Eu tive uma bela surpresa ao seguir a dica do leitor João Guilherme, que me sugeriu conhecer um restaurante nepalês aqui em Curitiba. Estava com poucas cartas na manga essa semana e decidi provar sem nenhuma expectativa. Saí de casa bem despretensiosa e voltei impressionada. Realmente, o sabor da comida me pegou.
O Everest Mo:Mo House fica ali na Alameda Dr. Carlos de Carvalho, entre o Batel e o Centro. Everest é o símbolo do Nepal e o momo é o prato mais famoso do país. Para te ajudar a criar uma ideia na cabeça – e uma referência de sabor – a comida nepalesa é uma mistura equilibrada, e posso dizer que até com toque sofisticado, entre a cozinha indiana e a chinesa.

O Momo é a estrela da casa, e tem várias opções no cardápio a partir de R$ 30. Feito com uma massa simples de farinha e água, as trouxinhas são recheadas com carne, frango ou legumes. Podem ser cozidos no vapor ou fritos, e também acompanhados com molhos ou caldos. No Everest Mo:Mo, as trouxinhas são muito boas! Lembra um guioza, mas tem um recheio bem mais temperado sem ser carregado. E o molho é um escândalo – experimentei o Chili Momo (R$ 42), que tem um molho parecido com o xadrez, da cozinha chinesa.
Por que é tão único? Detalhe por detalhe
Quando algo é bom, saboroso, a gente quer entender o porquê. Eu acredito que dizer que um prato é gostoso e parar por aqui é a mesma coisa que contar uma fofoca pela metade. O Momo é feito com uma massinha leve, fina, de farinha de trigo e arroz. A massa do Momo do Everest é feita pela casa e é bem delicada.
São três tipos de recheio. Experimentei os três: de frango, carne e de legumes. O de legumes é feito com cebola, cenoura, proteína texturizada de soja, repolho, pasta de alho e gengibre e especiarias. De frango é feito com coxa e sobrecoxa moída, cebola, mais especiarias e pasta de alho e gengibre. O de carne vai o mesmo tempero que o momo de frango. É feito com acém moído.
Tudo é salgado na medida, leve, e bem temperado, sem parecer carregado demais. Você não sente o predomínio do alho, ou da cebola, ou das especiarias, ou do gengibre. Tudo é harmoniosamente equilibrado. É leve e bem saboroso. O momo é levemente grelhado na base, então cria uma casquinha maravilhosa embaixo.
O molho Chili é um negócio á parte – apesar do nome, não é apimentado demais. Ele é feito com cebola e pimentões, tem um toque de curry e algumas especiarias. Ele é levemente cremoso e tão bom que dá vontade de sair lambendo o prato. É uma pena que nos dão nenhuma colher. Eu me senti uma criminosa deixando as últimas gotas do meu momo ali no prato.

Autêntico: do Nepal para o Brasil
O primeiro restaurante nepalês de Curitiba surgiu da ideia da nepalesa Min Kumari Gurung, de 35 anos. Ela e o marido escolheram viver no Brasil e estão por aqui há 14 anos. Chegaram primeiro em São Paulo. Como tinham amigos em Curitiba, decidiram abandonar a super metrópole para morar na capital paranaense – mais sossegada.
Min trabalhou dois anos com carteira assinada por aqui. Teve um filho no Brasil em 2014. Sem rede de apoio para ajudar no cuidado do filho, a necessidade de trabalhar fez ela empreender. “Abrimos o restaurante Everest Inn, que é indonepalês, mas muito conhecido como indiano. Foi só depois, em 2024, que decidimos abrir o Everest Mo:Mo House, que é só nepalês – o primeiro de Curitiba”, conta Min.
Os cozinheiros do Everest são nepaleses mesmo, nem falam português. Todos os temperos da casa vieram diretamente do Nepal. É praticamente como comer comida nepalesa de verdade sem precisar sair de Curitiba.
A empresária conta que conseguiu seu primeiro estoque de especiarias direto do Nepal para os dois primeiros anos do restaurante. “Eu tinha alguns amigos que vendiam temperos. Quando decidi abrir o restaurante, eu comprei um estoque para dois anos, mais ou menos. E deu tranquilo. Depois dos dois anos, eu comprei de novo. E aí, a cada dois a três anos, eu mesma fui ao Nepal trazer os temperos”, revela.
São os temperos que tornam a cozinha do Nepal única e bem saborosa. A semelhança com a Índia e com a China não é ao acaso. Os dois países fazem fronteira com o Nepal.
No Nepal, o momo é a estrelinha da cozinha local. É comida de rua, mas também aconchego em família. É servido no almoço, no jantar, ou no lanche da tarde. Tanto faz. “Até aqui em casa, faço para almoço ou jantar”, conta a empresária nepalesa. Frito, cozido, grelhado, na sopa, tanto faz. Ele é versátil e fica bom em todas as suas versões.
Sobremesa: Gulab Jamun

A sobremesa nepalesa também é especial e saborosa. Escolhi o Gulab Jamun, que são bolinhas de leite em pó com calda de caramelo com cardamomo. Quando eu pensei em leite em pó, imaginei algo cremoso, parecido com uma massa doce. Na verdade, o Gulab é bem diferente. Ele vem quentinho e tem uma massinha leve, frita, mas não é gorduroso. É bem macio e ao mesmo tempo meio esponjoso – então ele absorve bem a calda. Ela parece aquelas de pudim, mas sem tanto açúcar.
Outra opções do cardápio e novidades
A empresária conta que um dos sucessos do restaurante Everest Inn veio para o cardápio do Mo:Mo. O lassi, bebida indiana que tem como base o iogurte, é um queridinho de quem frequenta. São três sabores: de manga, morango ou tradicional. O copo sai por R$ 12.
Entre os pratos, há sugestões atraentes nepalesas. O chow mein é bem pedido: um macarrão nepalês refogado com carne bovina, vegetais ou frango, e especiarias – o preço varia de R$ 30 a R$ 35. O fried rice também é super pedido (entre R$ 30 e R$ 35). Ele é feito com arroz branco refogado com legumes, carne, shoyu e especiarias.
Para os próximos dias, a casa vai passar a contar com novas opções para o chow mein e fried rice. Serão novas versões, feitas com ovo mexido e também camarão.
*Os valores do cardápio divulgados no post são de fevereiro de 2026 e podem sofrer alterações.

Que tal viajar para o Nepal?
O Everest Mo:Mo House fica na Alameda Dr. Carlos de Carvalho, 846 – Loja 2, no Centro. Abre de segunda a sábado, das 18h30 às 22 horas. Fechado aos domingos. WhatsApp: (41) 99688-8668.
CONFIRA O MENU COMPLETO DO RANGO BARATEZA:
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