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Alto da XV

Epidemia de roubo

Thais Skodowski
Escrito por Thais Skodowski

O medo é companhia constante de quem anda pelas ruas do Alto da XV, em Curitiba. Não importa o horário. Quem frequenta a região, já foi ou conhece alguém que tenha sido roubado. João Lopes, 22 anos, é músico e foi assaltado por dois homens quando caminhava pela Rua Itupava até um restaurante.

“Os dois chegaram, perguntaram as horas e nisso, começaram a pedir celulares e tudo mais”, relata. Segundo o músico, o assalto foi rápido e não houve agressão física. Os ladrões não mostraram armas, mas um deles ficou com a mão no bolso como se tivesse com uma. João fez boletim de ocorrência, porém não conseguiu recuperar o telefone e os documentos levados. Esta foi a terceira vez que ele foi roubado no bairro. Além disso, o músico conhece mais dois amigos que foram assaltados na região em outras duas tentativas de roubo.

Um homem – que não quis se identificar – e trabalha próximo a um ponto de ônibus, na Rua Padre Germano Mayer, também tem vários relatos de assaltos que presenciou nas últimas semanas. “Duas moças que estavam no ponto de ônibus foram assaltadas. Era umas 16h, elas tinham saído do trabalho no shopping. Os caras roubaram elas, saíram correndo, deram de cara com uma viatura e entraram armados na praça de alimentação do shopping”, conta, sobre um assalto que ocorreu há um mês. O comerciante também viu um idoso ser roubado quando entrava no carro e um rapaz ser assaltado nesta semana quando saía da agência do HSBC na esquina das ruas Germano Mayer com Marechal Deodoro.

A mesma história é repetida pela funcionária de um salão de beleza, que por medo, não quis se identificar. Ela confirma que os assaltos, principalmente próximo ao PolloShop, são frequentes. “Outro dia roubaram uma mulher que estava entrando no carro”, diz. Na maioria dos casos, os assaltantes agem em dupla e um deles está armado. Eles preferem os pedestres, especialmente quem está esperando o ônibus no ponto. Os assaltos são rápidos e os ladrões fogem em direção à linha férrea.

De acordo com as denúncias, a polícia só aparece no bairro quando é chamada para atender as ocorrências.

À espera de efetivo

Foto: Átila Alberti
Assaltantes preferem pedestres que ficam no ponto de ônibus. Foto: Átila Alberti

Questionada pela Tribuna sobre a falta de policiamento frequente no Alto da XV, reclamada pelos moradores e trabalhadores do bairro, a Polícia Militar informa que está formando mais de 2 mil novos policiais militares em todo Estado, uma grande parcela deles em Curitiba, para reforçar o policiamento nos locais com maior necessidade. “Assim que se formarem, os novos integrantes serão distribuídos conforme planejamento”, promete, em nota.

No momento, o Comando do 20º Batalhão da PM informa que o policiamento ostensivo e preventivo está sendo feito na região do Alto da XV, diariamente, com radiopatrulha e Rotams. O BOPE também faz rondas na região em horários específicos. A corporação orienta que os fatos ocorridos devem ser registrados em boletins de ocorrência na Polícia Civil. Informações como características de marginais ou placas de veículos devem ser repassadas para ajudar na investigação e identificação de suspeitos. A PM pode ser chamada por meio de 190.

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