Fernanda Montenegro tem um jeito característico de se fazer entender. Ao final de cada resposta, quase sempre arremata com um "compreende?". Essa constante "certificação" muitas vezes já foi usada também pelas personagens que interpretou e que deram a Fernanda o título de grande dama do teatro brasileiro. A julgar pelas primeiras cenas de Belíssima, que estreou na última segunda-feira, a atriz está prestes a colecionar mais elogios, aplausos e adjetivos.
Bia Falcão é uma matriarca pragmática, dominadora e pretensiosa. Amada por bem poucos e odiada por muitos. Ou seja, uma vilã. Mas Fernanda não gosta desse rótulo. "Ela é dúbia. O ser humano não é todo mal e todo bom o tempo inteiro. Conduzi-la assim seria esvaziá-la, compreende?", pondera. Pode ser que o público a compreenda. Ou não. Afinal, Bia Falcão, a comandante da fábrica de lingeries que dá nome à novela, vai mesmo é infernizar a vida dos netos Júlia e Pedro, vividos respectivamente por Glória Pires e Henri Castelli. Com a neta, a oligárquica Bia tem os maiores embates, por não reconhecer nela a bela filha que perdeu num trágico acidente de avião. "Ela quer que a neta repita os passos da mãe e que seja mais racional", descreve Fernanda. Já com Pedro a relação é ainda mais tempestuosa. Bia odeia o fato de ele ter se casado com uma ex-garota de rua, Vitória, interpretada por Cláudia Abreu. "Ela a acha uma oportunista e, no fundo, o que quer é proteger os negócios que sustentam toda essa família", explica Fernanda. A atriz prefere se manter alheia ao futuro de Bia Falcão, mas comenta-se que ela vai morrer assassinada por volta do capítulo 40, aumentando o número de vítimas e dando a cara de suspense característica das tramas de Sílvio de Abreu. "Eu ainda não sei de nada. Os autores também gostam de manter a surpresa para nós", desconversa ela, que já teria dito não ter mais disposição para fazer televisão. "Não foi bem isso. Acho que não suportaria fazer uma novela inteira. É quase um ano envolvida num projeto", justifica.
Você não gosta de classificar a Bia como vilã. Por quê? Ela não é uma vilã clássica, essa de folhetim. Essa que é ruim porque tem que haver uma pessoa ruim para fazer maldades. Ela é motivada por uma vida dura. É batalhadora, pragmática. Para ela, os fins justificam os meios. E o que ela quer é que a empresa não morra, que a neta seja mais racional. Ela perdeu uma filha deslumbrante e linda. Ninguém que perde um filho sai ileso dessa experiência. Ela quer que a vida não regrida. São características muito diferentes de uma Maga Patológica.
Você já havia dito que não iria mais fazer televisão. Por que voltou atrás? Eu não disse isso. Fiz Hoje é Dia de Maria. A minissérie te dá um tempo de respiro, não é tão fortemente industrializada quanto a novela. Mas convite do Silvio eu não recuso. Do Gilberto (Braga) também não. E trabalhar com Denise (Sarraceni, a diretora) era uma vontade de muitos anos. É uma diretora e criadora de grande qualidade. A sedução está em fazer projetos que não sejam previsíveis. Que tenham surpresa e onde eu possa ter um trabalho diferente. A Bia me encanta não porque ela é má ou boa, é por ter dualidade.
A temática da novela é a beleza, de como as pessoas se comportam diante dela e distante dela. Como você vê esse culto à beleza nos dias de hoje? Acho que a beleza é sempre tocante. Um pouco de beleza é uma alegria eterna. Acho que há uma espécie de industrialização na solicitação de beleza. Uma beleza exterior muito solicitada pela indústria de cosméticos, da moda, as revistas vendem essa beleza o tempo todo. E tudo é conseqüência de uma coisa e outra. No nosso meio mesmo, de vez em quando se deixam guiar pela beleza e até descobrem talentos. Mas a gente descobre muito mais beleza do que talento.
Simples e apaixonada
O estilo sofisticado e longilíneo de Lavínia Vlasak já lhe rendeu personagens com o mesmo tom, como a Estela de Mulheres apaixonadas e a dissimulada Alice de Força de um desejo. Fugindo ao estereótipo, apesar de jurar que não se preocupa com rótulos, a atriz protagoniza Prova de amor, na Record, como a simples Clarice. A jovem, se não fosse a vida repleta de desgraças que a trama pretende mostrar, em nada foge à normalidade. "Ela me dá um ar mais comum. Apesar de bonita, deixa os cabelos soltos, as unhas curtas. Estou adorando gravar de tênis e sandália de dedo", entrega. Não ter de se preocupar com o cabelo ou com o tamanho das unhas chega a ser vantagem na rotina de Lavínia. Afinal, a atriz de 29 anos não tem de encaixar uma ou outra ida ao salão entre as gravações, que por muitas vezes começam às 8h da manhã e se estendem até a madrugada. "Eu estou praticamente morando na Record", brinca. Totalmente dedicada à novela e à carreira, a atriz conta que, desde pequena, sempre sonhou com a profissão. Era por conta dela que ficavam as apresentações de final de ano para a família. A carreira de modelo, iniciada aos 15 anos, só aconteceu para que Lavínia aprendesse a lidar com o dinheiro e pudesse pagar seus cursos de teatro. Afinal, a vontade de ser atriz só crescia enquanto a moça percebia que não levava jeito para desfilar coleção primavera-verão no inverno, ou coleções de outono-inverno sob um calor de 40 graus. "Para ser modelo tem de se ter talento. Ficava angustiada de ter de fotografar, desfilar e ficar quieta", confessa.
Ser a protagonista de Prova de amor" foi o que mais pesou na sua decisão de trocar a Globo pela Record? Se eu disser que isso não pesou, vou estar mentindo. Até porque tenho de aproveitar que ainda estou na idade de interpretar mocinhas. Dinheiro também conta, mas não falo em números. Mas o principal foi a competência da equipe com que eu trabalho. Como eu preciso sempre acreditar no que faço, quis ter a certeza de estar muito bem amparada. O Tiago Santiago já provou que é um autor de talento. Os diretores, a equipe técnica e o elenco são todos de primeira linha. Certa que a novela teria tudo para ser um sucesso, e que teria qualidade, não tive como negar.
Como se preparou para viver a Clarice? Por ser uma personagem bastante "humanizada", a composição foi mais fácil? Busquei a moça sonhadora, mas que amadureceu com o passar do tempo que há dentro de mim. Porque a Clarice é assim: um doce de pessoa, mas apanha tanto da vida que acaba se vendo forçada a desconfiar mais das pessoas. E acho que isso foi ainda mais difícil, já que tenho muito a ver com ela. Só sei viver se for apaixonadamente. A máxima que rege a minha vida, de que bom não é ótimo, vale para tudo. Penso que se você se dispõe a fazer uma coisa, tem de ser, no mínimo, bem feito. E ela é mais ou menos assim.
Após a estréia da novela, como se sente? Está gostando do que vê? Antes da estréia, estava muito ansiosa. Era como se fosse a minha primeira vez, mesmo com quase dez anos de profissão. Sou muito exigente comigo mesma. Sempre acho que poderia ter feito melhor. Esse negócio de "está bom" não funciona comigo, porque bom não é ótimo, e busco a perfeição em tudo o que faço. Perdôo tudo dos outros, mas não perdôo nada em mim. Mas estou muito feliz, a aceitação está cada vez maior. E quero surpreender a cada dia.
Sogro decisivo
O Tudo é possível de hoje tem um novo quadro: Saindo com o sogro. Érika será disputada por três pretendentes, o Henrique, o Danilo e o Luís Henrique. Mas a escolha dela vai depender dos pais dos rapazes. O sogro que fizer o coração dela bater mais forte sai ganhando. O programa Tudo é possível vai ao ar às 14 h, na Record.
Futebol
A Record exibe hoje, a partir das 16 h, o jogo Ponte Preta X Flamengo, pela 38.ª rodada do campeonato brasileiro. A partida acontece em Campinas e será exibida para todo o Brasil.
Justiça cega
A sessão Oito e meia no cinema Cinespecial apresenta Efeito Colateral. O bombeiro Gordon perde sua família em um ataque terrorista e com a falta de agilidade da polícia com relação ao caso, resolve fazer justiça com as próprias mãos. Ele se envolve em uma situação perigosa na Colômbia, para chegar até o culpado. No elenco, Arnold Shwarzenegger, Elias Koteas, Francesca Neri e Cliff Curtis. O Cinespecial começa às 20h30, no SBT.
No banheiro
Comédia que vida privada é o episódio de Sob nova direção em que Pit, de Ingrid Guimarães, e Belinha, de Heloísa Périssé, descobrem que foi escrita uma mensagem desrespeitosa na porta do banheiro masculino do bar. As duas acreditam piamente que o recado é direcionado a elas. Às 23h05, na Globo.
Humor
No humorístico Dedé e o Comando Maluco, o general Dedé fica sabendo que sua irmã, que mora longe, marcou 13 pontos na loteria. Ele resolve gastar o dinheiro da irmã e levar sua amada Batatinha para jantar em um restaurante chique. Mas Beto Carrero contrata uma trupe de monstros e Dedé e o Comando Maluco precisam acabar com os monstros, que acabam se tornando reais. Às 12 h, no SBT.
Música
Já na madrugada de segunda-feira, às 2 horas, estréia no SBT o Music box. Luisa Lovefoxxx e Beto Delfini apresentam clipes de bandas do momento, informações sobre músicas e baladas, além de ensinar como baixar toques e papéis de parede.
Verão sexy e prático
Batas e saias amplas estão com tudo, mas não são tudo. Nem na moda e nem nas coleções Primavera-Verão 2005/2006 das marcas mais badaladas do País. É o caso das marcas paranaenses Retrato falado, Younger e Lúcia Figueredo. Sucessos entre garotas e mulheres das classes A e B do Brasil, americanas e européias, as 250 peças do catálogo não deixam o hippie-folk de lado, mas vão além, e sugerem opções de moda prática e sexy.
Produzidas em Cianorte, maior pólo de moda do Paraná, essas marcas geram mais de mil empregos diretos e indiretos, graças ao talento de Lúcia Figueredo. Ela começou a vida profissional aos 9 anos de idade, com a venda de cosméticos no sistema porta-a-porta. Ainda longe dos 40 anos, hoje é uma verdadeira celebridade do setor, ainda que não goste de ser fotografada. Jeans, vestidos e jaquetas que saem de suas fábricas chegam a custar mais de R$ 300,00.
Seguindo as tendências da estação, as coleções do grupo de Lúcia apostam em vermelho, canário, turquesa, verde absinto e pink. Destacam-se ainda o branco, tons pastéis de violeta, rosé e rosa claro, além das cores marrom, linho e chocolate. Entre as peças mostradas com exclusividade pela Tribuna Pop, tudo cai bem com sapatilhas, saltos anabela e sandálias de saltos altos, inclusive douradas, vedetes entre os calçados da estação.
Mais ou menos, pernas de fora
Quem está podendo mostrar as pernas em boa forma tem toda uma série de alternativas aos vestidões, blusonas e saionas que querem tomar conta da estação. Dá para ficar mais ou menos com o patrimônio da liberdade de ir e vir em foco.
Quem está com tudo em cima pode ir e vir de short ou minissaia. Para quem é mais modesta na análise da forma física, a moda e a marca Retrato falado sugerem bermudas na altura dos joelhos, calças corsário, que descem abaixo dele, ou calças capri, que deixam só as canelas de fora.
Baixinhas e gordinhas devem evitar a ida e também a vinda de corsário, que acentua essas características. Com cintos e bordados você acrescenta brilhos e cores ao visual e ao seu kit de moda da estação.
Belíssima
Amarrações, drapeados e torções que nos lembram as estátuas de deusas da Grécia Antiga apareceram nas passarelas das principais semanas de moda. Foram muito bem-recebidas pelas famosas e estão bem cotadas também nas coleções das indústrias Lúcia Figueredo.
Em tecidos lisos, com detalhes dourados ou prateados, vestidos e blusas que têm esse estilo grego afinam a silhueta e destacam a sensualidade dos seios fartos. São ótimas opções para quem não gosta ou precisa fugir das estampas com flores, desenhos geométricos e imitando peles de animais, que não favorecem as mulheres com quadris ou seios reforçados.
Romântica moderna
A velha e boa calça comprida, inclusive de jeans, continua com espaço nobre na cotação da moda, para a alegria de quem prefere uma roupa prática. Seguindo as tendências, Lúcia Figueredo propõe formas ajustadas, que colocam o bumbum em destaque.
As tachas e os bordados, pedrarias, strass e costuras aparentes, que se mantêm em alta desde o verão passado, chamam a atenção para o lugar do corpo em que estão colocados. Ou seja, vale a pena prestar a atenção para ver se o enfeite valoriza o ponto forte ou ressalta o ponto fraco do visual.
Manchados, envelhecidos, lixados, com jeito de usados e puídos, os tecidos dos jeans aparecem em tons que variam do mais claro até o preto, chamado de black pela indústria do setor.