Voto e liberdade

Todas as fichas, tanto as boas quanto as ruins ou péssimas, foram colocadas sobre a mesa de apostas, mas os resultados do jogo foram pífios. A referência, em primeiro lugar, é endereçada ao quase aniquilado remanescente do PMDB e seu fracassado projeto de campeador, o governador Roberto Requião, cuja última esperança se resumia na eleição do fiel batedor Doático Santos à Câmara Municipal de Curitiba.

Em respeito absoluto aos leitores de O Estado e, sobretudo, aos eleitores curitibanos e paranaenses em geral, fazemos questão de esclarecer que a metáfora utilizada para comparar as eleições a um jogo, não pretendeu em nenhum momento diminuir a importância cívica do evento, mas sim lembrar pela enésima vez os blefes e a inabilidade bisonha sacados da cartola de um mágico mambembe, que ainda se imaginou capaz de manipular os recursos ilusórios da prestidigitação.

A tentativa durou pouco, é preciso reconhecer, pois a cada pesquisa de intenção de votos o candidato tirado do bolso do colete do governador, para usar uma expressão consagrada pelos usos e costumes dos antigos coronéis da política brasileira, patenteava uma desanimadora inaptidão para a conquista de eleitores. Logo se descobriu que o defeito não era de única e exclusiva responsabilidade do reitor Carlos Augusto Moreira Júnior, um médico de extrema competência guindado, por sua dedicação ao ensino e descortino administrativo, à relevante função de reitor da Universidade Federal do Paraná. Dia a dia se tornava mais evidente que o esforço louvável do reitor Moreira de ingressar na vida pública, direito assegurado a todo cidadão prestante, acabaria tendo na pessoa de quem referendou sua candidatura a prefeito de Curitiba, o obstáculo mais difícil de ser transposto.

Associada à pessoa política do reitor Moreira ao governador Roberto Requião, useiro e vezeiro na imposição do autoritarismo sobre escolhas que, por um mínimo de respeito à democracia interna dos partidos, deveriam representar a vontade coletiva, desde o começo da campanha o candidato peemedebista sofreu a decepcionante experiência de ter o nome relegado aos últimos lugares nas pesquisas de opinião pública. Somente na última aferição realizada pelo instituto Datafolha, Moreira conseguiu a extraordinária façanha de chegar a dois pontos percentuais na preferência do eleitorado! Por justiça, há que se reconhecer que seu potencial é muito mais abrangente, assim como não se pode minimizar os malefícios causados à campanha do reitor, que não merecia tamanha humilhação, pela sombra aziaga projetada pelo inquilino da granja do Cangüiri.

Há poucos dias, o coordenador da campanha de Moreira, Rasca Rodrigues, num surto de coerência e pragmatismo, perfeitamente compreensível por se tratar de um dos derradeiros espadachins que não se submeteu aos desatinos e afrontas do cabo de esquadra, revelou aos repórteres que nada mais podia ser feito para evitar a derrota acachapante. Em outras palavras, o coordenador da campanha estava jogando a toalha, decerto por delegação da ínclita figura que jamais, em tempo algum, teve o discernimento de exercitar a virtude de reconhecer os próprios erros. Um desvio de conduta ética ainda mais deprimente quando protagonizado por um moderno frade mendicante inspirado pela Carta de Puebla.

A superioridade eleitoral do prefeito Beto Richa (PSDB) confirmará na eleição de amanhã o desfecho antecipado pelos números recorrentes do Datafolha, Ibope e Vox Populi. Senhor de sua própria razão, o eleitor voltou a optar em massa pelo melhor candidato e, este é o único valor que deve prevalecer e ser respeitado. A disputa pelos votos foi franqueada a todos os candidatos que se subordinaram às mesmas normas da legislação eleitoral. O resultado das urnas eletrônicas e, a avaliação se estende a todos os municípios, representa a vontade soberana da cidadania. Nosso desejo é que, mais uma vez, o voto seja o símbolo perene da liberdade dos homens e mulheres que agigantam o Paraná.

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