O burro e o cavalo

O infeliz ficou três dias em coma. Quando chegou ao pronto-socorro, já inconsciente, ninguém da família soube dizer o que acontecera. No internamento, seu hemograma era tão cabeludo que ele foi direto para a hemodiálise. A coisa estava tão feia que até o capelão do hospital foi chamado.

No terceiro dia ele não subiu aos céus, pois um “amigo de treino” finalmente abriu o jogo. Graças a ele, soubemos que o paciente estaria injetando em seu corpo um medicamento veterinário, utilizado em cavalos de competição (nem vou citar o nome do produto, pois diversos espertos vão correr comprar, só para “ficar grande”). Quando se soube o tamanho da burrice, deu vontade de desligar todos os aparelhos, apagar as luzes, pegar a viola e botar na sacola.

Pode ser inocência, mas nunca vi tanta gente usando – e defendendo o uso – de medicamentos e substâncias para turbinar o desempenho em atividades físicas, sejam elas profissionais ou não. Esteroide anabolizante, hormônio do crescimento, inalação com oxigênio puro, transfusão combinada de sangue, injeção de insulina, suplemento de creatina… sim, o pessoal tem levado a sério esse negócio de corpo “saudável”.

É complicado julgar, mas tem se tornado difícil observar esportistas com notável desempenho sem ficar com aquela pulguinha atrás da orelha. A perfeição de seus corpos seria uma mentira? Por alguma intervenção divina, o paciente sobreviveu. Que da próxima vez ele procure ajuda em um lugar mais apropriado. Como uma clínica veterinária, por exemplo.

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