Vila Velha: mais uma decepção!

Vila Velha de fascinantes paisagens naturais.

Obras-primas esculpidas e petrificadas!

Iluminadas em dias ensolarados,

Prateadas e sombreadas ao luar…

Vila Velha altaneira e sofrida…

Mutilada pela ganância

Do turismo selvagem,

Humilhada e banalizada.

Transformada em parque de diversões!

Vila Velha tornou-se modelo de protesto através de ação popular pioneira no País, que tramitou por um quarto de século nos tribunais do Paraná e do Brasil, visando o estancamento das agressões e a restauração da paisagem primitiva. Conquistou sua redenção graças ao ativismo de ambientalistas pioneiros e à abnegação da equipe do escritório do professor René Dotti.

A esperança foi recuperada no início do governo Roberto Requião, quando foi acordado o encerramento da ação popular movida contra o Estado do Paraná pelos danos causados ao patrimônio natural contido no Parque Estadual Vila Velha, com o comprometimento do governador com a total recuperação da paisagem natural daquela unidade de conservação e implementação de um modelo de gestão turística sustentável.

As construções deveriam ser retiradas. No acordo estabeleceu-se que seriam envolvidas por um capão de araucárias. Apesar das insistências, o IAP alegou que as araucárias invadiriam o parque!…

Na edificação junto à piscina, ficou ajustado que seria montado um museu de geologia/paleontologia. O Conselho de Patrimônio Histórico do Estado do Paraná criou toda sorte de empecilhos, colocando em risco a instalação do referido museu.

Foi acordado também que os visitantes deveriam ser acompanhados de guias, os quais foram treinados para orientar e informar estudantes e turistas sobre a geologia e geografia da paisagem de Vila Velha. Atualmente, os visitantes seguem desacompanhados, fora das trilhas, deixando inscrições nos arenitos e escalando no platô dos mesmos.

Recentemente, estabeleceu-se um experimento destinado a eliminar o ?capim-gordura?, e da forma como está sendo executado está também eliminando espécies nativas, tais como a palmeira anã, soterrada por lonas plásticas que afetam igualmente os pequenos animais que vivem junto ao solo.

Mais uma experimentação desastrosa por parte do IAP!

O mais grave é a ?cultura? de placas do governo para enaltecer o infeliz experimento.

Há pouco tempo, o mesmo IAP demonstrou sua incapacidade de gerenciar o meio ambiente ao autorizar desmatamento na área de manancial do Passaúna, uma das mais importantes reservas de água da Região Metropolitana. Será que por ignorância ou por outros motivos não declarados?

Espera-se do governador, que tem se colocado à frente de iniciativas importantes em favor da preservação dos remanescentes florestais do Paraná, bem como de programas e ações relevantes para garantir a sustentabilidade do desenvolvimento, uma atitude à altura do valor paisagístico do Parque Estadual Vila Velha.

João José Bigarella é professor emérito da Universidade Federal do Paraná.

Edson Luiz Peters é assessor do procurador-geral de Justiça e doutor em Direito do Meio Ambiente.

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