Viol

O padre Nilson Brasiliano José, de 44 anos, foi assassinado no fim de semana, em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. Deu carona a quatro jovens, conhecidos dele, parou em um banco, sacou dinheiro, foi para uma chácara, lá foi amarrado, colocado dentro de outro veículo, foi roubado e morto impiedosamente. O corpo foi deixado em uma estrada vicinal, na localidade de Tietê. Os suspeitos estão presos, a comunidade de Fazenda Rio Grande, onde Nilson era pároco, está em estado de choque.

É difícil entender. Quanto dinheiro será que o padre tinha no banco? Será que seria algo de vulto e que justificasse tal ação? Claro que não há dinheiro que pague a vida do padre Nilson, mas alguns bandidos explicam suas ações pela possibilidade de conseguirem altos valores – daí os seqüestros e os roubos seguidos de morte (os latrocínios).

Neste caso, eram poucos reais, talvez um carro, nada mais. E a vida de um padre, que em sua rotina diária confortava (em nome da fé) seus fiéis e se tornara, como em toda comunidade, uma pessoa próxima das famílias, foi jogada fora. Não só a dele, como também a vida dos quatro jovens que foram detidos – caso realmente sejam eles os culpados, estarão marcados para todo sempre como os bárbaros que, por uma quantia irrelevante, assassinaram um sacerdote.

A morte de um padre sempre provoca comoção. Vivemos há pouco a tragédia do padre Adelir, que desapareceu ao tentar viajar içado apenas por balões de gás. O Brasil sentiu a dor da paróquia de Paranaguá que viu seu pároco se imolar em nome de uma luta, pela melhora das condições das estradas.

Agora é a violência pura que não poupou nem o padre. É a nossa violência de todo dia, que fabrica vítimas diariamente e criva de dor famílias por todos os cantos. Neste caso, deixou um rastro de tristeza em Fazenda Rio Grande. É o sentimento de impotência que fica reforçado nas pessoas. Afinal, se nem mesmo um sacerdote pode viver, o que acontecerá com todos nós?

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