Ter um filho é mesmo uma experiência transformadora! Pelo menos para mim foi assim. E hoje conto para vocês como foi o parto do Pedro, meu primeiro e único filho, amor maior da minha vida!

Tive uma gestação tranquila, sem nenhum problema durante o pré-natal . E antes de mesmo de ter escolhido o nome do meu bebê, eu e o pai dele tínhamos uma convicção: nosso filho viria ao mundo da maneira mais respeitosa possível.

Por isso optamos pelo parto humanizado, que aconteceu em um hospital, com a presença de médico, doula e demais profissionais, que escolhemos justamente por seguirem estas práticas, pessoas em quem confiávamos, sabendo que cuidariam de nós e que não desrespeitariam nossas decisões.

Plano de parto

Pedro, nesta época, ainda a caminho! Foto: Arquivo Pessoal
Pedro, nesta época, ainda a caminho! Foto: Thaís Rossa

Antes do nascimento do meu “filhote”, fiz um plano de parto bem detalhado, mas felizmente não precisei usá-lo. Neste documento estavam pedidos como: preferência pelo parto normal e natural, sem utilização de analgesia e intervenções como a episiotomia, presença do pai do bebê em tempo integral, liberdade para andar, comer e beber água, entre outros desejos, desde que estivéssemos bem e sem correr riscos.

Já os cuidados com o Pedro incluíam recomendação para que o cordão umbilical só fosse cortado depois que parasse de pulsar, que o primeiro banho não fosse dado imediatamente após o nascimento, que não fosse oferecido leite artificial e que ele pudesse permanecer o tempo todo comigo, sem ir para o berçário, além de outros pedidos, que para mim faziam sentido, como forma de proteger e garantir o bem-estar do meu filhinho.

Dor e contrações

Pedro nasceu depois de 40 semanas e alguns dias de gestação, após um parto bem intenso. Da hora em que minha bolsa rompeu até o momento em que o Pedro veio ao mundo, o trabalho de parto levou mais de 27 horas – da fase inicial e até o fim parte do parto ativo.

Tudo começou assim: notei algo diferente por volta das 2h do dia 7 de junho de 2016. A sensação diferente era como se eu estivesse “fazendo xixi”, involuntariamente e sem parar. Vendo que a bolsa tinha mesmo rompido, voltei para a cama e esperei para ver se as contrações que até então sentia aumentavam, o que não aconteceu.

Então, pela manhã falei com minha doula e antes do meio-dia já estava no consultório do meu médico. Após a avaliação ele disse que estava tudo bem e que poderíamos esperar pela evolução da dilatação do colo do útero. Quando a bolsa “estoura”, segundo os médicos, ainda temos 12 horas para o bebê nascer, sem riscos. Mas as coisas não avançaram muito.

Sem estar com as contrações e a dilatação esperadas, à noite, fui para a maternidade. Até este momento tinha apenas cerca de cinco centímetros de dilatação e contrações espaçadas. E mesmo não desejando nenhuma intervenção, concordei em receber soro com ocitocina sintética – que é similar ao hormônio “do amor” produzido pelo corpo humano e que induz às contrações, acelerando o trabalho de parto. Mas gente, vocês não fazem ideia do poder deste hormônio. Assim que começou a infusão, as contrações e dores vieram rápidas e (muito) intensas.

Este processo começou por volta das 23h do dia 7. A partir daí, lembro da mega dor na região da lombar, dor que vinha e ia embora a cada contração, que também ficava mais ritmada e frequente. Para aliviar, passei um tempão no chuveiro e de lá só saí para ir para o centro cirúrgico. Mas enquanto isso acontecia, eu me desligava do mundo externo. Quando as contrações se intensificam, a gente entra meio que em “transe”, na “partolândia”.

Imersa em sensações viscerais, já no centro cirúrgico (que estava quentinho e com a luz baixa) lembro de ter perguntado para o médico quanto tempo ainda faltava para o Pedro nascer. Não sei que horas eram, mas devia passar das 3h. E a resposta dele foi: pela dilatação, pelo menos mais uma hora (o colo do útero dilata em média, um centímetro por hora). E eu só pensei: com uma contração por minuto, em mais uma hora eu teria pelo menos outras 60 contrações pela frente!

Achei que não daria conta e neste momento só queria poder parar para descansar. Mas fui em frente (até porque não tinha outra opção) e consegui aguentar sem a anestesia como eu queria, para não perder o controle do meu corpo durante o parto, diminuindo também o risco de ter que usar o fórceps!

Três horas de expulsivo

Pedro pequenino, com poucos dias de vida. Foto: Arquivo Pessoal
Pedro pequenino, com poucos dias de vida. Foto: Arquivo Pessoal

E depois de um expulsivo (fase final do parto, quando já há dilatação total de 10 centímetros), demorado, que levou mais de três horas ao total, Pedro finalmente nasceu às 5h do dia 8 de junho de 2016, em parto de cócoras, em uma das madrugadas mais frias do ano.

E ver o rostinho do meu filho pela primeira vez (e constatar que ele era a cara do pai!) foi a sensação mais emocionante de toda a minha vida. Ele nasceu, olhou para mim e só depois chorou. Foi amor à primeira vista <3

Todos bem, acompanhado pelo pai, Pedro foi examinado pelo pediatra e logo já mamou. Desde então, não nos desgrudamos mais, nem mesmo na maternidade.

O nascimento do Pedro foi difícil, mas agradeço por ter conseguido o parto normal tanto que desejava (acho as cesáreas ótimas, mas só quando realmente necessárias), com o apoio de médicos, doula e profissionais competentes.

Mas meu agradecimento especial vai para o Rene, meu amor e parceiro de vida, por sua força e companheirismo, por estar ao meu lado durante todo o parto do Pedro, nosso filho amado. Rene, você é demais! Pedro e Rene, amo vocês!