A Cida julgou que aquele cachorro bonito – cachorro de rico, repetiu três vezes – merecia um nome chique e deu a ele o nome de Big Law, expressão cujo sentido ela não tinha a menor ideia, mas que ouviu num programa de TV a cabo, na casa do patrão. O sujeito repetiu tantas vezes que a Cida ficou com aquele “nome lindo na cabeça”. Até aí, tudo bem. O diacho é que os filhos da Cida por não terem paciência de pronunciar corretamente Big Law – em inglês seria algo como Biguelôu – chamaram o bicho de Bilau. E ficou Bilau. O cachorro desapareceu e ela não tinha como localizar o bicho por causa de seu nome ambíguo.
“Como é que eu vou dizer para todo mundo que estou atrás do Bilau?”. Este o drama que fazia a Cida chorar, a sua amiga Nereide rir e a cobradora ficar de cara amarrada. As duas desceram nas proximidades do Centro Cívico e a cobradora, Genoveva, mulher encorpada, loira de olhos azuis, balançou a cabeça, me olhou e disse: “O que eu já ouvi de história absurda aqui, moço, o senhor não tem ideia. Esta aí é apenas mais uma delas. Bilau! Isto é nome para botar em cachorro?”. Eu fiquei com vontade de dizer para a Genoveva que era Big Law – algo como A Grande Lei. Mas a história da Cida não ia ficar menos estranha e o cachorro não ia aparecer. Por isso fiquei calado.