Há mais de 50 anos, o Botafogo das Mercês conquistou o título de campeão do centenário da Emancipação Política do Paraná. Aderbal Antoniassi, o nosso entrevistado, defendeu o Botafogo e compunha a diretoria alvinegra naquela extraordinária ocasião. Ele lamenta que ninguém tenha lembrado de prestar homenagem ao seu antigo clube, reservando-se os colunistas, a ressaltar apenas o feito do CA Ferroviário, na categoria de profissionais. Campeões do centenário foram dois: Ferroviário (profissional) e Botafogo (amador).
Aderbal conta a sua história
“Um campo, logo atrás da Igreja das Mercês, foi palco do surgimento do Botafogo. Meu pai, José Antoniassi, e minha mãe, Ângela, foram as molas propulsoras do meu primeiro e único clube. Lembro com saudades daquele tempo em que os moleques usavam o local para empinar raias (papagaios). Saía a gurizada e os marmanjos se reuniam para rolar a bola. Eu e o Acir, que mais tarde se tornou profissional, recebemos orientação do papai. Ele me colocava na ponta-direita e o Acir na ponta-esquerda. O velho, com seus 40 anos, entrava de centroavante. O clube cresceu e disputou campeonatos na antiga Liga 29 de Março. Ganhando alguns títulos no saudoso campo do Poti, por aquela liga. Nosso maior rival era o União Bigorrilho, vizinho de bairro. O Botafogo participou a partir de 1942 da Liga Suburbana de Curitiba com jogos no campo do Juvevê. Joguei no segundo quadro do Botafogo em 1949, atuando em muitos festivais. Nunca me esqueço de um gol que marquei contra o União Ahú quando recebi a bola na entrada da área e fuzilei para o gol de pé direito. No Botafogo eu fazia de tudo, além de jogar futebol. Preparava as bolas de tento, colocava redes, levava os uniformes, riscava o campo, etc. Cheguei à condição de secretário no ano do centenário. Concluí o ginasial em 1945 no Colégio Estadual do Paraná, ao lado de Levi Mulford, com quem me encontro todos os anos nos jantares comemorativos que se realizam sob o comando de Eloir Blanc”. Aderbal Antoniassi nasceu em Curitiba no dia 24 de março de 1929 (74 anos). 1,67 m de altura. Jogava na ponta-direita do Botafogo. Apelido: Zeque. Casado com Eliza Antoniassi. Filha: Mariliza, casada com Roque Caloneno. Netos: Priscilla e Rafael. Participa, como hobby, de peladas na chácara e é torcedor do Atlético Paranaense. Entrevista concedida ao Mussum.
Falecimento
JOSÉ WALTER (Deda) centroavante artilheiro do União Ahu, Bacacheri e Rio Branco de Paranaguá. Faleceu na última terça-feira, aos 70 anos. Enterrado ontem no cemitério de Santa Cândida. Deixa saudades.