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Atuba

Cantata de Natal sob risco: "Não pedimos dinheiro, queremos é a ajuda da população"

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Escrito por Lucas Sarzi

A história de Andreia e Adriano Ribas começou há quase dez anos, com a necessidade que sentiam de prestar algum tipo de apoio às crianças do bairro Atuba, em Colombo. O projeto Nova Terra, que começou na garagem da residência do casal, hoje ganhou uma estrutura bem maior e atende cerca de 100 crianças.

Há quatro anos, o Natal vem sendo um dos momentos mais importantes para os participantes do projeto, mas nesse ano as coisas estão mais difíceis e a já tradicional Cantata de Natal está ameaçada.

O projeto surgiu em 2010 e ficou seis anos na garagem. “Atendíamos em torno de 40 a 50 crianças e já estávamos num limite. Foi aí que surgiu o imóvel que poderíamos alugar e dar ainda mais força ao projeto, nós embarcamos de vez”, contou Andreia, que largou o emprego para se dedicar integralmente às ações sociais.

Diariamente, o Nova Terra atende as crianças, a maioria delas em situação de vulnerabilidade, oferecendo um suporte às atividades escolares. “Oferecemos oficinas de princípios e valores, dança, canto, educação física (numa parceria com o Sesc), violão, ballet, teatro e aos sábados ainda temos cursinhos preparatórios para adolescentes”, detalhou a organizadora.

Sobrevivendo 100% de doações, o projeto tem se sustentado da forma que consegue. O casal, que antes tinha uma vida normal, hoje em dia já nem se lembra do antes e sim do que se tornaram. “Nós vivemos como as crianças vivem. E ver a transformação toda que acabamos fazendo parte na vida dessas crianças é o mais gratificante. É o que nos move”, comentou Adriano.

Natal com união

Quando ainda estavam na garagem de casa, Adriano e Andreia já tinham o sonho de promover uma grande festa, ao final do ano, para mostrar o quanto as aulas e o trabalho com as crianças surte efeito. “Mas na garagem não tínhamos como. Com a mudança para o prédio, tínhamos exatamente o que nós precisávamos: uma sacada.

Foi aí que, há três anos, vimos a vida das crianças mudar ainda mais com a expectativa da chegada do Natal para poderem cantar para os vizinhos”, disse Adriano. No ano passado, assim como nos outros anos, a cantata aconteceu e estava tudo programado para este ano, mas as coisas não funcionaram como estavam previstas.

“Nós contamos com os apoiadores, porque já fazia três anos que nos ajudavam, mas neste ano deixaram de investir. Esse valor, que dava para fazermos tudo com muita tranquilidade, não temos mais, então não sabemos se vamos conseguir alugar som, iluminação e um palco que precisamos”, detalhou, com tristeza, o organizador do projeto.

Sem saber como dar sequência ao sonho, Adriano explicou que, até mesmo em respeito às crianças, que já estão ensaiando há alguns meses, a Cantata vai acontecer. “Só não vai ser como nós imaginamos. Tentamos apoio da prefeitura de Colombo, mas fomos informados que, por ser mais de um dia, não teria como nos ajudar. Deixei na mão de Deus mesmo, porque a gente não tem muito o que fazer”.

Bora ajudar?

Programada para os dias 12, 13, 14 e 15 de dezembro, a Cantata vai acontecer seguindo a programação, com direito a ruas fechadas no cruzamento da Rua Enemézio do Rosário Júnior com a Rua João Boneti.

No primeiro dia, quem abre as apresentações é o cantor Rogério Cordoni (cover de Elvis) e em todos os dias as apresentações seguem o mesmo padrão: as crianças cantam dez músicas e junto disso também apresentam dança e, neste ano, uma novidade: vão encenar o nascimento de Jesus.

No ano passado, como tinham a ajuda dos dois apoiadores, os organizadores do projeto Nova Terra conseguiram alugar o som, iluminação, um palco e sobrou dinheiro até para fazer as roupas das crianças e o lanche para os pequenos, que chegam às 18h nos dias de apresentação. “Nesse ano não temos condição nem de oferecer o lanche. Mas também não pedimos dinheiro, queremos mesmo é ajuda da população: se alguém puder ajudar com o que precisamos, já vai ser muito lindo”, pediu Adriano.

O contato do projeto Nova Terra é o (41) 98455-6490 ou 99565-8578.

Sobre o autor

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Lucas Sarzi

Jornalista formado pelo UniBrasil.

(41) 9683-9504