Comida é arte: lugar no Centro Histórico de Curitiba faz do PF um manifesto

Prato Feito do Mahá com sobrecoxa desossada. Foto: Eloá Cruz.

O que faz um lugar se tornar inesquecível? Assim como alguém que de alguma forma nos faz bem, nos traz aquela sensação boa de que a felicidade pode estar em instantes leves e simples, um restaurante bom nos proporciona essa leveza de alguma forma. Seja no tempero, na combinação dos ingredientes, o simples que nos transmite carinho, como se alguém ali dentro da cozinha tivesse a magia de enxergar a gente e nos cativar sem nenhum esforço.

Sempre defendi aqui no Rango Barateza que comida é arte. Assim como o teatro e o cinema são fundamentais para expressar sentimentos e expor a vida na sua maneira mais sublime, a comida é capaz de nos provocar sensações incríveis – é muito maior que sua função fundamental de nutrir o corpo. O maestro que fica no fogão pode ser capaz de, a partir do que sente, transmitir isso para o prato.

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Esse sentimentalismo todo não é à toa. Nos últimos dias, conheci um lugar aqui em Curitiba que faz da união entre comida e arte um manifesto original. No Mahá, que fica no Centro Histórico, o almoço simples é pensado como um belo banquete. Pode não ter ingredientes dos mais caros e sofisticados, mas traz no preparo a proposta da Nouvelle Cuisine – um movimento da alta gastronomia dos anos 1960 e 1970 que colocou como protagonistas os ingredientes sazonais e frescos, preservando o sabor natural dos alimentos.

Num fim de semana, me organizei para almoçar no Mahá Comida e Arte, na Rua Treze de Maio. O prato do dia era uma bela lasanha de tomate e queijos, preparada com massa artesanal e molho de tomate e bechamel (R$ 48). Foi tentador, mas preferi escolher um prato executivo da casa, pois havia tanto acompanhamento bom que foi o vencedor.

O PF do Mahá vem com arroz cateto, purê de abóbora, legumes tostados, salada de grão de bico e farofa de cebola crocante (R$ 36,90). Com tudo isso, pedi um adicional de sobrecoxa desossada e assada por R$ 9. Saiu um pouco do valor barateza, mas ainda assim dentro de uma certa honestidade.

Balcão do Mahá. Foto: Eloá Cruz.

Quando o prato chegou à mesa, após cerca de uns 20 minutos, percebi o quanto ele era muito bem servido. Mesmo semanas depois de ter provado, ainda consigo lembrar do quanto aquele almoço estava saboroso. Tudo ali era bem temperado, cheio de sabor, ervas, condimentos, mas sem roubar a cena. Nada disso. A ideia mesmo era fazer com que cada ingrediente tivesse seu destaque.

O arroz cateto vermelho veio macio e cremoso, temperadinho. A farofinha de cebola era básica, mas casou muito bem com tudo no prato. O purê de abóbora estava incrível, com doçura equilibrada e um temperinho que não consegui reproduzir depois em casa. O frango foi servido assado, no ponto, leve, suculento. E por fim, a saladinha de grão de bico com temperinho azedinho, que fez tudo ali fazer sentido.

Como tudo estava muito delicioso, posso dizer até que não havia um protagonismo. Mesmo que de uma forma até meio convencional, a proteína acaba sendo o centro do prato, mas no Mahá – como tudo é tão bem preparado e ganha seu destaque – essa regra não faz muito sentido.

Para acompanhar, provei um chá mate batido com limão e gengibre por R$ 14. Há sucos que podem mudar de acordo com a sazonalidade, e também a opção de uma taça de vinho (R$ 21).

Prato Feito democrático

No Mahá, há dois tipos de PF: do Mahá (R$ 36,90) ou o Tradicional (R$ 33,90). O PF Tradicional é um pouco mais clássico: vem acompanhado de arroz branco, feijão, farofa de cebola crocante, legumes tostados e mix de folhas com picles da casa. A proteína é escolha à parte. Pode ser desde carne de panela (R$ 16,50), sobrecoxa desossada (R$ 9), a ovo frito (R$ 4), legumes assados (R$ 7) e palmito assado (R$ 14,50). Os pratos são veganos, e é a partir das proteínas que você pode decidir se quer algo de origem animal, ou não.

A casa também oferece massa fresca. O pappardelle deles é bem famoso e é servido em duas opções: com carne de panela (R$ 58), ou com molho de cogumelos (R$ 54).

Trocando ideia com alguns amigos que almoçam com frequência no restaurante, o prato de barriga de porco com molho agridoce é uma excelente escolha (R$ 58). Ele vem servido com arroz cremoso de banana da terra, preparado com pimentões, tomate, cebola e leite de coco. É levemente picante.

Entrada do Mahá. Foto: Eloá Cruz.

Quer conhecer o Mahá Comida e Arte?

O Mahá Comida e Arte fica na Rua Treze de Maio, 336 – Centro. Abre de segunda a sexta-feira, das 11h30 às 14h30, e sábados e domingos, do meio-dia às 15 horas.

CONFIRA O MENU COMPLETO DO RANGO BARATEZA:

Sanduíches;
Sopas;
Pizzas;
Massas;
Doces e sobremesas;
Salgados;
Pratos feitos;
Carnes;
Petiscos;
Buffet.

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