O cara era tão teimoso que ainda criança ganhou apelido de Cabeçudo. Apelido era o que não faltava na vida de Teófilo Antônio que tinha este nome porque nasceu em Teófilo Otoni, Minas Gerais. O pai, outro teimoso, quis homenagear a cidade em que o filho nasceu. O problema era que ele cismava de chamar a cidade de Teófilo Antônio. Deu no que deu. Adálio, amigo de Cabeçudo, o chamava de Chapeleta: “É mais que cabeçudo. É um chapeleta”.

No entanto só os íntimos o chamavam de Chapeleta porque Cabeçudo, além de teimoso, era forte, ignorante e tinha cara de malvado. Outros apelidos eram Santinho, dado pela mulher, Djanira, porque ela cismava que o sujeito era mulherengo e fazia cara de santo perto dela e do vigário. “É santo do pau oco, padre”, dizia ao pároco. Com este negócio de santo do pau oco, as comadres passaram chamar Cabeçudo de Santinho. Compadre Santinho, para ser exato.

No time de futebol, nos jogos de fim de semana, ele era o Ferramenta. O goleiro Azeitona ficava lá atrás gritando para Cabeçudo abrir a caixa de ferramenta e baixar o sarrafo nos adversários. E assim ficou conhecido como o zagueiro Ferramenta para os companheiros do Vasco da Gama do bairro. Os adversários o chamavam de Sarrafo e Carniceiro.

Alceu Tocafundo, dono do Bar Dante, mais conhecido por Bar Bante, chamava Cabeçudo de Pindola, sem que ninguém soubesse a origem do apelido. Esclareça-se que o bar de Tocafundo era para se chamar Bar Tocafundo, mas o contador Abelardo Mantovani achou o nome feio para um bar e escolheu o de Dante em homenagem a Dante Alighieri, que entrou na história sem saber o motivo.

Afinal, nenhum dos frequentadores gostava de poesia e nem sabia quem foi o sujeito que Abelardo escolheu para batizar o local em que se reuniam. Que Djanira não saiba, mas uma morena assanhada chamava Cabeçudo de Gostosão. Quando os amigos enchiam a cara e queriam tirar onda, o chamavam com este nome, para pânico do homenageado que arregalava os olhos e murmurava: “Parem com isso, seus loucos!”.

Ele dizia que “se a Djanira ouvir, estou ferrado”. O medo era tão grande que os amigos desconfiavam que Cabeçudo ciscou no quintal da morena e o medo não era da Djanira, mas do marido da morena descobrir. Para encerrar a história, como Cabeçudo era padeiro, a maior parte das pessoas no bairro o chamava de Padeiro e outra de Mineiro. O mais irônico é que ninguém chamava Cabeçudo de Teófilo.