Irineu é um companheiro de todos os dias. Gerente da Garagem Deodoro há 17 anos, faz parte do mundo de todos que ali guardam o carro. Pessoa de princípios éticos, cativa. É tão grandioso que disciplina a garagem com a sua simples presença.
Gaúcho, Irineu é coxa. E dos grandes, daquele de sofrer.
Seu sonho não confessado é do Atlético perder o bi.
Mas Irineu não é o único. É o desejo ardente de todos os coxas. A diferença é que Irineu por ser bondoso, é apenas sonho. A maioria tem pesadelo, como se o Atlético bicampeão diminuísse a grandeza do Coritiba.
Já fui assim. Sofria com o meu time perdendo, e a dor aumentava na proporção que o rival ganhava. A derrota do time dos outros traz consolo, cria conforto dentro da máxima de que os sentimentos machucados, e embora rivais, se unem com a desgraça. Por isso sei a extensão do sentimento duplo. Sei que dói na alma.
Nós torcedores somos reféns dos nossos sentimentos.
Eternizamos o nosso estado de sofrimento. No fundo todos nós somos ingênuos. Quase bobos. Sofremos por tudo. Até por ter a expectativa de uma vitória.
Qual é o atleticano que no mínimo não está angustiado à espera de domingo?
Direito
Ouvi uma entrevista de Paulo Campos na Banda B. Falou muito para chegar ao que queria: ser valorizado. No futebol de hoje ser valorizado é ter um bom contrato. Ganhar bem.
Paulo Campos está absolutamente correto em relação ao Paraná.
Pode até ir para um outro clube, ganhando menos. Mas no Paraná tem o direito de ganhar bem: foi dispensado, humilhado e humilde retornou. Trabalhou e tirou o clube da segunda divisão.
É absolutamente justo pedir a valorização com um bom contrato e proteção profissional com um bom time, porque na primeira série de derrotas será demitido.