Depois de um início promissor no amadorismo, o ponteiro-esquerdo Acir projetou-se com atuações primorosas no profissionalismo, integrando elencos famosos do Palestra Itália e Atlético Paranaense. No Furacão, fazendo da velocidade sua principal arma, sagrou-se campeão invicto de 1958. Resumo de sua história:

“Tive uma infância das mais diversificadas. No campinho defronte à Igreja das Mercês, junto com a gurizada da época, jogava pião, bolinhas de gude, empinava raias e nos finais de tarde, a turma se reunia para a tradicional peladinha, onde todos jogavam descalços.

Era o campo do Botafogo. Meu pai era o presidente. Eu e meu irmão Aderbal começávamos a ensaiar jogadas para surpreender os times adversários. Nesses bons momentos de principiante tive tempo de acompanhar o famoso zagueiro ciscador Zanetti, meu tio, que começou no Botafogo e tornou-se o superzagueiro do Atlético Paranaense nos anos 30 e 40. Nas horas extras aprendi a tocar bandolim.

Em 1943 entrei para o coral da Igreja das Mercês, onde fazia a primeira voz. Uma das adolescentes que cantava comigo e participava das missas e terços semanais me fisgou e hoje é minha esposa Lourdes.

O tempo foi passando e, em 1946, eu com meus 15 anos de idade, assinava o registro para defender o glorioso Botafogo no campeonato oficial da FPF, ocupando a posição de ponteiro-esquerdo do primeiro quadro. Ao meu lado as feras da época: Ivo, Zezi, Jane, Nei, Lantzman, Cabo, Mário, Lule, Marreco, Cido, Airton e Caninin, o goleiro boxeador. Chegamos com tudo na Série Verde da 3.ª divisão. Muita alegria pelos títulos de campeão em 1948 e bi em 1949.

Após me sondarem, naquelas campanhas, olheiros do Palestra Itália me convidaram para defender o famoso “nem que morra”. Abriram as portas para que eu me tornasse profissional. Lobo, companheiro de trabalho, foi quem me apresentou ao técnico Emédio Taiss de Souza Palestra e, a um mês do meu aniversário, treinei no sábado, e no domingo estava com a camisa número 11 esmeraldina, jogando contra o Atlético. Fato que aconteceu em abril de 1950.

No jogo seguinte, contra o Coritiba FC, empatamos em 1×1 quando terminamos com apenas nove jogadores. Fiz o gol de empate. Em 1952, como existia um grau de parentesco entre eu e o zagueiro Zanetti, o presidente Nestor de Castro Barbosa do Atlético e seu diretor de futebol, dr. Ivan, solicitaram a minha transferência para o rubro-negro. Assinei contrato. Foi um campeonato cheio de esperança, mas muito truncado. Lutamos com muita raça, mas não alcançamos o objetivo principal.

Projetos foram montados para os anos seguintes, até que chegamos ao título máximo de 1958. Apelidado de Gualicho (o cavalo mais veloz no turfe) pelo companheiro de time Perez, procurei tirar proveito do apelido fazendo da velocidade minha maior arma. Realizei um primeiro turno impecável, participando de todas as partidas, ganhando o título invicto, já que no segundo turno tive que deixar o futebol, por motivos particulares. Tive a satisfação de ver o Atlético campeão daquela temporada. Senti muito ter deixado o futebol muito moço, aos 27 anos.

O futebol só me trouxe alegrias. As amizades prevaleceram, apesar do valor financeiro ser muito importante no futebol profissional. Fiquei sabendo, com surpresa, que eu sou o atleta que recebeu o número um de registro na antiga CBD. O fato curioso aconteceu naquela partida do “nem que morra” (Palestra Itália) com nove atletas em campo, sem goleiro reserva. O zagueiro Pontes foi para o gol. Aos 32 minutos do 2.º tempo, driblei o lateral René e, da intermediária, finalizei encobrindo o goleiro Nivaldo, empatando o jogo no Belfort Duarte.

Achei estranho, em 1947, quando defendia o Botafogo das Mercês, que o time deixou de usar o uniforme tradicional com listras alvinegras, que foram substituídas temporariamente por listras verdes, pretas e vermelhas”.

continua após a publicidade

continua após a publicidade