A carreira brilhante de Airton

Disputando vários campeonatos paranaenses pelo Coritiba, Bloco Morgenau e Britânia, o jogador Airton preferiu deixar cedo o profissionalismo para garantir emprego de funcionário público estadual, em 1966, com apenas 27 anos. Ele conta para o Mussum a sua história dessa maneira:

“Passei minha infância e adolescência no bairro Parolin, onde defendi as cores do 21 de Abril em campeonatos da 3.ª divisão. Isso aconteceu em 1955.

No ano seguinte, fui por conta própria treinar no juvenil do Ferroviário, onde aprovado, permaneci por dois anos. Fiz o serviço militar no 5.º Rec. Mec. do Boqueirão em 1958, onde sagrei-me campeão de futebol pela equipe de cabos e soldados. Participei da tradicional corrida do facho como atleta número um da equipe vice-campeã. Joguei no Vila Hauer, onde ganhei o apelido de “sanduíche” porque, após os treinos, fazia rápida refeição para chegar em tempo no colégio.

Valeu o sacrifício, pois ganhamos o título de aspirantes e bi da série entre titulares. Em 1960 prestei concurso público estadual na Secretaria de Viação e Obras Públicas. Aprovado, me integraram na Secretaria de Segurança Pública porque aquele departamento havia sido extinto. O presidente Aldo Chuinde me levou para o Bloco Morgenau, ainda como amador, porém defendendo a equipe titular no campeonato paranaense ao lado de Dédi, Pacheco, Japonês, Mário, Acir Lanzoni, Tiquinho, Renatinho e outros cobrões da época. Disputei também o campeonato brasileiro de futebol bancário pelo Paraná com jogos realizados no Pacaembu (SP).

Recebi propostas para jogar no Palmeiras, Inter de Porto Alegre e Flamengo do Rio, mas por causa do meu emprego voltei para Curitiba. Em 1962 fui convocado para defender a seleção paranaense de profissionais, jogando ao lado de Chinezinho, Adamastor, Nico, Gijo, Calita, Lara, Osni, Otavinho, entre outros nomes famosos. Após os jogos da seleção fui convidado pelo técnico Arci Neves do Coritiba que me apresentou ao diretor Miguel Chechia. Meu contrato com o glorioso tomou o número 15.646 na carteira expedida pela então CBD.

Joguei ao lado de Hamilton, Carazai, Bequinha, Guimarães, Ariel, Duílio, Miltinho, Chico, Juquinha, Ronald e Gauchinho. Em 1964 Munir Caluf e o técnico (ex-jogador Miltinho), que haviam acompanhado meu trabalho no Coritiba, me levaram até a presença do saudoso presidente do Britânia, Cristiano Schmidt, que pretendia montar uma grande equipe para o campeonato paranaense, onde tive a satisfação de jogar ao lado de Acir, Zé Carlos, Antero, Albino, Rulphes, Kriger e Sarará.

Em 1966, com 27 anos, entrei em fase de definição. Ou o futebol ou o emprego. Antes porém, por conta própria, cheguei a defender as cores do Atlético Paranaense ao lado de Marco Aurélio, Irani, Tuca, Zigue, Nininho, Walter, Ivan, Edson, Gil e Charrão. Antes de terminar aquele ano, optei por parar com a carreira de jogador profissional. Mesmo assim, tive a satisfação de ganhar o bicampeonato no torneio de funcionários públicos na DEOE. Em 1968, já estabilizado no emprego, fiz reversão de categoria para o amador, defendendo o Trieste, onde ganhamos os títulos de aspirantes e titulares. Em 1970 atravessei a cidade, fixando-me na equipe do Caxias do saudoso presidente Santana. Ganhamos os títulos de 70 e 74 naquele clube. Passei para a categoria de veteranos do Vila Hauer em 1979 onde ganhamos o título do campeonato promovido pelo Leônidas Dias, feito repetido pelos Desavergonhados do José Domingos em 1982. Fui conselheiro da ASPP e hoje, aposentado, compareço aos campos para assistir jogos da suburbana. Em minha carreira, conquistei nada menos do que doze títulos.”

Nome completo: Airton Adonski. Nascido em Curitiba dia 26 de dezembro de 1959 (65 anos). Atacante e meio-campista. 1,72m

Seu ponto forte, as finalizações de longa distância, quase sempre pegando os goleiros desprevenidos. Que o diga o goleiro Arlindo, do Operário de Ponta Grossa, num jogo com o Morgenau.

Num jogo Vila Hauer x Universal no Joaquim Américo Airton fez um golaço e suas chuteiras ficaram em exposição na sede do clube. Deixou de ganhar o Prêmio Belfort Duarte porque seu nome constou numa súmula de um jogo em que ele tinha sido substituído antes da briga e recebeu uma punição que não mereceu. Jogo Vila Hauer x S.Jorge no Estádio Orestes Thá.

Ele guarda saudades do Deolindo Rodrigues do extinto Paraná Esportivo que sempre o apoiou dentro e fora do campo e dos muitos amigos que conquistou.

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