René chegou à seleção do Paraná

Um dos mais populares zagueiros do futebol paranaense, na época recebendo o apelido de “Queixada” (fato que nunca o aborrecia), René não brincava em serviço. Marcava implacavelmente todo ponteiro que aparecia em sua frente, inclusive alguns de renome nacional, como o Tesourinha, do Internacional e seleção gaúcha. Foi tão eficiente na marcação que permaneceu titular do Coritiba por mais de sete anos, chegando a defender a seleção do Paraná em três oportunidades.

Como começou

É o próprio René, hoje com seus 78 anos bem vividos, que conta sua história ao colaborador Mussum:

“Em 1931 eu já percorria alguns campinhos de futebol existentes no bairro Juvevê e, para minha alegria, com apenas seis anos de idade ganhei de meu pai uma bola oficial, daquelas de tento. Fui ganhando intimidade com o chamado balão de couro e, com dez anos, já defendia as cores do Brasil do Juvevê. Ano de 1935. O primeiro clube da categoria profissional foi o Palestra Itália, obrigado a mudar de nome (por causa da guerra) em 1942 para Paranaense FC; CA Comercial, em 1945 e SE Palmeiras, em 1946, voltando, após a guerra para o nome original de Palestra Itália FC, o chamado “nem que morra”, devido à garra de seus atletas. Tinha apenas 17 anos quando fiz o contrato no Palestra, tendo meu pai assinado a autorização. A zaga esmeraldina era formada por Duia, Capusta e René. Em 1946 me transferi para o Coritiba, ganhando o salário de quinhentos cruzeiros e o título de campeão paranaense. Título repetido em 1947 (campeoníssimo). Trio final da época: Hamilton ou Nivaldo, Fedato e René. Renovei contrato no glorioso em 1948, onde permaneci até o ano de 1953, quando encerrei minha carreira de profissional. O futebol amador me acenou através do zagueiro Betcha, do Vasco da Gama, onde disputamos o título máximo de 1955 com o Poti. Ficamos com o vice. Participei posteriormente de seleções de veteranos, compostas pelo trio de ferro Coritiba, Atlético e Ferroviário, realizando vários amistosos. Joguei também no time de veteranos do Botafogo antes de me tornar sócio-diretor do Operário Mercês, transformado em sociedade, onde continuo até hoje com meus 78 anos fazendo parte do grupo de superveteranos. No Coritiba, recordo com satisfação a gestão do técnico Joaquim Loureiro, que era um segundo pai para os jogadores, e a honra de ter jogado tantos anos ao lado do insuperável Fedato. Enquanto joguei no Coxa, durante sete anos, todo dia 5 de cada mês recebíamos o salário, fato que não se repete com alguns clubes de hoje em dia. Havia também bicho especial após as vitórias, que eram muitas. Tenho imensa saudadedos amigos que já se foram. Lembro uma ocasião que enfrentamos um time carioca num dia de frio intenso e nosso adversário corria mais que nós. O Fedato pediu para que entrasse firme no ponteiro visitante. Cumpri minha missão, mas o árbitro me mandou para o chuveiro”.

Ficha do craque

René Weldt. Zagueiro esquerdo. Nasceu em Curitiba no dia 28 de outubro de 1925 (78 anos). Casado com dona Hen-riette e pai de Cláudio, Renato e Ingrid. Exerce o cargo de representante comercial autônomo. Sua distração é comparecer ao Clube Mercês todo o fim de semana para rever amigos.

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