O presidente Rafael Correa alcançou, neste domingo, um grande triunfo nas eleições equatorianas, recebendo 55,2% do total de votos, ao passo que o contendor mais próximo, Lúcio Gutierrez, ficou com os 27 pontos percentuais restantes. Correa foi eleito no primeiro turno e, dessa maneira tem motivos de sobra para comemorar a vitória a seus correligionários, porque nos últimos trinta anos nenhum candidato a presidente havia se consagrado vencedor já na primeira rodada de votação.

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Os números foram levantados nas pesquisas de boca de urna, por volta das 17 horas, com o fechamento das sessões eleitorais, mas se confirmaram nas horas seguintes com a proclamação dos primeiros resultados oficiais. Os dados dizem, ainda, que Correa ganhou em todas as regiões do país, sendo que na capital, Quito, os analistas políticos foram unânimes em proclamar que Correa arrasou os oponentes com 63% dos votos. Em Guayaquil, segunda cidade mais importante do país, tradicional reduto de oposição aos projetos do presidente Rafael Correa, este obteve o percentual de 41,7% em relação a Gutierrez.

Ao receber os primeiros informes da contagem de votos, Correa declarou estar vivendo “um dia histórico”, recordando inclusive que seus sete predecessores não tiveram a oportunidade de completar os mandatos. Segundo a imprensa internacional, o presidente reeleito comentou que o Equador vive uma nova etapa em sua história, e este é o resultado concreto da luta pela nova Constituição e por novas leis que permitiram a melhoria das condições de educação, saúde e qualidade de vida para todos os habitantes do país. Correa incluiu a oposição em seu discurso acenando com “um grande acordo nacional”.

A proposta de Correa é acima de tudo pragmática, tendo em vista que na eleição dos membros do Parlamento, os dados relativos à Aliança País (o partido do presidente) indicavam uma precária maioria de 63 cadeiras das 124 que compõem a Assemblia Nacional. Como a apuração dos votos dos parlamentares é mais lenta, o resultado final do escrutínio somente será conhecido nas próximas horas. E o desfecho estava sendo esperado com grande expectativa nos principais comitês eleitorais de Correa, tendo em vista que a Assembleia Nacional será palco dos embates pela aprovação das normas legislativas que devem impulsionar o desenvolvimento do chamado socialismo do século 21, o projeto político mais acalentado pelo presidente reeleito domingo.

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Pela primeira vez em eleições nacionais, além do presidente e do vice-presidente foram eleitos os parlamentares, prefeitos, alcaides e conselheiros municipais (cerca de 2 mil cargos oficiais), foi utilizado um sistema de urnas eletrônicas bastante sofisticado. Mesmo assim, a oposição levantou dúvidas sobre alguns aspectos do sistema, pondo de sobreaviso os observadores internacionais convidados a fiscalizar a legitimidade do pleito.

Rafael Correa tem 46 anos de idade e estudou economia em universidades da Bélgica e Estados Unidos. Sua popularidade entre a população havia sido testada nas eleições de 2007 quando seu partido obteve a maioria de 83% dos votos na composição da Assembleia Constituinte, que no ano seguinte aprovou a Constituição com o apoio de 74% dos votos congressuais.

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Para os partidos de oposição, divididos em vários grupos, a alternativa escolhida foi gastar todos os argumentos no sentido da realização do segundo turno, muito embora o resultado das urnas tenha mostrado que a maioria absoluta dos eleitores não compartilhava da mesma ideia. O segundo colocado não conseguiu chegar a um terço dos votos válidos, tornando insofismável a vitória de Correa. Este se beneficiou da crise interna vivida pelos partidos tradicionais e do anseio popular por estabilidade institucional. O carisma do líder relativamente jovem, que a oposição chama de autoritarismo e falta de diálogo com as demais forças políticas, recebeu a aprovação maciça dos eleitores, ao que parece convictos das vantagens prometidas pela Revolução Cidadã.