cidade Jardim Olinda a principal da vila, Rodrigo*, que mora há 40 anos na região, lamenta os casos frequentes. “Posso dizer que, aqui dentro do comércio, a gente não pode reclamar de assalto. Mas, na rua, é um ‘Deus nos acuda’. Andar a pé no bairro é sinônimo de perigo. Já cheguei a ver dois assaltos no mesmo dia. A maioria acontece nos pontos de ônibus”, afirma. O filho dele, Alysson*, 14 anos, confirma a rápida ação. “Eu e meus amigos voltávamos de uma partida de futebol. Os dois caras da moto chegaram com uma arma e nos fizeram entregar nossos celulares”.

Em uma volta pelo bairro, não é difícil encontrar alguém que ao menos conheça alguma vítima. Marcelo* diz que a esposa escapou de ser assaltada porque havia saído para caminhar e não carregava nenhum pertence. “Sem bolsa ou celular, os rapazes da moto até pararam do lado dela, mas, quando viram que não teriam nada pra levar, fugiram rapidamente”.

*Rodrigo, Alysson e Marcelo são nomes fictícios, já que os entrevistados preferiram não se identificar.

Cadê a polícia?

Morador já presenciou dois assaltos no mesmo dia. Foto: Felipe Rosa
Morador já presenciou dois assaltos no mesmo dia. Foto: Felipe Rosa

“Polícia mesmo a gente só vê quando acontece alguma coisa muito mais grave, porque não adianta ligar que ela não aparece. Ninguém aqui vê qualquer tipo de monitoramento ou ação para prevenção de crimes”, desabafa a doméstica Rose dos Santos.

Além dos assaltantes que utilizam uma motocicleta, há um casal, já conhecido dos moradores. Rose afirma que já foi testemunha de uma ação. “Eles usam um carro preto que, na hora do desespero, a gente não consegue nem identificar. Eles costumam parar em algum ponto de ônibus para pedir informação. No mesmo instante anunciam o assalto. Pude ver a mulher descer do veículo, encapuzada, e roubar as bolsas de cinco mulheres que aguardavam o ônibus. Enquanto isso, o homem, ao volante, ameaçava atirar caso alguma reagisse”.

PM se diz presente

Foto: Felipe Rosa
Foto: Felipe Rosa

Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Polícia Militar do Paraná refuta as denúncias da população. Diz que o policiamento preventivo e ostensivo é feito diariamente no Augusta pela Radiopatrulha, Rotam e Serviço Reservado do 23º Batalhão. Além disso, afirma que ações pontuais são desempenhadas pelo Bope em dias e horários específicos. E promete reforçar o efetivo nas áreas com maior necessidade quando os 2 mil soldados em formação concluírem o curso.

A corporação alega ainda que, quando recebe alguma denúncia de arrastão no transporte coletivo, disponibiliza policiais à paisana dentro dos ônibus. A PM pede para que a população não ostente dinheiro ou objetos de valor e que também tenha o costume de registrar boletins de ocorrência, pois são eles que orientam o embasamento e o direcionamento de policiais na capital.

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Ricardo Pereira

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Jornalista

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