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Estamos na era das fusões, dos bancos gigantescos, das organizações financeiras planetárias. Vivemos esta situação há pouco, quando Itaú e Unibanco se fundiram e criaram o maior banco da América Latina. Mas, ontem, surgiu um protagonista no nesta história – o governo federal. Com apetite assustador, o Banco do Brasil (BB) pagou R$ 5,386 bilhões para comprar a Nossa Caixa, a instituição financeira do Estado de São Paulo. Parece ser uma negociação como outra qualquer no mercado financeiro, mas a volúpia estatal é diferente.

Primeiro, pela importância política da negociação. Querendo ou não, os personagens da história aceitando esta leitura ou não, é o governo do PT comprando o banco do governo do PSDB. É uma ação surpreendente pelos seus negociadores, emissários indiretos dos dois principais políticos do País (o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo José Serra). E pela elegância das conversações, que demonstram civilidade no relacionamento entre os Executivos e entendimento da economia global entre os gestores
da economia.

Segundo, pela reação do comprador. Por mais que algumas empresas relutem em aceitar, quando há uma fusão ou uma aquisição de grande porte, a empresa resultante deste negócio tem que cortar despesas “repetidas”. No caso dos bancos, é inevitável fechar agências que concorram entre si, e com isso demitir funcionários. Na compra estatal isto não entra em pauta. O primeiro ato do BB foi garantir, através da palavra do presidente do banco, Antônio Francisco de Lima Neto, que nenhuma agência será fechada.

E o terceiro detalhe é que a “fome” do governo federal não cessou. Na declaração que fez sobre a compra da Nossa Caixa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que pretende ver o Banco do Brasil na vanguarda nacional e internacional. “Queremos que o BB seja muito maior do que qualquer outro banco”, afirmou. Que este seja um desejo calcado em realidade financeira e dentro  das regras do jogo, e não em um interesse intrínseco em reestatizar a economia brasileira.

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