“VOU TE BATER!” – Assim anunciou um Maori quando me encontrou na calçada de uma das avenidas mais movimentadas de Auckland, na Nova Zelândia. Não disse oi, não pediu licença, não se apresentou… apenas chegou com raiva no olhar e disse: VOU TE BATER!

Em 2009 eu tive a oportunidade de passar 3 meses na Nova Zelândia. E o primeiro mês da minha estadia foi na casa de uma família neozelandesa. Porém, uma família neozelandesa branca, descendentes diretos dos colonizadores ingleses que chegaram nas ilhas há muitos anos atrás. Colonizadores esses que travaram guerras sangrentas com o povo indígena que tentava a todo custo defender as terras que haviam encontrado primeiro, os chamados “Maoris”, que significa no próprio idioma nativo “o povo original”.

Os Maoris são um povo tribal da Polinésia, mas que chegou primeiro nas ilhas da Nova Zelândia e, apesar dos ingleses terem maior tecnologia na época da invasão, os Maoris sempre foram uma tribo muito guerreira e de estrutura corporal grande, portanto resistiram bastante às batalhas travadas. Foram anos de combates até que os dois povos chegaram a um acordo de cessar guerra, em 1840.

All Blacks, time de Rugby da Nova Zelândia realiza o Haka,
dança Maori que visa intimidar o adversário de uma batalha | Foto: Divulgação Instagram @allblacks

Mas toda essa história de guerras entre os povos gerou um conflito racial que perdura até hoje na Nova Zelândia. Basta conversar com Maoris e neozelandeses e você irá perceber que eles não possuem muito apreço um pelo outro. Tanto é, que um dos primeiros conselhos que a família neozelandesa me deu, logo no meu primeiro dia no país, foi para tomar muito cuidado com os Maoris. Me falaram que era um povo agressivo, que gostava de confusão e briga.

Encarei apenas como um comentário racista e não como um conselho válido… mal sabia eu que nem uma semana depois eu quase iria apanhar no meio da rua.

Era meia noite e eu estava no centro da cidade conversando com uma amiga. Haviam pouquíssimas pessoas na rua quando, de repente, um Maori chegou agressivamente interrompendo a minha conversa. Era como se ele nem tivesse percebido que eu estava acompanhado. Me olhou com muita raiva nos olhos e disse que iria me bater. Eu imediatamente falei uma frase que nos ajuda bastante pelo mundo: sou brasileiro!

Sim meus amigos, muitos pensam que os brasileiros são mal vistos fora do país, porém nas muitas experiências de viagens que tive, ao falar que era brasileiro, fui muito bem tratado. E não foi diferente nesse caso, pois o Maori relaxou de toda a tensão que estava e abriu um sorriso.

“Você é brasileiro!?”

“Sim, sou brasileiro! Pra que confusão? Sou tranquilo. Estou aqui conversando com uma amiga óh, e a última coisa que quero é ter uma briga no meio da rua”

“Ah, vocês estão juntos? Desculpa, eu não tinha percebido. É que um cara me deu um soco ali na rua de baixo e agora eu preciso bater em alguém! Desculpa mesmo. Eu adoro o Brasil. Vou arrumar outra pessoa para bater”

E assim ele se foi, com os punhos fechados e caçandooutro desatento pela rua.