Quem disse que o Batel vive apenas de menus degustação e taças de vinho refinadas nunca encarou a madrugada curitibana com fome de verdade. No meio do bairro mais valorizado da cidade, resiste um templo raiz que prova uma máxima do Rango Barateza: comida boa, farta e com preço justo não pede licença para ocupar endereço nobre.
Fundado em 1985, o Bar Amarelinho é aquela entidade que salva a vida de quem precisa matar a fome depois do rolê e quer fugir dos roteiros óbvios da madrugada — como o Gato Preto, os tradicionais costelões 24h ou a Padaria Excelência do Pão. O cenário é clássico e sem frescura: cadeiras de plástico amarelas, balcão de alvenaria e cerveja “canela de pedreiro” servida trincando de gelada, além de uma variedade surpreendente de bebidas, vinhos e drinks para todos os gostos.
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Uma das coisas mais curiosas do lugar é uma plaquinha na parede com um aviso direto: proibido ouvir música, cantarolar e assobiar. É o pacto de convivência perfeito: você bebe sua cerveja, come feito um rei até às 5h da manhã, mas deixa a vizinhança dormir em paz. Deve ser exatamente esse respeito às regras que mantém a casa firme no mesmo ponto há quatro décadas.

Como gosto de observar o ecossistema do lugar discretamente — a dinâmica dos garçons, o perfil dos frequentadores —, acabei presenciando uma cena um tanto curiosa. Um garçom limpou uma mesa vaga, passou o pano e trouxe uma cerveja trincando. Abriu a garrafa, serviu o copo e depositou ao lado duas carteiras de cigarro. Ninguém sentou. Pensei se tratar de um “cliente oculto” ou de uma reserva misteriosa. Vinte minutos se passaram até que um novo casal pediu a mesa, e o garçom recolheu o copo servido.
Na hora de pagar a conta, a curiosidade venceu e perguntei sobre a mesa fantasma. O garçom me explicou: um casal havia brigado ali minutos antes, foi embora, mas o rapaz disse que voltaria para tomar sua “última cerveja”. A promessa não se cumpriu, e a garrafa aberta acabou ficando num canto do balcão.
Mas vamos ao que interessa: a mesa (quando ocupada por nós) e a comida.
A fama da casa começou com o torresmo frito na hora: pururucado, sequinho e servido numa porção tão generosa que fica difícil encarar sozinha. Mas o grande achado para quem busca uma refeição completa sem estourar o orçamento está nos sanduíches.
Pedi o Batel Guns N’ Roses, uma das novidades da casa que entrega um custo-benefício muito bom. Por R$ 29, vem um sanduíche de respeito: pão australiano macio, hambúrguer artesanal de 130g no ponto certo, fatias crocantes de bacon, queijo cheddar derretido, onion rings bem crocantes, tomate seco, rúcula fresca e o molho especial da casa. É um lanche de respeito, daqueles altos que exigem certa estratégia e abertura de mandíbula na primeira mordida.
O cardápio ainda se desdobra em pastéis fritos na hora, pratos feitos, carnes na chapa e petiscos variados. O Amarelinho é aquele trunfo que todo curitibano precisa ter na manga para comer muito bem gastando pouco — especialmente quando o relógio já passou das três da manhã.


Vamos no Amarelinho?
O Bar Amarelinho fica na Avenida Nossa Senhora Aparecida, 177 – Batel. Funciona de terça a domingo, do meio-dia às 5 horas da manhã, e segunda-feira, das 17h às 2 horas da manhã. Telefone: (41) 3308-4337.
CONFIRA O MENU COMPLETO DO RANGO BARATEZA:
Sanduíches;
Sopas;
Pizzas;
Massas;
Doces e sobremesas;
Salgados;
Pratos feitos;
Carnes;
Petiscos;
Buffet.
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