A exemplo da maioria dos jovens, logo que terminou o Ensino Médio, Pedro Neschling pensou em qual profissão seguir. Embora não estivesse muito certo do que fazer, uma coisa ele sabia: não queria ser ator. Afinal, ele cresceu vendo os ?perrengues? que a mãe, a atriz Lucélia Santos, passava por causa da instabilidade da profissão. Por isso, resolveu acreditar que por trás das câmaras estaria mais ?seguro?. Aos 17 anos, foi para a Inglaterra, onde fez dois cursos de cinema. Na volta ao Brasil, produziu, roteirizou e dirigiu seu primeiro curta, Vou zoar até morrer. Mas foi quando pisou nos palcos pela primeira vez, aos 19 anos, na peça De caso com a vida, que o ator – que vive o romântico Rafa em Páginas da vida – percebeu que era atuando que se realizava. ?Essa vontade foi natural, e foi ficando cada vez mais forte. Quando vi que não tinha jeito, decidi levar a interpretação a sério?, recorda.
Começar a carreira no teatro e no cinema não foi lá muito difícil para Pedro. Mas a mesma ?facilidade? não se aplicou à tevê. Ele se inscreveu em mais de 15 testes, mas não foi aprovado em nenhum. Até que Cininha de Paula o convidou para fazer o Percival no Sítio do pica-pau amarelo. Depois, veio a primeira novela, Da cor do pecado, na qual ele viveu o hilário Dionísio Sardinha. Em A lua me disse, Pedro foi o mulherengo Murilinho. Agora, o atencioso Rafa representa uma novidade para o ator, justamente por ser seu primeiro papel dramático na tevê. E, é claro, por Páginas da vida ser sua primeira novela das oito. ?Sempre fiz comédia na tevê, mas estou descobrindo que posso fazer uma coisa que eu nem imaginava, que é o drama?, surpreende-se.
Apesar de acreditar estar convencendo como um rapaz ?normal?, sem os traços caricaturais dos ?tipos? que viveu anteriormente, Pedro não esconde que se sente muito mais à vontade quando o assunto é fazer rir. Para ele, o famoso timing da comédia é bem mais simples que o ?sofrimento visceral? exigido pelo drama. Racional e autocrítico, ele avalia que qualquer interferência externa pode desandar uma cena mais ?pesada?.
Com o ritmo acelerado – e nada regrado – de gravações, Pedro prefere não fazer planos para quando a novela terminar. O ator é um dos raros no elenco que diz não se importar com a pouca frente dos capítulos. Afinal, segundo ele, Maneco deixou claro desde o início que este é seu estilo de trabalho. Talvez por ter acompanhado a mãe, desde muito cedo, no universo da interpretação, o rapaz demonstre, aos 24 anos, a serenidade de quem conhece os percalços da profissão.
Fabíola Tavernard – PopTevê
Pele de víbora
Desde que estreou na tevê há 11 anos, Lavínia Vlasak sempre foi comparada à atriz Audrey Hepburn. Pelos traços delicados e um certo ar de quem flutua entre os simples mortais. Os papéis de mocinha que colecionou ao longo da carreira também deram margem às semelhanças. Como a vilã Erínia de Vidas opostas, a atriz não perdeu os encantos de ?diva?. Pelo contrário. É com sensualidade e uma certa arrogância no olhar que ela conduz a estilista pelos caminhos mais tortuosos. A cada cena que faz, Lavínia se diverte com as alfinetadas e agulhadas que Erínia lança aos menos afortunados. ?Daqui a pouco serão punhais, facas e espadas?, avisa.
O problema de Erínia é o mesmo de muitas mulheres sem o mesmo sex appeal que ela: a rejeição. Ao se ver trocada por outra, perde o chão e só pensa em vingança. Noiva de Miguel, de Léo Rosa, gênio da matemática e riquíssimo herdeiro de uma cadeia de hotéis, a estilista vê seu castelo de sonhos desmoronar quando perde o futuro marido para Joana, de Maytê Piragibe, moradora de uma favela e muitos dígitos mais pobre que Miguel. ?Ela toma um pé na bunda enorme. Não se conforma e vai fazer de tudo para destruir o casal. Não há nada pior que uma mulher ferida?, conclui.
Ao falar sobre a personagem, um brilho no olhar e um sorrisinho quase cínico passam a dominar o semblante de Lavínia. Expressões de quem está se divertindo. Ela sabe que tem nas mãos ferramentas suficientes para fazer de Erínia um papel marcante. ?Na vida, tento ser bacana, do bem. Acredito no ?aqui se faz, aqui se paga?. Então não quero fazer nada de ruim para que não volte para mim.
E como é bom exercer essa maldade e ainda ser paga para fazer isso!?, empolga-se.
A mulata é a tal
Aline Aniceto sempre gostou de Carnaval. Nascida e criada no Morro do Andaraí, na área de Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, desde pequena a mulata impressionava pelo rebolado e samba no pé. Equilibrada em saltos altíssimos, ela não perdia a chance de mostrar que, a exemplo da família, seria uma freqüentadora assídua dos ensaios das escolas de samba cariocas. Depois de desfilar em diversas delas – ela jura que não torce para nenhuma em especial -, o que a passista de 20 anos não imaginava é que encarnaria, pelo segundo ano consecutivo, o papel de mulata Globeleza.
A musa vai embalar, a partir de hoje, a vinheta da Globo criada por Hans Donner para a época da folia. ?Ser escolhida o ano passado foi um susto enorme. Permanecer esse ano, então, eu não esperava. Mas, desta vez, confesso que me sinto mais preparada?, afirma ela, que aparecerá sambando com pouquíssima roupa em um cenário de computação gráfica nos intervalos de programação da emissora.
Preparação, aliás, é a parte mais ?difícil? que Aline tem de encarar. Além das aulas de balé clássico, contemporâneo e jazz – que ela faz desde a adolescência -, a mulata tem de malhar para ganhar massa muscular. É isso mesmo. Ao contrário da grande maioria das mulheres que embarcam em dietas milagrosas para perder os indesejáveis quilinhos a mais, a Globeleza foi abençoada com uma genética de dar inveja. Com 1,70 m, ela tem de suar a camisa e ?puxar ferro? para manter seus 50 quilos bem distribuídos. ?Ganhei massa muscular, mas nessas duas últimas semanas não pude ir à academia. Dei uma ?murchada?. Se não me cuidar, emagreço?, provoca a moça. Mesmo fininha, no teste realizado no ano passado ela desbancou 50 concorrentes.
Os cuidados também servem para dar um melhor condicionamento físico a Aline. Não que a gravação da vinheta tenha testado a resistência da nova Globeleza. Ela foi feita em apenas um dia e lhe exigiu o que ela considera o ?de menos?: samba no pé. No máximo, forçou-a a exercitar a paciência para as várias tomadas de câmara que exploravam seus ângulos mais ?favoráveis?. O mais cansativo para ela foram as três semanas em que teve de fazer infinitas provas do fiapo de roupa que vai usar em cena. ?O traje foi feito sob medida, todo preparado no meu corpo mesmo. Essa parte, sem dúvida, foi mais barra pesada?, observa.
Fabíola Tavernard – PopTevê
Lado animal
Até chegar a Pé na jaca, Alexandre Schumacher só havia feito uma participação em Uga uga, há seis anos. Diferente da primeira experiência, em que o personagem tinha pouco destaque na trama, o ator foi surpreendido com um papel cheio de nuanças. Atencioso, afetuoso e apaixonado pela esposa Guinevere, vivida por Juliana Paes, Caco é alcoólatra. E depois que bebe, acaba metido em confusões, se torna extremamente possessivo e bate com vontade na mulher. Apesar disso, Alexandre não o considera um algoz.
?Ele é humanizado. É uma boa pessoa que infelizmente foi dominada pelo vício?, defende o ator, que sai esta semana da trama, depois que Caco morre ao despencar de uma janela.
Previsto para fazer apenas uma participação no início da história, Alexandre agradou à produção da novela, que resolveu apostar no drama real vivido pelo personagem. E que, pelo visto, despertou a identificação dos telespectadores. ?As pessoas vêm falar comigo de forma muito carinhosa. Até agora, ninguém o recriminou?, surpreende-se o ator.
Sem muito tempo para compô-lo, Alexandre buscou inspiração em Stanley Kowalski, personagem do clássico Um bonde chamado desejo, de Tennessee Williams, para caracterizar o personagem. ?Ele e o Caco têm muito em comum, como o excesso de ciúme, o jeito infantil e o fraco pela bebida?, compara o artista, que ainda teve de perder alguns quilinhos por conta da novela. ?Comecei bem gordo por causa de um personagem teatral. Mas fechei a boca?, diz.
E embora a novela seja repleta de tipos cômicos, Caco se destaca pela seriedade. Geralmente metido em problemas, são raras as cenas em que o ator aparece sorrindo ou descontraído. ?Ele nunca está gratuitamente na tela. A situação dele é muito realista. Quando tem humor, é algo bem leve?, justifica.
Ator de teatro desde os 17 anos, Alexandre, que também é cantor, não pensava em fazer novelas. Mas garante que a experiência com Caco lhe deixou com novas perspectivas sobre a carreira. ?Espero voltar em breve. E, preferencialmente, conciliando as duas atividades?, planeja o ator, que recentemente esteve em Por toda a minha vida, especial sobre a vida da cantora Elis Regina.
Natalia Castro – PopTevê