Para quem não mora no Rio Grande do Sul, parece não haver política mais impopular que a governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB). Na última quinta-feira, ela voltou a aparecer no noticiário nacional, e novamente em uma confusão, desta vez na porta da própria casa. O despacho da Agência Estado explica: “O protesto começou por volta das 7h30 de hoje em frente à casa da governadora, no bairro Vila Jardim, em Porto Alegre. Os manifestantes seguiram para o Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, e se concentraram no Parque Harmonia, segundo a Polícia Militar. A governadora tem sido alvo de denúncias de corrupção no governo, como o suposto uso de caixa dois na campanha que a elegeu, usado para a compra de uma casa em um bairro de alto padrão”.
O inferno astral de Yeda não vem de hoje, vem desde a crise no Departamento de Trânsito (Detran), que teve toda sua cúpula acusada de irregularidades, em um caso que marcou o rompimento público da governadora com o vice Paulo Afonso Feijó (DEM). As denúncias de caixa dois rondam a política tucana, que tem a casa – onde aconteceu a confusão – como símbolo da crise.
Na quinta, os líderes do protesto foram professores da rede pública e partidos de esquerda, como o PSOL. No auge da zorra, a governadora chamou os manifestantes de “torturadores de crianças”, por terem intimidado os netos dela quando estes saíam para a escola. De maneira teatral, Yeda Crusius saiu com cartazes para rebater a gritaria, refugiou-se em casa e disparou nas entrevistas para as rádios de Porto Alegre.
Em resumo, a governadora conseguiu ter oposição à esquerda (desde o PT) e à direita (com a cisão da aliança com o Democratas).
Isolada, Yeda vira a exceção que confirma a regra da unidade gaúcha. Apesar da eterna divisão entre direita e esquerda, chimangos e maragatos, Grêmio e Internacional, o Rio Grande do Sul sempre se une nas adversidades. Neste momento, também parece estar unido. E justamente contra a pessoa que representa (por eleita que foi) todos os gaúchos no Palácio Piratini.