Há 50 anos, pão d’água é a estrela de padaria tradicional em Curitiba

Foto: Eloá Cruz.

Mesmo que o nosso paladar se torne mais complexo da infância até a vida adulta, há sabores que resgatam memórias já esquecidas. Por outro lado, acontece também algumas frustrações, como quando você volta a comer aquele biscoito de antigamente e ele já não tem mais o mesmo sabor – pois é feito com outros ingredientes que a gente nem consegue entender o que é.

Em Curitiba, tem um pão bolinha – pão d’água ou bundinha – que carrega uma mágica especial. Ele faz a gente voltar no tempo, para um daqueles cafés da tarde, ou da manhã, com a família. Na Panificadora Camponesa, basta um café com leite no balcão e um pão bolinha com queijo, presunto e manteiga para lembrar que a felicidade no simples é genuína.

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Ou dá para embrulhar a felicidade e levar para casa. O movimento na padoca começa antes das 8 horas da manhã e só encerra perto das 19 horas. Há quem atravesse a cidade, vem de outro município, só para ter o prazer de comer as broas tradicionais da Camponesa.

Foto: Eloá Cruz.

“Tem gente que vem de São José dos Pinhais, leva sacolas de pães, de broas. Tem cliente que compra e congela os pães em casa”, comenta Ana Maria Matias, sócia-proprietária. É compreensível. Há quase 50 anos, a Camponesa mantém a mesma receita do pãozinho – que tem sabor e qualidade atemporais. É simples, tradicional e leve como tem que ser.

Os pães são todos naturais, sem aditivos. Das broas aos pães caseiros, baguetes, cookies, chineques, salgados. Tudo é sempre fresquinho – há uma alta rotatividade diária – e feito com ingredientes de qualidade. Não há nada frito e entre os lanches, todos frios – não há chapeiro.

A chapa nem se faz necessária. O pão bolinha quentinho, recém saído do forno, ganha uma camada generosa de manteiga Aviação, fatias generosas de muçarela e presunto de qualidade. Virou fácil um dos meus lanches preferidos no Centro. Além de tudo, o preço é honesto: R$ 7,50.

Há também outras opções de recheio do clássico pãozinho: do salame à mortadela Ceratti, do peito de peru ao Lombo Canadense. Os preços variam de R$ 3,25 até R$ 10,50.

Foto: Eloá Cruz.

50 anos de história

Vizinha de restaurantes consagrados que fizeram história na região, como o Pote Chopp e o Restaurante Imperial, a Camponesa mantém viva a tradição das padarias tradicionais: balcão extenso e com boa variedade, pães fresquinhos e bom atendimento.

Memórias foram criadas ali, desde o tempo em que os irmãos Antônio fundaram o negócio, em setembro de 1976. Os dois fundadores, Antônio Garcia Matias e Antônio Joaquim Francisco, já faleceram. Antônio Francisco foi o irmão que faleceu há menos tempo, em 2024. Ele tinha 94 anos. Antônio Matias faleceu em 2017.

“Seu Antônio, como costumavam chamar o Antônio Francisco, era o meu cunhado. Agora eu, que tenho 75 anos, e o filho do Antônio Francisco, que hoje tem 60 anos, que nos revezamos tocando o negócio”, conta Ana Maria Matias.

Ao centro, Ana Maria Matias, ao lado das funcionárias da Camponesa. Foto: Eloá Cruz.

Mesmo tímida, Ana Maria transparece no olhar o seu carinho pelo negócio da família. Nenhum cliente passa despercebido. Ela confere no olhar se alguém precisa de atendimento, seja na fila do caixa ou no balcão do café. Atenciosa, atende a todos com um sorriso no rosto.

O sorriso é genuíno. Com a padaria, ela criou seus três filhos e hoje também auxilia o neto de 16 anos, que nasceu com paralisia cerebral. “É pesado, é puxado, mas estamos aqui”, confidencia.

Das histórias e causos de balcão, quem conhecia mesmo era seu Antônio. Antes de falecer, ele escreveu um livro contando a trajetória da padaria. O livro, no entanto, ficou só no arquivo e não chegou a ser publicado.

Da torta de ricota aos pães do dia

Na Camponesa, há pães especiais produzidos diariamente. De segunda a sexta, a padaria reveza especialidades que sempre fazem sucesso entre a clientela. Segunda, quarta e sexta-feira são dias de pães especiais de batata e batata doce. Nas terças e quintas, pão de cenoura, de aipim e o Catarina são produzidos.

O pão bolinha, ou pão d’água, é o carro-chefe da casa. Garantem os clientes que é o mais gostoso de Curitiba. As broas da Camponesa também fazem muito sucesso e são diferenciadas: há versões com zero açúcar, úmida, integral, com farinha fina ou grossa.

Foto: Eloá Cruz.

A torta de ricota passou a ser uma das queridinhas ao acaso. Há quem ama pedir uma bela fatia dela, acompanhada de um café. Ana Maria conta que certa vez resolveu fazer a torta para dividir com os clientes depois do expediente. “Um dia decidi fazer a torta, fui para a cozinha, e deixei no balcão”, conta. No fim do dia, para a surpresa dela, a torta tinha sido totalmente vendida. “Não sobrou nem um pedaço para a gente comer”, relembra, rindo.

Há outras várias delícias da panificação: baguetes recheadas com frios, chineques, pão de laranja, cookies, cucas, bolos. A dica aqui é chegar cedo. No fim da tarde, o balcão fica mais vazio – o que é um bom sinal.

*Os valores do cardápio divulgados no post são de janeiro de 2026 e podem sofrer alterações.

Panificadora Camponesa

Foto: Eloá Cruz.

A Panificadora Camponesa abre de segunda a sexta, das 7h30 às 19 horas, e aos sábados, das 7h30 às 15 horas. Fecha aos domingos. Fica na Rua José Loureiro, 17 – Centro. Telefone: (41) 3323-1472.

CONFIRA O MENU COMPLETO DO RANGO BARATEZA:

Sanduíches;
Sopas;
Pizzas;
Massas;
Doces e sobremesas;
Salgados;
Pratos feitos;
Carnes;
Petiscos;
Buffet.

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