Nenhum país desenvolvido apresenta diferenças expressivas entre os maiores e os menores salários.

No caminho para a maturidade social, eles perceberam, lá atrás, que poucos ricos e muitos pobres é o estopim para a insegurança, a educação sem qualidade e maiores gastos com saúde. Além de ser desumano.

O Brasil percebeu isso há quase duas décadas e adotou uma política de recuperação do salário mínimo que previu a correção anual pela variação da inflação do ano anterior mais um crescimento real equivalente ao crescimento do PIB de dois anos antes. Para os maiores salários, especialmente as aposentadorias do INSS, só a inflação do ano anterior.

Desde 1994 o salário mínimo subiu 167%, já descontada a inflação. Ou seja, 4,2% real ao ano. Uma recuperação significativa, tirando milhões de brasileiros da linha de pobreza.

Ocorre que, no mesmo período, a economia cresceu só 57% e a produtividade do trabalho, 25%, ou pouco menos de 1% ao ano.

Resumo: a política de recuperação do mínimo é fantástica, mas a economia não ajuda a mantê-la. O crescimento econômico minguado força o governo a abandonar essa política especialmente pelo impacto na previdência.

Vejam, dos 32 milhões de aposentados e pensionistas, 2/3 ganham um salário mínimo. Para esses pouco mais de 21 milhões, cada R$ 1 de aumento anual significa gasto adicional R$ 21 milhões por mês e R$ 277 milhões por ano.

Infelizmente não há crescimento do PIB para manter essa correta política governamental.