Na casa da Vovó Elza, o café estava sempre passado — mesmo quando não havia visita marcada. A mesa ficava posta todos os dias, com xícaras, pão, chimia de banana e, claro, latas cheias de bolacha. Era quase uma certeza: alguém ia aparecer. Um filho, um neto, um vizinho. E ninguém saía sem comer.
As bolachas viraram sinal de carinho, da avó que sempre acolheu a família, os amigos, os vizinhos. O ato de servir era, de modo silencioso, um sinal de carinho e amor na sua forma mais pura. E dessa memória simples, mas muito rica, que nasceu os biscoitos Vovó Elza, empresa familiar que transformou receitas antigas num negócio sólido, com tradição e sabor caseiro.
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O Rango Barateza foi até o bairro Boa Vista e conheceu a loja onde também fica a fábrica de biscoitos. O cheirinho doce no ar provoca, logo vem a vontade de provar as bolachinhas acompanhadas de um cafezinho. São mais ou menos mais de 20 tipos de bolachas – a maioria doces – para levar para casa. Boa parte delas de receitas originais da Vovó Elza. Entre os clássicos: casadinho, olho de sogra, bolachinhas de mel, rosquinhas de leite, sequilhos.
A partir de R$ 9,90 um pacote de 200 gramas, o casadinho de goiabada ou o olho de sogra estão sempre entre os mais vendidos. O sabor é docinho, derrete na boca, leve, e difícil comer apenas um só. Uma bolachinha gostosa que permaneceu mesmo diante dos modismos da confeitaria, dos doces finos, dos chocolates artesanais e que hoje se transformou numa opção gostosa de presente atemporal.
Quem foi Vovó Elza?
Maria Elza Spengler nasceu em Gaspar, Santa Catarina, município do Vale do Itajaí. Neta de alemães imigrantes que vieram para o Brasil ainda nas primeiras levas. Aprendeu desde cedo a cozinhar, a transformar a comida em sustento e cuidado. Foi viúva jovem e mãe de 11 filhos, que criou produzindo pães, cozinhando em casamentos, e claro, também fazendo bolachas.
“Eu não lembro dela exatamente fazendo bolachas, sou uma das netas mais novas. A avó era de 1908 e faleceu em 2001, quando já tinha 94 anos. Mas eu lembro, ela sempre tinha a mesa posta pra o café. Era sagrado, todos os dias na casa dela. Era uma ‘alemoa’ brava, mas cativava com isso, se doava em serviço ao próximo”, conta neta Ana Luiza Spengler, sócia-proprietária da empresa, de 46 anos.
A família, natural de Santa Catarina, veio para Curitiba no final de 1997. Em Santa Catarina, passaram por crises e quebraram muitas vezes. “Viemos para cá com a necessidade de trabalhar de alguma maneira. Vim com meus pais, irmãs, um irmão ficou em Santa Catarina. Esse meu irmão trabalhava no antigo Bamerindus e resolveu fazer as bolachinhas da vó para vender no banco”, conta Ana Luiza.
Com o tempo, Ana percebeu que também poderia vender as bolachas em Curitiba. E assim tudo começou. A família se dedicou para produzir e vender as bolachas da Vovó Elza na feira de domingo, do Largo da Ordem. A cozinha do antigo apartamento no Centro virou fábrica e toda a família foi se envolvendo.
Décadas depois, o legado da Vovó Elza se expandiu. Um de seus filhos, Reinaldo Xavier Spengler, hoje com 91 anos, trabalha diariamente na fábrica, chegando cedo e ficando até o período da tarde. A neta, Ana Luiza, conduz o negócio – não só como empresária, mas como guardiã da história que atravessa gerações. Hoje são cinco lojas da Vovó Elza espalhadas por Curitiba.
Tradição que conquistou os curitibanos
A pequena venda pontual aos domingos, na feira do Largo da Ordem, se transformou em hábito. Com o tempo, o consumo das bolachinhas foi aumentando e até as tradicionais bolachas de glacê – que antes eram vendidas de maneira sazonal na Páscoa e na época de Natal – passaram a fazer parte da rotina dos clientes ao longo do ano.
Os clientes passaram a associar as bolachas a uma experiência afetiva, o consumo passou a virar um pequeno ritual. “Tem cliente que diz que pode cortar outras coisas do orçamento, mas que o nosso produto não pode faltar”, conta Ana.
Mais do que um doce, as bolachas da Vovó Elza passaram a ocupar um espaço no ritual com a família, na venda que se sustenta na memória, no costume e no afeto. Em tempos de pressa e ansiedade, o valor mesmo está em abrir um pacote de bolachas, passar um café e lembrar também que servir é uma forma de afeto.
*Os valores dos produtos divulgados no post são de fevereiro de 2026 e podem sofrer alterações.
As bolachas da Vovó Elza
São quatro lojas em Curitiba:
Boa Vista
Endereço: Rua Ludovico Geronazzo, 2284
Horário: de segunda a sexta, das 9 às 18 horas, sábado das 9 às 13 horas. Fechado aos domingos
Jockey Plaza
Endereço: R. Konrad Adenauer, 370 – Loja 1171, Piso L1
Horário: de segunda a sábado, das 10 às 23 horas, domingo do meio-dia às 22 horas
Centro
Endereço: Rua Voluntários da Pátria, 285
Horário: de segunda a sexta, das 9 às 18 horas, sábado das 9 às 13 horas. Fechado aos domingos
Xaxim
Endereço: loja 1008, BR-116, 16303
Horário: de segunda a sábado, das 10 às 22 horas, domingo das 14 às 20 horas
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